22.6.09

Opa

SEGUNDA-FEIRA
SONO
CARA PÁLIDA
CAFÉ
TRABALHO
ESTÚDIO
AMIGOS
FELICIDADE...

Antes de realizar o BibideBicicleta, eu fiz uma espécie de gestação do blog. Durante algum longo tempo eu juntei frases, fatos, fotos e qualquer tipo de escrita que eu achasse interessante e guardava em um documento para ser usado depois. Claro, não fiz isso em nove meses {como uma "real" gravidez blogária} e não tinha a menor certeza à princípio se esse espaço realmente se concretizaria. Só sei que ia aprendendo novas informações.

Durante o processo, eu devo ter trocado de computador umas quatro vezes. Não tenham dúvidas de que eu salvava os documentos; mas também abria um "novo" em cada PC que eu passava a usar. Muita coisa ficou espalhada {perdida}. Vez ou outra acontece um encontro e isso me deixa radiante. Fico tentando imaginar o que eu pensava na época para guardar aquela foto ou trecho ou piada... Que significado aquilo teve e qual ele tem hoje para mim.

A única resposta plausível é: affe! Não parei para pensar nisso ainda. BUT... Encontrei um documento com frases que fui guardando ao longo do tempo e me reapaixonei por Oscar Wilde. O cara amava a escrita e as formas de expressão artísticas através do fluir dos sentimentos no papel assim como eu amo. A diferença é que ele foi gênio. Eu sou apenas uma tentativa de aprendiz. Ele era considerado extravagante. Talvez hoje não passasse de um... Artista. Dos grandes, mas sem causar espanto na sociedade por seus atos além do papel. Porque suas letras combinadas são de arrepiar quem quer que tenha sensibilidade.

Frases de Oscar Wilde:

"O apaixonado começa enganando a si mesmo e acaba enganando aos outros. É a isto que o mundo dá o nome de romantismo."

"Viver é a coisa mais rara no mundo. Muitas pessoas existem, só isto."

"O mistério do amor é maior que o mistério da morte."

"As piores coisas sempre são feitas com as melhores intenções."

"A música cria para nós um passado que ignorávamos e desperta em nós tristezas que tinham sido dissimuladas às nossas lágrimas."

"Lamentar as experiências vividas é uma forma de impedir o próprio desenvolvimento."

"Uma idéia que não é perigosa não merece nem mesmo ser chamada de idéia."

"O homem pode suportar as desgraças, elas são acidentais e vêm de fora: o que realmente dói, na vida, é sofrer pelas próprias culpas."

"O egoísmo não consiste em vivermos os nossos desejos, mas sim em exigirmos que os outros vivam da forma como nós gostaríamos. O altruísmo consiste em deixarmos todo o mundo viver do jeito que bem quiser."

"O homem culto é aquele que sabe encontrar um significado bonito para as coisas bonitas. Para ele a esperança é um fato real."

"Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo."

"Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas."

"O mundo foi feito por loucos para que os sábios nele pudessem viver."



"O homem sonha em viver dias felizes, mas não sabe conquistar a felicidade. Nunca o poder conseguiu controlá-la"
- Você é Insubstituível de Augusto Cury

21.6.09

Obrigada querido!

Produção e foto: Suspiro

Não existe bem mais precioso nessa vida que um amigo. Em tempos de tanto individualismo medíocre e falta de sensibilidade com tudo o que está à volta, ter alguém que se preocupa com você de verdade é um presente fino, raro e caríssimo – mas caro no sentido de que não há dinheiro nesse mundo que compre, pague, avalie.

Eu me considero muito afortunada! Ao longo da vida – que está apenas na primeira etapa muito provavelmente – Deus me concedeu a honra e o privilégio de ter amigos de todos os tipos, tempos e intensidade. Sim, porque acredito que existam pessoas que passam pela sua vida num tempo determinado e se tornam imprescindíveis no elenco das histórias afetivas.

Ontem ganhei um presente muito especial. Um desses amigos, o Wall, escreveu um depoimento para mim. A gente realmente não consegue avaliar o impacto que a nossa vida tem na vida do outro. Por isso, tento fazer sempre o melhor que posso e dar o melhor que tenho, mesmo que ainda esteja anos luz atrás daquilo que é ideal. Busco paz na minha consciência e amor para o meu coração a fim de ter uma vida tranquila e feliz para mim e para os meus - que são tantos, mas nem todos.

Pois bem. Wall, que é leitor escondidinho/quietinho do BibideBicicleta, já expressou o seu amor por mim de várias maneiras. Já rimos, já choramos, já viajamos, já comemos e bebemos, já viajamos, ele já me defendeu aqui no blog e pessoalmente, já cantamos, já o fotografei, ele já quebrou galho escrevendo vários editoriais para um informativo que eu tocava... Amizade que pulsa nas veias. E ontem, repito, ele escreveu uma das coisas mais lindas que já disseram em público sobre mim. E como acredito que amor é para ser compartilhado, desejo a todos que amem muito, amem firme, com pulso, com intensidade, com amor fraterno, interno, amor certo, doador, amor Amor...

Bibi,
Resolvi escrever um depoimento pra você.
Agora confesso: Não sei como começar... rs

Irei registrar pequenas demonstrações do grande carinho que sinto por você; não com palavras ensaiadas, mas com as que vierem do coração.

Você é linda por dentro e por fora.
Uma pessoa meiga e extrovertida.
Com o seu caloroso abraço e sua encantadora doçura, sinto-me privilegiado em ser seu amigo!
Admiro muito sua firme, inteligente e inabalável FÉ em Deus.
Com atitudes simples, você consegue contagiar os que estão próximos de sua presença (e até os distantes também).

