20.8.14

Estímulo. A vida é feita dele.


Estímulo. A vida é feita dele. Há os internos e os externos. Há os coletivos e os individuais. São vários os tipos e podem surgir de onde menos se espera. Se é que se espera realmente. Algumas vezes sim. Atualmente estou em um trabalho que me consome bastante. Gosto, mas é extenuante. Há plantões nos fins de semana, ou seja, quando estou livre, quero tudo menos o computador. Respirar. Viver. Tirar do corpo o amarelo-escritório, a forma da cadeira do esqueleto, deixar a concha e ver o que o mundo reserva "lá fora". Ainda que cansada e sem tempo, tive vontade de voltar a escrever com mais assiduidade para o BibideBicicleta. Por que? O estímulo certo, oras! 

O blog existe há 8 anos. Bem nos primórdios, eu andava sozinha. Mas logo, logo apareceu gente para pedalar comigo. Foi motivo de muita alegria. Um desses ciclistas voltou! Depois de um longo inverno entre minhas letras e suas leituras. Mas sua volta, que alegria, trouxe o estímulo que eu precisava para acordar e continuar. J25, você me faz acreditar - outra vez - que as minhas palavras aqui geram sentido ou ocupam espaço na vida de alguém(s). 

Estímulo. Mesmo independentes, autoconfiantes, nós precisamos deles vez ou outra. Não falo do elogio, mas do estímulo certo para dar fôlego na caminhada. Talvez ele, o estímulo certo, esteja bem mais próximo de acontecer, que antes, para eu finalmente reunir os meus escritos e lançar um livro de crônicas.  O estímulo certo opera alguns pequenos milagres cotidianos. Um sorriso ou até um tapinha nas costas. Um e-mail do chefe dizendo que você está fazendo um bom serviço. O marido que elogia a comida/roupa/corpo/inteligência da mulher amada. Um desconhecido que te faz sorrir, porque leu algo que você escreveu e aquilo encontrou um sentido suficiente, um significado especial na sua vida. Um "Vamos lá, não desista!" naquelas horas em que o mundo parece querer te engolir. Naquele pequeno estímulo, você reconhece a grande força do universo. Propulsão. Voltei! Estimulada pelo meu leitor. Espero que não único! (risos).

16.8.14

Frase

"Hoje eu fiquei pensando que as relações de intensa convivência são como andar de slackline: tênue, arriscada, precisa de balanço e equilíbrio, paciência, foco, mas não deixa de ser uma divertida aventura...E o mais legal é que se você cair, pode começar tudo outra vez! Um divertido desafio" (Bia Amorim)

7.8.14

Lembrar. Viver. Sonhar.


Já preenchi muitas páginas com histórias. As minhas e as dos outros. Profissionalmente ou por lazer. Sempre com prazer. Vivi para ver e guardar instantes preciosos ou ouvi, para que todos conhecessem um pedaço daquela vida contada, narrada através da minha letra, da minha curiosidade, do meu olhar e do que o entrevistado tinha mesmo para dizer daquele instante na sua trajetória. Ouvi muitas histórias as quais não posso contar. Algumas aparentemente revivi junto enquanto a pessoa me contava (choro, rio, penso, me comovo, me entrego, compreendo, consolo. Tudo parte de mim)
Outras, escutando "ao pé do ouvido", imaginei à minha maneira, escrevendo com letras do pensamento nas páginas do coração. E lá estão e voltam vez ou outra. 

Depois de adulta, descobri a graça de ser filha e que viver histórias com a minha mãe - e com quem amo também - é o maior legado que me deixam, enquanto juntos (as) estivermos. Diferentes demais, ela e eu, mas com a dádiva de sonhar, escrever e viajar - em quase todos os sentidos bons que essa palavra pode conter. As vezes, antes de dormir, olho as fotos do que já fiz e registrei nessa vida. Ou lembro de passagens registradas com as tintas do sentimento apenas. E como é bom. Lembrar. Viver. Sonhar. Passado, presente e futuro inseridos nessa bela equação.

18.7.14

Insulina da palestina


Tem coisas que só acontecem comigo. Não é bem assim, mas é quase, vício do jargão tão popular. Gosto de pensar que tem muitas coisas pitorescas que acontecem comigo. Vou registrando na memória e as vezes lembro. A maioria de fatos engraçados; outros acontecimentos pitorescos. Lendo o noticiário sobre essa confusão entre judeus e palestinos, lembrei da minha viagem à Israel. Comendo errado e em horários variados, gastei mais insulina que o planejado e me vi no meio do "deserto" sem o meu kit de sobrevivência. Israel me pareceu como nos Estados Unidos na questão da saúde: nada se compra sem ir ao médico/ter receita. Eu ia atrasar TODA uma excursão pela minha falta de planejamento estratégico. Além disso, insulinas existem de vários tipos e fiquei me perguntando se os nomes/efeitos seriam os mesmos. Naquele mesmo dia, atravessamos para o território palestino. Entrei com a guia na farmácia e o atendente compreendeu o que eu queria, leu as bulas de todos os tipos guardados na geladeira. E eu para a guia: eu já sei qual eu quero, porque o atendente está lendo as bulas? Porque ele é o médico. Ah, tá! Desce o pano. Atrás de mim, uma fila de outras pessoas da excursão que também não planejaram bem a quantidade de medicamento. Achei meio incrível o médico ser o dono da farmácia!

16.7.14

pic




14.7.14

pensata



Foto de Lucas Ferraz (Paris)

1.7.14

respirando copa







27.6.14

de passo em passo




Um dia de cada vez e um alvorecer após cada anoitecer. É de passo em passo que a gente constrói uma história. Tantas vezes o desejo é correr, porque as demandas da vida e os acontecimentos frenéticos nos levam a pensar que devagar não se vai muito longe, contrariando o dito popular. Contudo, é a ansiedade que nos faz tropeçar, muitas e muitas vezes ao longo do caminho. Já corri, já cai, já levantei, já sentei e chorei no meio do caminho com as pedras encontradas. Algumas colocadas por mim, sem querer, por querer... E então, enxugando a tristeza líquida que transbordou da alma, a gente junta o que sobrou e recomeça a caminhar. Um passo de cada vez, rumo ao desconhecido, rumo à esperança que mora em cada um de nós e adquire sua forma exata, única e que se quer repleta, plena e suficiente. Não são os sonhos que me sustentam. Quem me sustenta é Deus, que produz e realiza em mim sonhos incontáveis. E que sempre me dá uma boa mão para voltar a acreditar que de passo em passo nós cumprimos o nosso significado com significância.