Resumindo: Você é mais que uma irmã, amiga...
Você é um anjo que Deus liberou
das alturas pra abençoar as vidas aqui na Terra.
Te amo. Isso basta.
Quem ama, alimenta a alma!

Obrigado por deixar eu ser seu amigo!

Rogo a Deus por você.

Bjs e mais bjs!

Wall


Ao ler isso pela primeira vez, fiquei sem chão e sem palavras. Só deixei que as lágrimas molhassem o meu rosto, porque o coração estava muito aquecido, precisava extravasar. Wall merece ser muito honrado por mim, com o melhor que há em mim. Hoje e sempre. Não só pelas belas palavras ou pelo abraço gostoso que ele me oferta dominicalmente na igreja. Wall me protege. Voltávamos de São Paulo no mesmo carro. Ele deixou que eu viajasse em uma janela e uma criança na outra. Deitou a criança em seu colo e me puxou para recostar sobre seus ombros. Enquanto eu dormia, ele, mesmo desconfortável, velou o meu sono. Acordei amparada por esse cavalheiro. Único, nobre e a quem tenho a honra de chamar de amigo. E a quem vou ter nas minhas memórias afetivas para sempre.

Agora, lendo pela enésima vez esse texto belíssimo, sinto que nada mudou em relação à verdade da emoção e à sinceridade dos sentidos. E concluo:
EU NÃO PRECISO DE NADA QUE O AMOR NÃO TRAGA.
Obrigada querido!

Uncle Cracker

(Roubei emprestado a boca da Didi)

Durante uns seis meses eu trabalhei em um lugar que toda a manhã tocava essa música. Essa que vou falar e algumas outras. E, ineditamente, ao invés de me fazer pegar pavor dela, pelo contrário, toda vez que escuto me vem uma coisa tão gostosa na alma... Uma vontade de sair dançando em pensamentos de mãos dadas com a alegria.

Eu me lembrei dela, porque ontem passei no Twitter e li uma frase: “quero seguir alguém”; a qual respondi: “follow me”. Pum! Em um estalo essa música maravilhosa do Uncle Cracker tomou o meu ser. Resolvi postar os trechos e a tradução logo abaixo:

You don't know how you met me
You don't know why,
You can't turn around and say good-bye
All you know is when I'm with you I make you free
And swim through your veins like a fish in the sea
I'm singing

(Você não sabe como você me conheceu
Você não sabe por que,
Não pode me dar às costas e dizer adeus
Tudo o que sabemos é que quando estou com você eu te faço livre
E nado por suas veias como um peixe no mar
Estou cantando)

Follow me, and
Everything is alright
I'll be the one to tuck you in at night
And if you want to leave
I can guarantee
You won't find nobody else like me

(Siga-me que tudo está bem
Eu vou ser o alguém que vai aconchegá-lo à noite
E se você quiser ir embora
Posso garantir
Que não vai encontrar ninguém mais como eu)

Inside Me


Comecei a ler um novo livro: "Você É Insubstituível".
Ganhei da minha Mãe e, por isso, ele passou na frente da pilha de autores que me esperam há anos.
Cada página é formada de um pequeno texto reflexivo.
O que o torna de fácil manuseio e de doce "degustação".
O trecho de hoje me capturou.
E, como não podia deixar de ser, vou dividir com vocês:

"Ao aprender a amar, o homem derramará lágrimas não de tristeza, mas de alegria. Chorará não pelas guerras nem pelas injustiças, mas porque compreendeu que procurou a felicidade em todo o universo e não a encontrou. Perceberá que Deus a escondeu no único lugar em que ele não pensou em procurá-la: dentro de si mesmo".
A noite foi gloriosa.
Mas existe uma pequena tirana dentro de mim que vai dormir chateada.
Não porque algo tenha acontecido para me tirar do sério.
Mas porque algo não vai acontecer.
Não por culpa minha, nem por culpa de ninguém.
Coisas da vida.
Coisas da vida andam me aborrecendo.
As pequenas, não as grandes.
Os grandes obstáculos eu nem tomo conhecimento.
Ao invés de escalá-los e saltá-los, eu sempre dou a volta.
Tranquilamente.
As pequenas pedrinhas me machucam o sapato.
E eu amo a caminhada, não posso parar.
Queria caminhar por jardim, para só colher flores.
Até nos jardins eu encontro espinhos.
Meu Jardineiro é fiel e tem as melhores luvas.
Na realidade, ele tem as flores certas.
Só as certas.
Me aventuro por esse caminho de pedras e jardins.
Sinto falta das canções.
Principalmente das marchinhas de carnaval...

20.6.09

LETRAS & RIMAS

COMEÇEI UMA NOVA SÉRIE.

ATENÇÃO: ESSA É A PARTE DOIS.

LEIA PRIMEIRO O TEXTO DO POST ABAIXO.

HISTÓRIAS DE BIA AMORIM, VERSOS DE JOSÉ LUIS LACERDA.

COM VOCÊS: LETRAS & RIMAS...

No dia seguinte, o frio parecia ainda maior. Uma chuva fininha e cortante castigava a pele de quem tinha que estar na rua àquela hora. Capas e guarda-chuvas pareciam inúteis diante do vento. E lá estava ela: a cafeteria. Um chá quentinho àquela hora era tudo o que Juliana precisava.