26.6.14

pensamento

E um dia você aprende que as amizades mudam e isso não eh necessariamente ruim, que se amar eh quase natural, mas requer um pouco de trabalho, atenção e energia, que a dor ensina, mas não apenas se aprende na dor, que uma mesma história pode ter várias versões, que tudo o que você julga no outro, mesmo usando a misericórdia como fiel da balança, pode vir bater a sua porta pra mudar todas as suas vãs convicções, eh sentindo na pele que se dimensiona a vida ou se redimensiona a existência e que ninguém está apto para avaliar a dor do outro, por maior, menor ou igual que se pareça ; a única atitude justa, digna e fiel eh apenas tentar se conectar a quem precisa e oferecer o que há de melhor em si, caso queira ajudar, e as vezes, um abraço , um café e um pão de queijo tem poderes extraordinariamente curativos. [Bia Amorim]

24.6.14

Onde vocês estava, quando...


No começo da Copa, o Fantástico fez uma matéria legal sobre pessoas que nasceram nos dias em que o Brasil estava levantando o caneco. E a reportagem lançava a pergunta: “você lembra onde estava quando o Brasil ganhou a Copa?” Eu a-d-o-r-o ficar lembrando onde estava em momentos especiais da história. Parece que não estou sozinha nessa! Então, resolvi mexer no baú da memória e resgatar algumas dessas lembranças. Quem sabe você não faça o mesmo?

Começando pelas Copas do Mundo, vi a de 94 e a de 2002. Na final da primeira, estava na casa da minha tia e lembro bem que uma vez que fomos para os pênaltis contra a Itália, a sala ficou vazia. Ninguém mais acreditava que era possível. Eu amava futebol e confiava no Taffarel. Entre ruídas de unha e mãos na frente do rosto assisti a conquista. Dois torneios depois, o sabor foi ainda mais especial. Morava nos Estados Unidos e torcia pelo Brasil pela ESPN junto com um grupo de mais de 30 jovens. Fuso confuso, as partidas nos faziam madrugar e vibrar e a final foi eletrizante, com Ronaldo Fenômeno se consagrando frente à seleção. Ganhamos e os amigos foram com a bandeira brasileira andar na montanha russa mais alta do parque de diversão onde estávamos. Comédia!

Momentos tristes também marcam. Lembro que assisti a queda da segunda torre gêmea, de NY em 2001, da faculdade. A gente achou que era o início da terceira guerra mundial. Algo parecido deve ter sentido a geração que viu Kennedy ser baleado. Estava na escola, quando falaram da morte de Renato Russo e ensaiou-se uma paralisação das aulas. A internet não era uma realidade e dessa maneira, as informações eram bastante desencontradas. Imagino o mesmo sentimento para quem soube do assassinato de John Lennon em 1980. Todo mundo que gosta de música deve lembrar de onde estava nesse dia, né?

Eu não tenho filhos, mas jamais vou esquecer de quando meu irmão ligou dizendo que minha sobrinha nasceu ou do dia em que a conheci. Ou quando minha mãe ligou e disse que “papai já está com Jesus”. Estava voltando de uma matéria, engarrafada na Lagoa Rodrigo de Freitas. Um lugar tão lindo, para uma notícia tão triste.

Há casos mais pitorescos. Exemplo? Quando houve o sequestro do ônibus 174, estava no meu quarto lendo, quando minha vizinha veio pedir oração pelos passageiros. E assisti à votação do processo de Impeachment de Fernando Collor sozinha na saleta de casa. Ainda não existia para ver a façanha do homem pisar na lua – Neil Armstrong em 1969 – mas acompanhei o desfecho do sequestro do Silvio Santos (antes teve o da filha, Patricia Abravanel) em cadeia nacional em 2001. O homem do baú dominando o horário nobre da Globo. Eu e a empregada no sofá de casa. Soube da queda do Muro de Berlim justamente na aula de história, quase em cima do lance, tanto quanto era possível na época. E a gente começava a estudar geopolítica. E estava aqui, sentada em frente ao computador, desenhando mentalmente esse texto, quando soube: “Sarney desistiu de disputar o Senado”.

Sua flanela me constrange!

Quando meus primos eram pequenos, eles vinham com os pais de São Paulo para o Rio e o programa obrigatório era a praia! Anos depois, o mais velho veio sozinho e lá fomos nós para a mesma faixa de areia; ele agora ao volante. Nada parecia ter mudado, a não ser "o vaga certa". Nessa época, havia acabado de ser instituído no Rio o profissional de colete empunhando um talãozinho na mão, que te obrigava a deixar antes do programa, o valor estipulado pelo tempo desejado em permanecer no local. Ele (o primo) estranhou. Eu expliquei. Tudo funcionou. 

Passado outro punhado de anos, o flanelinha caracterizado (legal ou não) virou uma espécie de para-instituição carioca (a milícia dos estacionamentos já em extinção pela cidade). Nas vagas que ainda não são da administração municipal ou após o horário regulamentar, cada qual é dono de seu pedaço de calçada e que abra a carteira quem estiver disposto a parar seu carro. A população pode até medir o prestígio da região pelos preços praticados. Vemos dos tradicionais dois reais até cinquenta reais! Sim, meu povo, há eventos em regiões onde esses preços tentam ser empurrados goela abaixo e há quem pague. E por que pagamos? Se está dentro da lei, é nosso dever e obrigação, mas chegamos ao ponto em que tantas e tantas vezes somos coagidos a pagar, sob pena de ter pneus furados, carro arranhado, espelho arrancado... Lenda urbana?! Antes fosse. 

Amigo meu contou que a padaria perto da casa dele começou a ter uma queda nas vendas, porque a calçada ao redor passou a ser dominada por um flanelinha que cobrava preços abusivos. Idosos e mulheres eram os principais acharcados em dez reais por 10 minutinhos de parada para o pão quente. A "vaga" era mais cara que a compra do pão. Posso dizer que esse é um caso isolado? Alguém mais se arrisca a ir à Copacabana ou ao Centro da cidade de carro? Só os corajosos ou os que estão dispostos a deixar uma boa quantia nos estacionamentos da região. Inflacionados, tanto quanto os para-flanelinhas.  

Apoio o trabalhador legal – e por legal, acrescento aqui o gente fina também – mas entre os trabalhadores desse serviço informal, que já é parte do cenário carioca, existem todos os tipos. Quem nunca... Pagou e teve o carro avariado? Pagou e viu o sujeito sumir em seguida? Pagou e ao retornar encontrou o malandro bêbado, te desorientando, mais que orientando a saída? Pagou e não viu alma viva na volta? 

O que fazer na cidade na qual o jeitinho já foi institucionalizado, praticamente? Sempre pego o talãozinho... Já discuti valores sim! Mas e quando o injusto parece ser a única justiça que lhe cabe? Flanelinha dono da rua, como proceder, gente!? Sistematicamente me sinto lesada no meu direito de ir e vir - de carro, que seja! E não são pelos dois reais! 

18.6.14

A cara do Rio que dá certo

Hoje levantei bem cedinho para um compromisso em Ipanema. Para mim o bairro simboliza o Rio que deu certo. Mesmo em obras para o metrô - e os caminhos atravancados, tapumes, poeira e ruas fechadas. O ônus do bônus. Caminhando pelas calçadas, vendo quem madruga, um jeito mole de quem começa o dia, para outros, uma pressa, roupa de ginástica, vai e vem tranquilo. Perto da praia, as roupas são naturalmente poucas, de modo que ver alguém de camiseta e sunga ou de top e legging é uma coisa absolutamente normal, parte de um cotidiano. Um sujeito passeando com um bando de cachorros me faz rir. Linda a cena, todos fofos seguindo o guia, alguns com a camisa do Brasil. Os pets no clima. Cachorro e criança me arrancam sorrisos com muita facilidade.

Findo o compromisso, antes das 10, Poli Sucos LOTADO de estrangeiros. Adorei ficar ali vendo o que eles pedem e como pedem. O atendente já meio treinado para a sua falta de inglês, mas escolado na linguagem corporal. Os "gringos" praticamente soletrando em português "bacon", "ovo" e muitos pedidos de açaí. Açai brasileiro bombando. Um casal pede para ver a fruta. Xiiii é polpa congelada. Frustração que não arrefece o apetite. Termino meu suco e na calçada mesmo vejo um grupo enorme de jovens loiros, nórdicos, sem camisa. Típico torcedores. O clima da Copa deixa a cidade mais bonita, mais dinâmica e alegre, como deve ser. Estrangeiros em Ipanema é normal, mas naquela profusão é especial. Eu de casaquinho e eles, exibindo o peitoral - para os loirinhos, a temperatura de hoje cedo deve ser a de verão deles. A cara da alegria. A cara do Rio que dá certo.

21.5.14

Sem ensaios


"Tenho uma amiga chamada Azaléia, que simplesmente gosta de viver. Viver sem adjetivos. É muito doente de corpo, mas seus risos são claros e constantes. Sua vida é difícil, mas é sua. Um dia desses me disse que cada pessoa tinha em seu mundo sete maravilhas. Quais? Dependia da pessoa. Ela então resolveu classificar as sete maravilhas de seu mundo. Primeira: ter nascido. Ter nascido é um dom, existir, digo eu, é um milagre. Segunda: seus cinco sentidos que incluem em forte dose o sexto. Com eles ela toca e sente e ouve e se comunica e tem prazer e experimenta a dor. Terceira: sua capacidade de amar. Através dessa capacidade, menos comum do que se pensa, ela está sempre repleta de amor por alguns e por muitos, o que lhe alarga o peito. Quarta: sua intuição. A intuição alcança-lhe o que o raciocínio não toca e que os sentidos não percebem. Quinta: sua inteligência. Considera-se uma privilegiada por entender. Seu raciocínio é agudo e eficaz. Sexta: a harmonia. Conseguiu-se através de seus esforços, e realmente ela é toda harmoniosa, em relação ao mundo em geral, e a seu próprio mundo. Sétima: a morte. Ela crê, teosoficamente, que depois da morte a alma se encarna em outro corpo, e tudo começa de novo, com a alegria das sete maravilhas renovadas".

 — Clarice Lispector ("A Descoberta do Mundo") 

Ao que a mim cabe, creio que aqui não é ensaio. Depois da morte, o corpo apodrece, a alma descansa e o espírito se une ao Criador. Sem recomeços, esperas, cansaços, dores e afins. O aqui e agora tem que valer o ingresso do show da vida. Que a minha alma descanse cheia das coisas lindas que vi e guardei em mim. Porque o que vale guardar mesmo é aquilo que nos dá esperança.

16.5.14

Novos lugares, na solidão das estrelas

Papo real, ambiente virtual. Ele, arqueólogo. Ela, sonhadora...




"Sentindo falta da solidão das estrelas…E de novos lugares"

"Ando por esse mesmo caminho..."

"Sinto falta da fala de uma gente que nasce entre a luta e o desespero, das brisas que não vão a nenhum lugar e das águas que correm ao contrário… Sinto falta dos caminhos encarniçados, sem eira e nem beira, das palavras e das cores de um mundo abençoado..."

"Mesmo caminho, várias direções. Sinto falta da brisa que transforma meus pensamentos em palavras, das estrelas que me lembram rabiscos num papel do tamanho do mundo, da água que corre fria e límpida para refrescar a cuca quente, de gente simples, mas de coração tão grande quanto a sabedoria, de lugares que me fazem estar em paz comigo e com o meu interior, sem preço e sem pressa. E sim, como não querer as cores intensas e formas imensas de um mundo criado pelo grande arquiteto, que nos abençoa com a existência do palpável que é quase inimaginável, irresistível à palma da mão?"