Molhada do chuvisco e com o guarda-chuva pingando, ela entrou voluntariosamente na cafeteria. Olhando para o chão, deixou a sombrinha na lata que ficava estrategicamente na lateral da casa e lentamente ergueu os olhos até o balcão. Estava em busca de algo quente para beber. Deu de cara com Gustavo Autran, o seu querido poeta, que já estava sentado na mesma cadeira do dia anterior. Juliana respirou fundo para tentar conter certo desconforto, causado por um instantâneo nervosismo que resolveu dominar o seu corpo. Ele estava incrível. Um sobretudo escuro que o protegia da chuva ocupava a cadeira a seu lado. Usava outra vez uma camisa de botão, mas por cima dela trajava um blazer de lã, que parecia confortável e propício ao dia frio. Fechou os olhos ao se imaginar protegida por aquele abraço quente. Seus lábios estavam gelados, assim como suas mãos.


Depois de se livrar do casacão que a protegia da chuva, Juliana se encaminhou para a mesma mesa que houvera sentado no dia anterior: estava ocupada. Sua hesitação foi clara. O corpo falava o que os olhos tentavam esconder apontados para baixo. “Que sensação mais esquisita? Por que estou me comportando dessa forma?”, pensou no momento imediato em que, intempestivamente, decidiu se dirigir até o balcão e acabar com aquele faniquito. Ela havia entrado ali para tomar uma bebida quente e ia cumprir a sua missão. De quebra, deixar claro que a ousadia daquele quase estranho no dia anterior não a tinha impressionado o suficiente.


A cafeteria estava cheia. Culpa da chuva e do frio. Juliana se aproximou do balcão e Gustavo abriu o espaço do casaco para que a moça pudesse sentar. Ela não sorriu. Apenas deu uma leve meneada na cabeça, mostrando gratidão. “Um chá de mação com canela, por favor?”, pediu à funcionária, que se mostrava extremamente desorientada com tantos pedidos. “Dois!”, acrescentou ele. Juliana não o fitou, mas seguiu o movimento de suas mãos e pensou em como pareciam finas e macias, mãos de escritor. Foi quando se lembrou que trazia os cabelos presos por uma caneta - "Ui, mania horrível" - e os soltou displicentemente, deixando-os cair levemente úmidos por seus ombros.


Depois de pedir o chá, Gustavo passou a olhar a menina do verso ao seu lado. Se por um lado ela mostrava a confiança das mulheres impetuosas; por outro, conservava o jeitinho tímido de menina que ainda precisa de proteção. Estava encantado. “Quem é ela? O que faz da vida? Principalmente o que quer e espera da vida? Teria gostado da sua poesia? Teria apreciado a sua ousadia motivada por um encantamento incomum?”, pensou. Sorriu quando a viu balançar os cabelos, enquanto tirava uma caneta da cabeça. Mulheres e seus pequenos truques...


Tomou o último gole de café da xícara que havia pedido anteriormente e trouxe aquele mesmo caderninho do dia anterior para junto de seu corpo. Ignorou a presença de Juliana e de qualquer outra pessoa que estava à volta e pôs-se a escrever. Muito mais que a sua vida, essa era a sua mágica. Intrigada com o descaso, Juliana continuou a esperar a chegada de seu chá lançando olhares eventuais e furtivos. “Gostou?”, perguntou Gustavo sem tirar os olhos do papel. Como brigar com alguém que não faz contato visual? “Da poesia?...”. “Não!”, interrompeu ele, “Do livro?”. Levemente desconcertada, Juliana resolveu deixar a conversa rolar. Frente a um homem que domina as palavras, a imprevisibilidade é a temática de qualquer conversa. Era melhor relaxar e ver até onde poderia sustentar sua opinião. No fundo, ela sabia se tratar de um cara interessante. Já havia lido, pelo menos, dois livros de sua autoria. Um homem que se derrama em palavras é de uma sensibilidade desconcertante. Pra que duelar? E tinha uma boca... Os chás fumegantes chegaram .


- Ainda gosto.

- Ainda gosta?

- Ainda o leio.

- Eu também te leio.

- Hum?

- Ontem você parecia estar no fim do livro.

- Hoje termino.

- Imaginei que sim.

- Como assim?

- Imaginei que você teria terminado a leitura hoje.

- Interessante te ler.

- Trouxe outro livro. Toma, esse é para você.

- Não prec...


Ele tapou seus lábios com o indicador e não deixou que terminasse a frase. Dentro do livro, uma rosa marcava uma página em especial, onde estava escondido um bilhete e uma poesia. O bilhete era o telefone dele e um convite para jantar na noite seguinte. A poesia, feita na hora, falava do tal abraço quentinho que ela – mesmo que por segundos - sonhara em ganhar:


Meu abraço
É um manto
Que te guarda do frio
Que te dá conforto
Te causa arrepio
Te arde o corpo
E te abranda o cio
Meu abraço
É o espaço
Que preenche o teu vazio
É o pedaço claro
Do teu mundo sombrio
Meu abraço
É o quintal que te cerca
Nas tuas aventuras
É o sinal que mede
Tuas loucuras
Meu abraço
Te acalenta
Quando a noite desce
Te protege do sol
Quando o dia amanhece
Te traz calor em pleno inverno
E de tão terno
Chega a te fazer chorar
Meu abraço existe
Só pra te apertar


19.6.09

Letras e Rimas

ESTOU COMEÇANDO UMA NOVA SÉRIE.

NÃO SEI ONDE VAI DAR.

SE MUITOS OU POUCOS TEXTOS, SÓ O FUTURO DIRÁ.

HISTÓRIAS DE BIA AMORIM, VERSOS DE JOSÉ LUIS LACERDA.

COM VOCÊS: LETRAS & RIMAS...



A tarde era fria e embora o sol brilhasse, não amainava o vento cortante que parecia atravessar as finíssimas tramas dos casacos. Do lado de dentro da cafeteria ela lia um livro, absorta, sem se importar com o mundo lá fora. Ao seu redor, a única sinfonia era a da máquina de expresso a todo vapor e das xicrinhas sendo tiradas do lavatório de água fervente. Atrás do balcão, uma única funcionária fazia a vigília de utensílios e clientes. Entre mesas e cadeiras, tudo era paz.


A porta de entrada se abriu de forma discreta. Um homem entra e vai direto ao balcão. Ela não tira seus olhos das letras do livro, que a transportam para um mundo totalmente à parte. Devora frases e um pão de queijo com café expresso. Ele, antes de fazer o seu pedido, lança uma piada para funcionária atrás do balcão. E ri sozinho do embaraço da servente. Nessa hora, a moça dos livros levanta o olhar, sem mexer a cabeça. Observa a cena por meros segundos. E volta à sua leitura, tentando reencontrar a concentração momentaneamente abalada.


Sentado no balcão, o homem pede uma média de café. A funcionária oferece café com leite. O homem avisa: “mas não é café com leite e sim uma xícara média de café simples e puro”. A funcionária sorri gentilmente e vai preparar a bebida. A moça dos livros ri timidamente, achando graça do que acabara de ouvir. “Como alguém pode pedir uma média de café puro? Sempre ouvi dizer que média é sinônimo de café com leite”, pensa entre risinhos. Ela ergue a cabeça na direção dele, que já a observa desde o fim do pedido. É um homem mais velho, de traços bem marcados, vestido com uma bela camisa de botões, agasalho de lã despojado e tem a barba por fazer. Traz em uma das mãos a carteira de couro marrom e a chave do carro. Na outra, um caderno e uma caneta. Seus olhares se cruzam por alguns segundos. Ele sustenta o olhar. Ela arqueia uma das sobrancelhas, desafiadora; mas volta-se correndo às letras do livro, evitando um maior contato visual. Já era tarde. Ela pensa que gostou bastante do que viu.


Alguns segundos depois, ela arrisca nova olhadela. Vê que o sujeito bonitão ainda está à espera do seu café, mas escreve alguma coisa naquele caderninho freneticamente. Ela, curiosa, tenta imaginar o que poderia ser; porque a expressão dele é de êxtase e concentração. Ele só desperta daquele transe, quando chega a sua média de café puro. Dá um grande gole na bebida quente e olha para aquela mocinha, que já não sabe se presta atenção nos versos ou se observa o desenrolar dos fatos à sua volta. Quem era ele? Por que escrevia olhando para ela?


Ele toma mais um longo gole de café. Semicerra seus olhos na direção da moça; eleva uma das mãos aos lábios, pensativo, e volta a escrever. Ela acha aquilo tudo muito estranho, mas se sente atraída por aquele homem e seus olhares curiosos. Volta ao livro e dali só sai quando percebe que ele jaz bem ao seu lado. Ele deixa sobre a mesa dela um papel dobrado, escrito de próprio punho, e um mini sonho. Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, ele dá uma piscadela, vira-se e sai firmemente em direção à porta da rua. Sem dizer uma palavra. Ela o observa afastar-se. Abre o papel e vê que tem uma poesia escrita em tinta preta. O livro que ela lê, coincidentemente, também é de poesias. Ao correr os olhos pelo papel, percebe a inacreditável coincidência: ela acaba de ganhar uma poesia do autor do livro que está lendo! E saboreia o mini sonho, ainda incrédula, enquanto degusta as letras em sua homenagem...



O poeta usa e abusa
Do mar
Do olhar
Da lua
Da mulher
E da sua alma confusa
Da pele nua
Sob a transparência discreta
Da blusa
O poeta é um usurpador
Invade emoções
Rouba segredos
Mistérios
Sensações
As mais profundas
Inunda de versos
E canções
Os cantos mais vazios do peito
O poeta é um insatisfeito
Um quase insensato
Um intruso
Tem tantas razões
Pra viver recluso
Mas quase nunca suporta
E por vezes
Perdido entre braços
E bocas febris
Escancara as portas
E aceita sereno
Toda a dor e a saudade
Que já tinham sido mortas
Bebendo gota a gota
Como se fosse veneno
E ainda consegue ser feliz

Canjica


Ontem eu li uma frase que está intimamente ligada ao que penso sentir e ao que sinto pensar:

"A Antropologia é a disciplina dos indisciplinados, daqueles que se recusam a limitar a sua curiosidade" - David Le Breton

Le Breton argumenta que o fenômeno da existência corporal está "incorporado" no nosso contexto social e cultural, ou seja, a linguagem corporal está inserida no canal pelo qual as relações sociais são elaboradas e vivenciadas.

Sou absolutamente fascinada pela linguagem corporal, porque ela é manifesta de uma forma não verbal. Muitas vezes ela é de difícil decodificação, mas em outras tantas ela é tão clara. Ao longo da vida a gente vai naturalmente aprendendo a identificar signos e significado. Uns observam com mais facilidade e matam logo a charada; outros passam a vida um pouco mais atrapalhados em relação à essa percepção. Certas expressões são universais. Outras, no entanto, são de uma sutileza tão grande, que é absolutamente fascinante perceber. Um gift decodificar. Um gol que decide a partida quando acertamos em cheio. O sorriso genuíno, por exemplo, é uma dádiva que surge espontaneamente. E como eu gosto de mostrar as minhas "canjicas"
. hehehe

18.6.09

Como as freiras mais ou menos cantaram no filme Mudança de Hábito/ Sister Act:

As a Matter Of Opinion I Think He's Tops
My opinion Is He's The Cream Of The Crop
As A Matter Of Taste, To Be Exact
He's My Ideal, As A Matter Of Fact