"Sinto falta do "ô de casa", do café aguado e açucarado, das ladeiras intermináveis, do casal de araras sobre a cabeça ou do barulho da água contornando os pés…Do enebriante aroma de chuva trazido por aquele mesmo vento de lugar nenhum e das imensas montanhas de nuvens e raios cobrindo o horizonte…Saudade de correr com as crianças e mergulhar num rio amazônico, em um misto de felicidade e medo de suas águas escuras… Saudade de minha pequenez entre as chapadas, do sol da caatinga ou da areia das intermináveis dunas do Nordeste… Saudade dos maciços do Norte e do Grande Sertão Veredas…"

"Sinto falta da sensação de descoberta, novos olhares para novas paisagens, pela qual muita gente já passou com suas histórias e fez dali um pedaço novo da memória - a qual agora pertenço. Sinto muita falta do descompromisso com horários e do compromisso de ser feliz com as pequenas coisas naturais de uma jornada. Quisera eu poder perceber agora as similaridades entre humanos de territórios variados: os dilemas com o passar do tempo, os problemas de um coração arrebatado. Somos todos um em cada canto e sempre os mesmos. Sinto falta de chegar e também do "estou em casa"! Do planejamento sonhado, mas não necessariamente executado. Sinto falta de gente que tem tempo para um papinho e que aprecie ouvir minhas histórias. Sinto falta de escrever histórias vividas e não imaginadas por mim. Sinto falta de quem tenha uma bela história na ponta da alma, pronta para sair. Saudade eu tenho do tempo que a palavra tinha valor, tanto a dita, quanto a escrita, mas em especial a oculta."


"Sinto falta daqui, de lá e de lugares muito além…Daqueles que já se foram e dos que ainda nem chegaram…Sinto falta de, deitado à noite sob céus amazônicos, ainda me surpreender com as coisas que só a noite e os encantados vêem… Ás vezes, sinto falta de mim..."

E você, leitor, o que é que sente falta? E o que mais falta faz: daquilo que somos, quando realizamos, ou do que deixamos de fazer, quando ainda sonhamos?



















* Para e com Fábio Origuela, o Indiana Tupiniquim! 

11.5.14

Dia das Mães 2014


Diferentes em muitos aspectos, mas cúmplices, parceiras. Opostos complementares, mas cheias de similaridades. Temos a mesma fé no mesmo Senhor; temos um coração que se preocupa e se dedica ao outro; temos a poesia como forma artística de expressão; gostamos de um papinho e de uma xícara quente de café; descobrimos que o mundo é o palco dos nossos sonhos e temos ido atrás dele, de cidade em cidade, desbravando territórios e reconhecendo no ser humano de cada região aquilo que nos faz iguais, humanos. Tão diferentes e tão próximas, daquelas que se reconhecem pelo olhar, que gostam de rir com pequenas bobagens, que sabem dar a mão, que se desafiam e se apoiam nos passos da vida, tornando a existência mais saborosa; que gostam de contar a história uma da outra (hehehe): ela, nas conversas com as amigas e eu, escrevendo seus causos, seu olhar diferenciado para as circunstâncias. Mamãe lutou muito para se estabelecer, para encontrar seu lugar e isso me impressiona demais. Não consigo imaginar minha vida sem ela, porque ate hoje ela está presente em tudo. Seja de corpo, seja de alma. A convivência intensa e cotidiana, claro, gera atritos, mas nunca divisão. Fico radiante de poder dividi-la (só um pouquinho, heim!?) com tanta gente que a chama de mãe (ou a tem nesse sentido). Porque o amor que temos pela mãe é algo absoluto, inescrutável. Então, creio em Deus, que ela recebe muitas coisas boas por ai, de dentro para fora. E que assim como ela faz a diferença na minha vida, também faz na de muitas pessoas, espalhando amor. Amor que não se mede. Feliz Dia das Mães Ruth Amorim

6.5.14

Nova Zelândia - Parte 1 (O começo)


Um dos grandes sonhos da minha vida era conhecer a Nova Zelândia. Era algo que tinha dentro de mim antes da TV Colosso ir ao ar – tinha um personagem que citava a NZ como um lugar remoto no mundo. Antes até da minha amiga Márcia ir fazer intercâmbio por lá (2002), eu já pensava na NZ; mas certamente o relato que ela fez sobre o lugar aumentou em mil a minha curiosidade. Ano passado, minha Mãe e eu fomos abençoadas com essa possibilidade. Mas uma coisa eu digo a vocês: se querem conhecer a NZ de verdade, evitem ir de excursão. Não, não estou cuspindo no prato que comi! Se assim não fosse, eu nem teria ido... Tudo o que vi, fiz e experimentei teve um sabor fantástico. Contudo, penso que podia mais, muito mais. E sonho em voltar! Quem sabe?    

Não posso dizer a vocês que conheci a NZ. Conheci sim, Auckland – que tinha cerca de 1 milhão de habitantes na época. Que lugar bonito, gostoso, jovem e absolutamente limpo e seguro. E frio! Fomos durante o outono-inverno e aquilo ali tem a cara de ser point no verão (ou ideal para quem curte esportes radicais ligados à neve durante o inverno). Nossa turma era animada, mas encaramos um ventinho frio constante e chuvinha chata de meia estação. Daniel, que nos levou para lá, viu minha carinha semi-triste (porque não há como ficar triste perto dele e viajando) e me disse sábias palavras: "muitas vezes, os lugares e as pessoas são mais bonitos através das fotos". OK! Com pessoas já havia passado por isso, mas as fotos dos lugares nunca haviam me decepcionado até então... Mas fim do processo, entendi que o que estava ME faltando era o sol! hehehe    

Partimos daAustrália, o que deu 2h30 de viagem (e já havíamos passado por uma temporada no Chile, onde a neve caiu superbem!). A moeda deles é o dólar neozelandês. Acabei voltando com muitas moedas. Pelo menos, são lindas! (moeda de formato incrível, mas como sou "organizada"... Ganharam vida e sumiram). O dinheiro some rapidinho da carteira (viu?! Já era uma tendência!), mas nem é porque tem tanta coisa assim para comprar. O lugar, convenhamos, é uma ilha! A maioria dos bens de consumo vem de fora. É um lugar caro (para se viver e consumir - mas de certa forma, foi mai caro consumir na Alemanha e na Suíça), mas encantador! Ainda assim, compramos casacos poderosos para as próximas viagens (não são do tipo fashion, mas do tipo próprio para viajantes como minha Mãe e eu).