No Muscle Bound Man Could Take My Hand From My Guy (My Guy)
No Handsome Face Could Ever Take The Place Of My Guy (My Guy)
He May Not Be A Movie Star, But When It Comes To Bein' Happy, We Are

There's Not A Man Today Who Could Take Me Away From My Guy

Sing

E a gente canta junto:

Se acaso você chegasse
No meu chatô encontrasse
Aquela mulher que você deixou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já lhe abandonou
Eu falo porque essa dona
Já mora no meu barraco
À beira de um regato
E um bosque em flor
De dia me lava a roupa
De noite me beija a boca
E assim nós vamos vivendo de amor

<<<<<

Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado

Ah, por que você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade

Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado

<<<<<<<

Deixa que o meu samba
Sabe tudo sem você
Não acredito que o meu samba
Só dependa de você
A dor é minha em mim doeu
A culpa é sua o samba é meu
Então não vamos mais brigar
Saudade fez um samba em seu lugar (benzinho)
Saudade fez um samba em seu lugar

17.6.09

Frase

Corpo, Alma, Espírito
Com o corpo desejo
Com a alma sinto
Com o espírito enlevo
(Bia Amorim)

Thanks


planos planos planos planos planos planos

sonho sonho sonho sonho sonho sonho sonho

luto luto luto luto luto luto luto luto luto luto

faço faço faço faço faço faço faço faço faço

OBRIGADA DEUS

E dai?

Foto: Animalux / www.animalux.com.br



É inverno no Rio. Cidade cercada pelo mar, habitantes solares. Basta a temperatura cair um pouquinho e os primeiros sinas de vento gelado tomarem as ruas, a gente começa a ouvir uma sinfonias de espirros e tosses. Obviamente, aqui em casa não foi diferente. Eu fiquei gripada, depois foi à vez de a minha Mãe ter uma leve, depois meu Pai e agora a minha Mommy arriou de vez.


Pegar uma gripe sem curar direito outra é punk, certo? A minha queriduxa está cortando um dobrado para se curar. Hoje ela resolveu fazer inalação. Ficou na saleta da televisão e ligou o fio no banheiro, bem na passagem do corredor. EU VI O FIO MIL VEZES. Numa das passagens, a calça do meu pijama ficou presa no fio e eu levei o MAIOR tombo dos últimos tempos. Não estava esperando cair, porque eu levantei o pé justamente me protegendo do fio. Foi pior. Caí tal qual jaca podre, sem nem me preparar, me esparramando pelo chão. Eu voei, gente! Estava com um telefone nas mãos, a sorte foi que ele caiu no tapete. Eu me esborrachei no piso mesmo. O resultado foi um joelho vermelho e uma asa caída (estou com dor no braço e no ombro, perto do sovaco). Assim mesmo eu levantei, coloquei gelo e fui para a rua resolver as questões práticas e burocráticas da minha nada mole vida.


Esse tombo me deu o que pensar. Claro que a dor não me deixa esquecer o ato ridículo de sair voando pela sala, mas... O pensamento foi além. A palavra é... Medo. Medo?! Sim, isso mesmo. Não é necessariamente o medo de cair, mas o medo da queda. Vou tentar me explicar melhor.


Depois que resolvi tratar de me conhecer melhor, descobri que tinha muitos medos infundados. Fruto de uma alma ansiosa e controladora. Eram tantos, que eu não podia, sequer, nomeá-los. Foi então que eu aprendi que dizendo o nome das coisas, a gente começa a ter controle sobre elas. Batata! O que me causava e me causa medo? Não posso controlar os eventos do mundo, então só posso ter medo do imponderável. Os eventos que realmente provocam medo nas pessoas nos pegam na curva; para todo o mais nós estamos preparados. Caí de mau jeito num fio que eu sabia estar ali, mas por uma fatalidade a minha calça se enroscou e eu fui ao chão. Estou com dor? Sim! Mas na mesma hora eu me levantei, tomei as medidas médicas necessárias e fui agir a vida. O tombo não me paralisou; assim como o medo não deve me paralisar. E daí se as coisas não saírem da maneira que planejo? E daí? Tai uma palavra que tenho que aprender mais a usar: e daí?!


E daí que eu levei um tombo? E daí que tive o meu coração seriamente partido? E daí que meus amigos nem sempre são ou fazem aquilo que eu espero? E daí que o meu quarto está bagunçado? E daí que eu pedi demissão de um emprego estável para correr atrás de um sonho ainda informe? E daí que eu me apaixono pelos tipos mais diferentes de homens, que não os protótipos de príncipe? E daí que alguns sonhos possam não ser realizados, se há tantos mais para a gente sonhar? E daí que não tenho o carro do ano? O emprego dos sonhos? A casa mais linda ou a mais organizada? E daí se meus filhos forem adotivos? E daí que eu me proponha sempre a perdoar as pessoas que me machucam? E daí que eu gosto de abraçar e que eu tenho fé no ser humano? Me diz você: e daí? E daí?

Frase

"Em cada oportunidade que a vida me dá, eu subo um degrau na escada do conhecimento" - Bia Amorim

Poesia

Basta só você chegar
Pra animar a minha canção
componho versos, crio rimas
Deixo falar ao coração
Colho-te rosas do jardim
E te entrego
E me entrego
Te dando beijos sem fim
Onde foi parar o fôlego?
Respiração
Inunda sem fim
Emoção
Quando chego perto
É certo
Que quando ficas perto
Incerto
Cala fundo ao coração
Queres ir para longe
Mas não há longe
Quando se há paixão:
Renda-se
E liberte-se nessa prisão.
(Bia Amorim)

Esse Olhar


Busco, desperto, faço diligência, indago, solicito, peço, promovo encontros. Estou mergulhando em mim a fim de encontrar o sentido que basta. Ou pacifica. Mas nada basta além da liberdade de ser e poder escolher. Você. Você escolhe. Todo dia, toda hora, a cada nova oportunidade há uma opção, uma razão, um renascimento. Estou tentando me entender e te entender. Você, que lê. Estou escrevendo a minha história e deixando-a registrada, na alma, no infinito do instante. Infinito.