***

Fiquei em um hotel chamado Rendezvous. Hotel de turista que vai de excursão, bem bacana, mas não experimentei a coisa típica de ficar em backpackers. Aliás, o novo sonho é esse: atravessar da ilha norte à ilha sul de carro (e barco, lógico), ficando em backpacker! Mas o mais legal de ficar no hotel foi ver a quantidade de estudantes do mundo inteiro, que trabalham na rede hoteleira. 

A NZ é um destino muito procurado para quem quer estudar inglês. É mais barato que os países tradicionais escolhidos pelos estudantes no Brasil, por exemplo, é seguro e tem os esportes radicais e a natureza exuberante. Embora tenha terremotos eventuais. Muita gente vai estudar inglês na NZ e acabam arrumando um trabalhinho e "tals"... Alguns acabam ficando. A filha de uma amiga ia e voltava durante longas temporadas. Aprendeu a fazer todo tipo de café e virou barista! Hoje, estuda Medicina no Brasil e usa suas habilidades com o pretinho básico como hobby. Um charme! 

Encontrei muita gente brasileira em todo tipo de ocupação - sempre por acaso. Mais tarde descobri que tenho uma prima distante morando lá! hehehe Mesmo com tantos compatriotas por lá, a nossa guia era Italiana! Uma graça de menina, que mandava muito bem no português. Morou na região Norte do Brasil, através de um projeto do Greenpeace! Amo a liberdade/mobilidade dos jovens de hoje!

Nos bairros mais afastados a gente vê muito verde e casinhas lindas sem muro, grades, portões altos. Quase todas com flores ou árvores frutíferas. Na orla há muitos prédios novos com varandas, restaurantes badalados. O NZ gosta muito de esporte e não é raro ver gente correndo ou andando de bicicleta. É uma prática passada de geração para geração. Fomos à praia das Missões, com sua areia preta com pedrinhas escuras. Diferente, sem a exuberância do Nordeste brasileiro, mas com seus encantos específicos. A gente tem essa mania de querer comparar, mas há beleza singela em cada lugar e precisamos ter olhos atentos e mente aberta para identificar e abraçar aquilo que nos é diferente. Almoçamos dentro de uma vinícola e essa foi umas das coisas mais legais que fiz – dentro de um contexto histórico, claro. (O curioso é que os donos da vinícola eram croatas, licenciados para a produção). Confesso que bebi! rs



A visita à torre da cidade – cartão postal de Auckland – é passeio que vale. Lá de cima dos 358 metros de altura a visão é privilegiada! As pessoas podem saltar lá de cima – lembrando que a NZ é conhecida por ser o lugar dos esportes radicais (detalhe para o hominho pulando na parte superior da foto abaixo). Não fui pelo preço SALGADO do salto, mas se Deus me permitir, volto para isso também (minha Mãe se sentiu aliviada por estarmos no fim da viagem e com o dinheiro mais contadinho hahahaha)

Nota: A mente prega umas peças na gente... Quando olho de fora uma montanha russa nova, sempre tenho medo. Depois de experimentar, vejo que o medo era apenas a mente pregando peças. Quando cheguei à torre e tive que pisar no quadrado transparente com vista para o chão, minhas pernas tremeram muito! Tive que me "aclimatar"! E essa sensação estranha, me fez temer o salto da torre. Até que desci e olhei a queda de baixo para cima! Não era nada daquilo que minha mente estava dizendo! Molezinha! 4 segundos de queda livre! E uma altura infinitamente menor que a sensação que tive olhando de cima para baixo. Botei o medo no bolso e fui ver o valor do salto... Proibitivo àquela "altura" da viagem! 

Mas acho mais legal e dramático fazer bungee jump da ponte da cidade! Dali, fomos fazer comprinhas na Queen Victoria Street, o centrinho comercial. Não comprei nada de especial, além das lembrancinhas. Nesse sentido, Sidney é bem mais atrativa.



Nova Zelândia - parte 2 (A cultura Maori)


A cultura Maori é outra coisa linda de se ver e se viver na NZ. Gostei de perceber o cuidado e o carinho com que o povo "kiwi" trata esse pedaço de sua origem - mantendo lendas, artes e tradições orais vivas . Encontrei muitas informações nos museus que visitamos. A arte deles em madeira é algo de tirar o fôlego e as tatuagens no corpo (principalmente nas mãos, rosto e pescoço) são uma tradição milenar, que demostra status



Também fomos levadas, claro, a uma apresentação típica da cultura Maori. Um pouco da demonstração folclórica da cultura "para turista ver", digamos dessa forma, mas que vale o preço. Foi uma one-day-tour para um local chamado Te Puia, se não me falha a memória! No local, comemos a comida deles, da forma como ela é tradicionalmente preparada: frango e alguns tipos de tubérculos cozidos em um vapor (achei sem tempero e sem sal. Curti realmente apenas a espécie de batata-doce). Quem não se atreveu a experimentar, ficou no pão com coca-cola, que não falta em lugar algum! (hehehe). Nesse espaço, também tinha os famosos gêiseres explodindo naturalmente de tempos em tempos em uma paisagem que se assemelha ao que a gente imagina ser a lua. (Quem leu o primeiro relato, vai ver que fui numa época de chuva e nem isso a gente pode desfrutar plenamente).