Aplico, dentro do possível, o que busquei e processei. Aprendi que viver é um risco constante, mas arriscar-se mesmo é deixar-se morrer. Vivo. Aos poucos. Esvaziar-se de si, aos borbotões. Devemos viver ainda que e apesar de. Devemos deixar sangrar as dificuldades e renascer no refluxo da oportunidade que bate. E ela vem mesmo bater na porta de quem tem vida e arrisca-se a viver... Mesmo quando... Tanto quanto... Além de... Acima de tudo.

Minha angústia chama-se curiosidade. Ela é a raiz de todo entendimento que tento agregar a esse mundo tão imenso que existe dentro de mim. Onde cabem tantos, mas não todos. E cabe a todos quantos escolhi ou fui presenteada pelo suceder de acontecimentos que me foram imputados enquanto eu respirava. E foram aceitos. Aceito o que me é de bom grado. Foi assim com você. Enxerguei antes de ver. Vi antes de saber. Soube assim que encontrei. Encontrei ainda que...

Entender limita e traz responsabilidades. Entendo mecanismos e deixo para que a alma se encarregue de decodificar sentimentos. E os tenho e não posso explicar na ousadia de sentir. Sinto, logo existo. Existo na melhor das realidades: a ótica do amor, que ultrapassa qualquer tipo de barreira. Muitas vezes somos o nosso próprio obstáculo. Parte desse espetáculo chamado vida. Mas eu prefiro a minha vida cheia de aventuras da alma, que com apenas uma grande marca na carne. Ferida que se futuca, sangra. Ferida que se esquece, vira marca da vida. Marcas não sangram, ensinam, dignificam, contam histórias.

Não peço permissão para ser eu. Não preciso de permissão para sentir o que sinto. A minha vida é minha. A decisão está nas mãos de quem arrisca. Ô jogo bom esse jogo da vida. Tenho medo do que é novo e mais ainda de viver o que não posso compreender. Mais medo ainda tenho de não viver e estacionar os meus instantes emocionais em vagas cativas. Eu me entrego ao sabor do que me desperta os instintos mais íntimos. E eles me dizem que vamos ficar bem. Basta querer. Você tem o desejo de ficar bem? Viva! Arrisque-se mais, doe-se mais, sorria mais, abrace mais, seja mais você e menos o que os outros fizeram de você. Torne-se especial a seu modo. Aceite a sua incompreensão diante dos fatos. Conscientize-se que palavras falam e entrelinhas explicam; mas nem sempre justificam. O mundo das letras, assim como o da emoção é tão maior que a nossa concepção. Eu te amo não diz nada, quando nada se quer dizer. Eu te amo pode dizer tudo, sem palavras, na singeleza de um olhar. Não perca esse olhar de vista.

16.6.09

Clarice


Minha força também está em ser gregária. Não sou individualista e me esquivo da solidão não consentida. Alimento-me das experiências de terceiros e assim recarrego as baterias com regularidade. Eu me lanço à aventura de viver. Um pouco mais a cada dia, porque venho procurando me testar e me reconhecer. Sem pretensões. Tenho fome de experiências e sede de sentimentos sãos. Não preciso do outro para respirar, mas gosto de poder prescindir de alguém, para sorrir. Tenho medo de trovão e do amor que se desfaz em lágrimas amargas; não as sem fim – porque tudo até onde se conhece tem um fim. Trago comigo a ousadia de ser espontânea e a coragem de impor os meus limites. Ao próximo e também a mim mesma. Sou translúcida e amo o som do silêncio da noite. Tenho a lua por companheira e as lembranças como cobertor. Faço amor com a memória e me entrego com cautela às grandes paixões. Tenho respeito pelas forças ocultas de sentimentos sabidos. E mais ainda pelos desconhecidos. O amor renova, se renova, me renova, nos transforma todo dia. Somos os iguais diferenciados e nos diferenciando de nossos semelhantes. Somos amantes de um mundo tolo, porque tolo somos em acreditar que sempre será possível. E não é?! É! A isto eu chamo fé: a crença no imponderável. E o amor? O amor é a crença no interior do outro e a certeza de que se vai ganhar sempre. Só perde aquele que se recusa a amar. Perde muito. Perde feio. Retrocede na vida. Tenha fé e ame. Ame ter fé no amor.

15.6.09

Essa foto resume bem o fim da minha segunda-feira.
Espero por um dia glorioso amanhã.
Depende muito de mim, eu diria...

fé no existir


Gosto de pensar que as estrelas estão no céu, seguindo seu curso natural. Gosto de pensar que a minha vida segue seu fluxo na melhor direção que se pode levar.


Quero ter pensamentos positivos e influenciar os que estão à minha volta. Antes de tudo, porém, quero ser a melhor influência a mim mesma para escrever a minha história.


Meu caminho é feito de momentos. Instantes tantos, sorrisos tantos, pessoas e amor. Meu caminho é feito de emoção. Meu caminho é o caminho do coração.


Posso olhar o sol e saber que a Terra segue o seu curso inexorável. Posso olhar o rio e saber que ele fatalmente vai desaguar no mar. Posso olhar para a minha vida e saber que cabe a mim encontrar a alegria de viver.