Amei cada pedacinho das apresentações que participei. Danças, ritos, vestimentas, aquelas caretas típicas com a língua para fora, jogos, desafios e até um convite para que os homens da plateia participassem de uma das danças... Tudo cercado de um grande respeito, animação e doçura! As moças Maori eram bem gorduchas e esse fato é plenamente celebrado/respeitado. Opa! (nunca estive tão acima do peso, quanto nessa viagem. Na volta, descobri um problema de tireoide!).


Em um museu, lembro de ter olhado fixamente para um mapa que mostrava uma espécie e carta náutica da região (sabe a Polinésia? É por ai...). Fiquei impressionado em perceber como aquelas homens e mulheres, nativos, em embarcações rudimentares de madeira, cruzaram tamanhos oceanos para se fixar numa região como aquela... São mesmo bravos guerreiros!


Os Maori administram certas regiões, como as cavernas de Waitomo, uma das mais belas atrações turísticas da Ilha Norte. Lembro bem da sensação que tive ao passear por aquela região em meio a uma densa floresta. Ali sim, senti o clima de “Senhor dos Anéis”, que todo mundo ficava me perguntando quando contava que havia visitado a NZ. Só ali, porque Auckland é totalmente moderna – mesmo com as casinhas lindas com jardim na frente e sem portão. Infelizmente não encontrei elfos, anões ou orcs para registrar e mostrar para vocês! 

Bem, antes de entrar nas cavernas, um representante Maori conta um pouco da história do local, fala sobre conservacionismo, dá instrução ao turista para não tocar em nada (comer ou beber ou fotografar). Claro! Afinal, acredita-se que esse lugar tenha mais de dois milhões de anos! Lá dentro é bem mais frio e bastante escuro. Mas nada exagerado, você fica bem dentro de um agasalho normal. Percorremos labirintos com muitas escadas. Outra vez, nada de tão complicado assim. Mamãe tinha uns 75 anos, acho, e percorreu tudo com fôlego de menina.  

No meio do trajeto chegamos a um espaço amplo, alto e que diziam ter uma acústica espetacular. O guia pediu para que cantássemos uma canção, que ecoaria por todo o lugar. Nosso grupo escolheu um hino cristão chamado “Ao único que é digno”. Todo mundo cantando a doce melodia, que se nos circundou e nos envolveu de forma emocionante. E segue a caminhada em direção a um recuo. Todo mundo apertadinho naquela espécie de buraco negro. O guia apagou todas as luzes e no breu total, pudemos ver as larvas luminosas. Sim! A natureza nos encantando com bichinhos tão minúsculos que tem seu brilho próprio.


Tudo fica ainda mais mágico, quando nos levam para um barco e em silêncio absoluto, atravessamos uma série de cavernas em cujo teto habitam milhares dessas larvas. É algo extraordinário! Céu estrelado total e uma reverência profunda devido ao silêncio apenas quebrada pelo barulho da água corrente. Agradeci a Deus por estar ali e confesso que aquela será uma cena de viagem inesquecível! Kia Ora! (palavra maori que deseja coisas boas/saúde para a outra pessoa).    

Nova Zelândia - parte 3 (enjoo)

Como vocês puderam notar nas partes 1 e 2 do relato, minha Mãe e eu conhecemos apenas uma parte da Ilha Norte da Nova Zelândia, nos concentrando em Auckland como base. Um dos dias do passeio teve como destino a parte sul da região. O intenção era um passeio de barco. Chovia! E lembro de ter pensado 10 vezes (sem juros), se deveria ir ou ficar no hotel. ODEIO barcos, porque realmente passo mal. E, veja bem, c-h-o-v-i-a! Mamãe sempre me convence a acompanhá-la, dizendo que posso estar perdendo algo especial. E sempre dou ouvidos, porque quase perdi a maravilha das ilhas gregas em função dessa minha, er, disfunção em relação ao objeto que desliza sobre as águas.

Nota: As pessoas ficam me pichando quando volto mais cedo para o hotel ou decido ficar por ali durante um dia de viagem. "Vai dormir em dólar?", é a frase que mais escuto. Veja bem... 1) Se não durmo, não presto para o dia seguinte. Se não presto, não aproveito devidamente o que me é oferecido. 2) Se é por causa do investimento, ora bolas, eu estou pagando o hotel em dólar, porque não posso desfrutar de suas mordomias também? Daniel nunca nos deixa em lugares ruins! 3) E quem disse que quando fico no hotel, eu apenas durmo? Tsc, tsc, tsc... (Cumpadre Washington diria: "sabe de nada, inocente!").     

Voltando à história do barco... Fiquei pior ao saber, já dentro do ônibus, que o doutor gatão, que nos acompanhava desde Sidney, também declinou do passeio e estava a procura de atividades radicais para realizar! Tipo: a minha cara! Mas não... Lá fui eu "ver" qual era a do barco... Se foi bom, eu não vi! Já na estrada, cheia de curvas, comecei a enjoar. Dramin 1 para dentro. No porto, enjoo mode one. Dramin 2 para dentro. O segundo enjoo pode até ter sido um sintoma psicológico, porque meu ser não foi feito para barcos MESMO (acho que hoje em dia, ficaria mal até em pedalinho...)

A segunda dose foi "letal". Cataploft! Antes de embarcar, já estava dormindo, atracada nos braços de Morfeu! Jogada no banquinho de espera que tinha no porto. Macio e fofinho, estava mesmo me convidando à soneca! Entrei na embarcação tipo conduzida e me jogaram por ali... Fui momentaneamente importunada pelos flashes da minha mãe registrando o meu estado vexatório, deitada em umas quatro cadeiras acolchoadas (como vocês podem avaliar na foto abaixo. Aqui, eu não mostro apenas o glamour! Viagem boa é quando até os imprevistos viram histórias para a gente rir depois)... 

E o que parecia a derrota total, foi minha salvação! O bagulho balançava TANTO, que GERAL passou mal. O tempo estava péssimo, não deu para ver morsa, pinguim, golfinho, baleia ou sei lá qual espécie exótica eles prometem nos mostrar pelo caminho! Saí do barco meio acordando, mas ótima! Minhas companheiras estavam cor de papel! Bingo! HA!


A região parece muito bonita, ideal para um clima de verão... Mas estava chovendo e frio, o que tornou a ida completamente desnecessária (Grrrrr). Fiquei com aquela sensação chata de estar perdendo algo, sabe? Perdi o que imagino ser a badalação de verão daquela área. 

Nota: não nesse lugar, mas na praia que conhecemos depois (ou antes), vi surfistas brasileiros chegando. As pessoas do grupo completamente encapotadas e aqueles gatos de macacão ressalta-tanquinho, sabe? Apenas isto no corpo e dispostos a se jogar no mar congelante... Cada um com sua paixão, não é mesmo!? (a praia foi essa abaixo, onde vimos um leão marinho tão de pertinho. Ou foi uma foca? Foca! Era uma foquinha graciosa, que se exibiu nadando pra gente!)...





Nova Zelândia - fim (keep in mind!)


Nota 1: Além dos britânicos conquistadores, dos muito brasileiros (mas nem tantos assim) e dos Maori, percebi a presença gigantesca de orientais. Quem viaja sabe que eles estão por toda parte do mundo. Mas ali era especial. Depois, fiquei sabendo que praticamente TODA a frota de carros é importada do Japão e que quase todos os carros que chegam, são de segunda linha, vamos colocar assim. Não há fábricas nas ilhas. Fecha a nota com duas questões orientais, uma nada a ver com a outra. Hehehehe

Nota 2: A riqueza da Nova Zelândia é a madeira e o leite (e derivados). O povo aprende desde cedo a dar valor à sustentabilidade. Não é permitido entrar com nenhum alimento, pois como vivem da agricultura, receiam as pragas.Tem um tamanho grande, mas tratam-se de duas ilhas em um país, portanto, recursos são escassos. (Para você ter uma ideia, a área total da NZ não chega a ser do tamanho de Fortaleza, mas possui canyons, cavernas, vulcões, geleiras e uma diversidade incrível e única no mundo). Ié, ié!


Nota 3: Os nativos também aprendem e são incentivados publicamente a praticar esportes desde muito cedo. Vi muitos corredores pelos acostamentos das estradas – em locais separados para os praticantes. São feras com os barcos! A ponto de quase toda família ter um barco ancorado em espécies de garagens comunitárias nos portos (na foto acima você tem um exemplo. Olhe fixamente e verás os mastros dos barcos)

(Nota pessoal na Nota 3: no começo da minha carreira eu conheci um neozelandês. A revista simplesmente me mandou entrevistar o maior velejador do mundo na ocasião: Peter Blake - recordista mundial em regatas de volta ao mundo e bicampeão da America’s Cup, a regata mais importante do planeta. Pouquíssimo tempo depois (dias até), ele foi assassinado dentro do seu barco no Amapá, porque reagiu a um assalto. Agora vejam vocês... No país dele não tem assalto! Há sim, pequenos roubos à residência, talvez, mas dessa maneira, não há!).  

Nota 4: Apesar das estradas serem boas e com pouco tráfego, é preciso ter cuidado extra com a "mão inglesa"! Guia-se à esquerda e os carros têm o volante do lado direito. Fiquei confusa um monte de vezes, é claro! Tinha que olhar 30 vezes para cada lado, antes de atravessar a rua com a Mãezoca! hehehehe (Ela achou legal esse fato. E gostou ainda mais do John, nosso motorista, porque ele parecia o "Papai Noel"! hahahahahaha Pediu para tirar foto com ele, vou ver se encontro o resultado!).  


Nota 5: Eu chamava os locais de kiwi, foneticamente correto, mas a grafia correta é “quivi”. Essa maneira curiosa de designar os neozelandeses veio de uma ave – não menos curiosa – local, símbolo do país! Mas também é o nome da fruta! Portanto, sabendo falar kiwi e kia ora, você resolve boa parte de seus problemas! Para o resto, você usa as habilidades aprendidas nas brincadeira de mímica da infância. Isto é, caso não fale o inglês! (usei essas habilidades na Suíça, quando visitava a parte alemã e a caixa da loja não falava nem the book is on the table! Ainda assim, fiz minhas compras e recebi o troco da maneira que desejava: parte em euro e parte em francos suíços).  
Nota 6: A NZ foi o primeiro país do mundo a permitir o voto feminino e o casamento entre homossexuais. A tolerância religiosa é total, todas coexistem em paz. Politico, eleito para um cargo público (afinal) apenas presta serviço à comunidade, não é remunerado. Oi, oi, oi! Dança kuduro!

Nota 7: É um lugar de muita gente jovem. Um país que está ainda aberto à imigração. Um lugar caro, claro, devido à falta de recursos próprios. Assim sendo, ir para lá com o tal "sonho americano" de fazer uma grana e voltar bem na fita não é a melhor escolha. Tenho para mim que, apesar de ter terremoto, as pessoas escolhem ir viver na Nova Zelândia com a expectativa de “ganhar” felicidade.

Nota 8: Quando novinha, gostava de citar "que a Nova Zelândia fica sob o maior buraco da camada de ozônio. E por quê isso? Por causa do metano fabricado pelo em especial pelo peido das ovelhas!" hahahahaha A criação de ovelhas é gigante e eu adorei ficar olhando as bichinhas pastando pelo vidro da janela do ônibus durante o caminho. 

Ai você vai para lá e conhece as "ovelindas"... E morre de amor por elas, a ponto até de querer peidar junto! Hahahahaha Vi as peludinhas e as tosquiadas, que ganhavam casaquinhos para se proteger do frio! É muito amor Brasil! Virou um símbolo da Nova Zelândia também! Trouxe duas para mim!!!! De pelúcia, claro!

Olha ai o John! Motorista "Papai Noel" que minha mãe ficou fã!