Sou feita de sonhos e desejos internos. Sou forjada em rocha de salvação. Sou única e penso que Deus existe e que deseja o meu bem. O seu também.


Desejo tanto a sinceridade com a singularidade da singeleza no tratar. Desejo tanto amar e desejar. Sentir, servir, sorrir, existir no instante mais lindo e voltar a vivê-lo em pensamento. O mais caro. O mais puro. O mais raro.


Posso olhar para as flores e saber que elas também cumprem o seu ciclo. E quem não cumpre o seu próprio ciclo também? Ora aos trancos e barrancos; ora cheios de coragem. Eu não quero sossego. Eu quero a felicidade daqueles que me cercam.


Sabe o que eu quero? Eu quero a hora certa e o momento exato; mesmo que eu não saiba onde eles estão. Só sei que estarão lá a me esperar se eu não estiver distraída. Temos responsabilidade com a nossa vida e o tempo que nos resta.


Eu desejo me curar das amarguras, fechar as feridas, me sobrepor ao medo de ser feliz. Felicidade dá trabalho e nem todos estamos dispostos e preparados para ela.


Eu desejo a vida como um copo de água gelado num dia quente de verão. Saborear aos goles e matar a minha sede. Copos coloridos, divertidos, que projetam suas figuras à luz do sol.


Eu sou frágil. Mas quando estou fraca, aí é que sou forte. Eu acredito na glória do existir, mesmo que encare dias em que a glória do existir esteja escondida debaixo do eu cobertor, com medo de sair.


Vivo momentos e faço história. Toda a minha e pedacinhos da dos meus. Eu amo e gostaria de ser amada em retribuição. Eu não estou só, porque estou sempre comigo. Todos temos que nos criar e recriar a realidade.


Quero encarar o futuro com confiança e os percalços com serenidade. Eu quero a verdade e a fé no existir.

Poesia


Um dia eu vestida de saudade
Voltei ao passado para me encontrar
Encontrei lágrimas de dor e alegria de verdade

Um dia eu vestida de desejo
Fui visitar os teus sonhos
Munida de amor, cobri-te de beijos

Um dia eu vestida de prazer
Procurei-me em meu interior
Achei saudade, desejo e amor
(Bia Amorim)

N


Parabéns para ela, que tantos sonhos meus realizou
E que tanta à vida ainda me inspira

amor é o processo


Para quem eu escrevo? Escrevo para o infinito particular. Escrevo para aplacar a intensidade do meu coração e, obviamente, para que vocês me leiam. Certos dias eu escrevo para mim e só me dou conta depois... Calma, parece estranho, mas tem explicação. A inspiração vem e se transforma em um texto. Tempos depois eu me debruço sobre essas mesmas letras juntadas por mim e descubro um novo viés para aquele exato momento de vida.

Um amigo querido elogiou meu post Amor, Verbo em Transição, inspirado num texto de mesmo título que vi numa revista. Ele destacou algumas frases desse trabalho e estas mesmas é que ficaram a martelar o meu pensamento. After. Curioso é que esse foi um texto que comecei a fazer sem pretensão ideológica e sem saber aonde chegar. Foi além das minhas expectativas. Esse era um trabalho-exibição mesmo – confesso, para alguém em especial – mas que acabou se transformando em lição de vida. Para muitos e para mim. Amo as possibilidades da escrita.

“O amor não é a chave que abre as portas para a felicidade suprema, ele é apenas o caminho. O amor é o processo e não o acesso imediato”. Preciso dizer que essa frase se formou na minha cabeça como peças de um quebra-cabeça. Gostei dela plasticamente, sintaticamente, sonoramente... Namorei a frase dentro do contexto depois de impressa e expressa. Ela ainda me provoca, me perturba e me aquece.

O amor verdadeiro sentido e repartido é felicidade suprema. No fundo, acho o ser humano tão aquém na sua capacidade de compreender o valor exato do real sentido que cada palavra exprime ou é capaz de resumir. Somos tão fracos em pesar a intensidade e a densidade das emoções. O amor é apenas o caminho da felicidade e a alegria é o caminho para o amor. O amor é conquistado através de uma série de processos físicos, químicos e biológicos. O amor é construção. O amor é decisão. O amor é participação. O amor é troca.

Não é possível minimizar ou maximizar virtudes. O amor tem caráter pessoal, mas abrangência universal. Não é apenas bilateral, mas se espalha como aroma suave. O amor é atração e repulsão, segundo a capacidade que temos dentro de nós para lidar com essa força imensa. O amor não é imoral e é de sabor distinguível. E ele aumenta à medida que é repartido, desafiando lógicas e teorias. Seria o amor inato? Seria uma disposição mental? Seria ele fonte/parâmetro de todos os outros sentimentos?

O amor é o caminho e a chave. É o processo que nos conduz à vida em amplos sentidos e direções. Não é acesso imediato, porque o amor precisa de tempo para ser formado, tratado, elaborado, amadurecido, encontrado, realizado. O verdadeiro amor lança fora o medo. E como temos medo de amar. E como queremos ser amados. Quem quer perder tempo construindo castelos de areia? Amar é sim um risco, mas um risco calculado, que até quando você perde, você ganha.

14.6.09

Bad

Neve


Essa história já faz tanto tempo, que eu não sei se lembrarei os pormenores do muito que aconteceu. Eu tinha 14 anos e ganhei uma viagem para o Chile e a Argentina. Atravessaria um país para o outro pela Cordilheira dos Andes e os 13 Lagos Andinos. Detalhe: no inverno. Fui com as minhas tias, mas a grande companheira de viagem foi a minha prima-irmã M.