  


Nada como o remédio certo para cada dor. 
Uma semana inteira semi-morta devido a uma tosse que me roubava as noites, a energia para o dia, a calma. Não estava me parecendo motivo suficiente. Esperava por uma reação natural, quando a doença se mostrava uma manifestação tão antinatural. Atípica. Kriptonita.    
Cansada, amolada, amuada e sem ar (velha pigarrenta mesmo), me rendi ao óbvio e procurei o hospital -- tem horas que me sinto idiota por esperar ser caso de emergência para me mexer -- mas é trauminha de uma vida de internações, injeções e pílulas que davam dor de estômago com meu pai e por minha causa também.
Enfim, uma única consulta com o 'doutô' e findam-se os incômodos. Plim! 
Pena que ainda não fizeram um remédio 'plim!' para as questões da alma. Para esses transtornos, as vezes, nem o doutô resolve...

14.4.14

Lá vamos nós!

Demorou um pouquinho, como todas as coisas que eu não gosto muito de fazer, mas preciso. No entanto, levei menos tempo do que imaginava gastar. E, surpresa TOTAL, consegui ser resumida no ato de fazer as malas! 

Sim, meu povo! Lá vou eu outra vez com destino ao aeroporto. Desde que inventaram as milhas e a casa dos amigos, nenhum lugar mais me pareceu assim tão impossível. Esse, no entando, é repeteco, tripeteco... Mommy vai comigo, o que me renderá bons relatos. Aos 78 anos, ela me disse que fazia questão de andar de Montanha Russa - pela perimeira vez. Faltam poucas horas para o embarque e ela ainda não amarelou. Oremos!

Chove muito no Rio de Janeiro. Lá também chove, a diferença é que está frio. O que me deixa ainda mais orgulhosa da mala petit. De pouco adiantou dessa vez, porque botei a mala média dentro da grande e vou despachar assim. Não há a menor possibilidade de eu comprar uma mala nova para trazer cacareco, caso eu resolva comprar algo. O que é totalmente possível. 

Assim que eu chegar ao quarto do hotel, posto uma foto. Vai ser extremamente fácil adivinhar onde estarei! Para os que ficam, meu beijo e gratidão eterna pela visita. A madrugada será minha estrada! 3... 2... 1... Sim, ainda estou nervosa! Beijo!  

13.4.14

frase






"Conhecimento se adquire, 
inteligência se desenvolve, 
mas sabedoria não é coisa 
que se compre ali na esquina" 
(Bia Amorim)





As não escolhas e o imponderável: a arte de ter sopro de vida



É claro que o imponderável sempre está e estará presente nas circunstâncias da vida, mas sempre pensei que a nossa realidade, ou seja, aquilo que estamos vivendo e a maneira como nos sentimos é fruto tanto das nossas escolhas - as certas e as erradas -, quanto fruto em especial daquilo que deixamos de escolher. E por deixar de escolher, reafirmo, não quer dizer as escolhas que por venturam tenham sido feitas erradas. Falo de omissão e insisto na questão de deixar que a "vida", o "acaso" ou as pessoas tomem a decisão por nós em virtude do medo, descaso, abandono, precipitações, dúvidas, desassossegos, preguiça ou qualquer mistério que o valha. 

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Ao fazermos as nossas escolhas, temos que lidar com consequências quase sempre lógicas e um pouco mais previsíveis; fruto de análises frias, estatísticas, sistemas de coordenada espaço-tempo, causa-consequência, lógica, por fim, voltando a ela... Contudo, voltando sempre ao aspecto inicial do texto, que cita o imponderável como raiz - a quem podemos chamar de sorte, acaso e ação de Deus, além, escrito nas estrelas, o grande mistério.

Mas... Ao deixarmos de fazer uma escolha - em função de um sem número de situações já ditas ou por nos agarramos à confiança (besta) de que é mais fácil, simples ou seguro lidar com aquilo que já é conhecido ou sentar no meio do caminho e esperar pelo raio que vai te partir ou indicar uma direção -, na verdade é que evocamos para juntos de nós portas, caminhos, destinos quase insondáveis e que acontecem no paralelo da nossa existência e nos coloca fora do centro da nossa vida, não como autores de sonhos e vontades, mas marionetes de desejos, ações, casos e descasos de terceiros. Tiranismo. 

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Talvez, escolhendo certo ou errado, os dados estão e estarão sempre rolando pela mesa e você é parte integrante do jogo. Ao deixar que os outros escolham por, você é apenas observador da ação, que sofre a consequência, mas não saboreia nenhum tipo de louro ou premiação ao fim do processo... Joguete. Marionete da história escrita no livro de terceiros. Sombra. Quem quer viver de sombra?

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Por ter escolhido (se sim ou se não à uma das questões que movem à existência), abraçamos as consequências conhecidas, mas podemos viver expectativas diferentes das emoções investidas. E temos sangue nas veias, sopro nas narinas, inteligência emocional e racional para isso, oras! E por não ter que escolher ou não querer ou não ousar, (você) eu acabo me esvaziando de mim mesma... Até que um dia não sobra mais nada. Nem a sombra, que também se esvai.

Quem quer ser apenas um fiapo daquilo que já foi? Deixar de escolher é algo que se move no plano racional? Quem tem tempo de pensar para dentro de si, se o que nos exige e consome do lado de fora é muito maior que nossa capacidade de auto-análise? Se não há tempo para si, talvez não exista muito mais vida nas veias. Se ainda dá tempo, talvez ainda tenhamos o sonho para nos lembrar. POr que quem não tem tempo de pensar em si e precisa, acaba acordado, mexido, sacolejado pelo subconsciente. Que grita. 

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Como definir algo metafísico? 
E ainda destituindo o imponderável desse sistema? 

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“Expecting the world to treat you fairly
because you are a good person
is a little like expecting the bull not to attack you
because you are a vegetarian.”
Dennis Whole

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É nessas horas que me questiono sobre plantar o que semeei e colher o que plantei. E ainda ter que lidar com o que não escolhi e o imponderável... Viver é um mistério, mas ainda prefiro tentar ser o ator principal do script da minha vida e me divertir durante o espetáculo e deixar que a plateia seja coadjuvante e Deus, porque a fé é parte indissociável da minha existência, esteja através do imponderável.