Por que estou lembrando desse fato agora? Bem... Essa madrugada meu amigo Moratelli partiu para mais uma aventura de mochila pelo mundo. Não posso contar o roteiro (ele me pediu segredo), mas posso dizer que uma das intenções da aventura era ver a neve. Ideia gloriosa, porque é uma experiência bem legal. Agradeço a Deus e ao “TiaTrocínio” por ter experimentado tal sensação.

Moratelli partiu essa madrugada. E eu podia estar indo com ele, porque chegamos a planejar um roteiro juntos. Quis o destino que a minha aventura acontecesse num outro tempo, em outro lugar, com outras amigas. Assim mesmo dá uma pontada no coração, porque tanto conhecer novos lugares, quanto revisitar antigas paixões territoriais me faz muito sentido e cala fundo no coração.

Na viagem em que conheci um monte de neve junta, eu era um filhote de Dálmata: alegre, pulante e sem nenhuma percepção de que me tamanho não era mais baby/small. Usei roupas impermeáveis especiais e pratiquei o roteiro tradicional: guerra de bolas de neve; a construção de um boneco sorridente; andei de trenó; tomei alguns escorregões; afundei o pé na neve fofa; rolei pelo chão; fiz qualquer morrinho de escorrega; usei muita luva e touca ninja (a neve queima o rosto que é uma coisa). Contudo, a situação mais bizarra foi a que mais me marcou, claro. Durante a travessia de ônibus do Chile para a Argentina pelos Andes, o nosso ônibus parou bem em cima da placa da divisa entre esses dois países. Eu estava louca de vontade de fazer xixi. Fui para trás do ônibus e com o portão de divisa sob a minha cabeça, eu fiz xixi e demarquei a fronteira de amarelo. Foi tão bizarro ver a neve branquinha ganhar uma coloração amarelada e quente. E em segundos aquela papa congelar! hehehehehe



Esse foi um passei inesquecível. Das seis mulheres que foram juntas, apenas três estão vivas para lembrar as histórias. No entanto, não há tristeza nessas lembranças, mas uma profunda alegria de ter dividido aquele momento com elas. Um dia que refazer esse mesmo roteiro. Ainda com fôlego de vida para agir como aquele baby Dálmata que fui. E que ainda sou, sempre que estou feliz. Quero experimentar a sensação indescritível de nevar como se chove e não molhar. Floquinhos caindo sob a minha cabeça e eu encantada com a beleza sutil da natureza. Agradeci ao Criador por aquele momento único. Como agradeço por todos os momentos que em meu coração se tornam inesquecíveis.

hum


A idéia era terminar o sábado bem, de forma leve.
Fui ao cinema.
Voltei totalmente mexida com a comédia romântica: Minhas Adoráveis Ex-Namoradas.
Minha mente parece um vendaval de emoções incontidas.
Só queria dormir e acordar agarradinha em alguém.
"Desculpe o auê..."

PS: Definitivamente não gosto da atuação do Matthew McConaughey
e nem dos traços, apesar dele ter um corpo perfeito. Quem me ganhou no filme foi o Michael Douglas, em mais uma belíssima atuação. Achei ele sexy. Não adianta: eu gosto dos mais velhos...

13.6.09

Top Eleven


11 telefonemas ao longo do dia

10 bilhetinhos espalhados pela casa

09 maneiras de dizer que me quer

08 lugares para beijar o meu corpo

07 segundo me rodando no ar

06 elogios à minha produção

05 tipos de massagem

04 beijos no pescoço

03 puxões para chegar junto

02 segundos de olho no olho

01 beijo na boca com bastante urgência

Sites

As minha bobagens agora foram direcionadas para o Tô com a Tica
Os textos mais encorpados continuam no Bibi de Bicicleta
Muito em breve os textos profissionais estarão no Querida Leitora

CASOS DE FAMÍLIA - DIA DOS NAMORADOS


CASOS DE FAMÍLIA - DIA DOS NAMORADOS


Aqui em casa o Dia dos Namorados foi celebrado pelos meus pais. # Ah tititititi# A turma deles organizou um jantar em um clube, uma coisa bem temática, para os namorados amigos. Desde cedo eles começaram a se arrumar, a separar a roupinha. Meu pai fez a barba de forma caprichada e esticou a bochecha para eu dar um beijinho e sentir a “lisura”. # Quaquaquá E chegou o horário. Lindos e perfumados, o casalzinho que está junto há 46 anos saiu serelepe. A dupla parecia que estava indo fazer arte. E estavam!

Chegando ao clube, a senha para entrar era escrever um bilhetinho de amor para seu par – que seria lido lá na frente. Minha Mãe tem um pouco de dificuldade em expressar afeto publicamente. Disse que pegou o papel e pensou: “e agora, viola?”. A sorte dela é que na hora tocava Djavan e ela teve a idéia de copiar um pedaço da letra.

Jantar servido, os bilhetinhos começaram a ser abertos. O da minha Mãe dizia:

“Meu bem querer, meu encanto, hoje é o Dia dos Namorados. É o nosso dia, portanto. Beijocas para você. Cadê o meu presente?”

Os convidados caíram na gargalhada. Mamãe ficou sem presente. E imagino a cara do meu Pai nessa hora, que deve ter ficado sem ação. Geralmente, ele é o piadista. # hohoho. Mas a dupla não terminou a noite com sorrisinhos amarelos não! Pai e Mãe foram eleitos o casal mais carinhoso entre os presentes. E meu velho foi lá fazer o discurso:

“Sempre digo que essa mulher é a luz dos meus olhos. Por sempre repetir, pode parecer brincadeira, mas essa frase corresponde a mais pura verdade. E se falo muito é porque quero que todos saibam disso.”

Onhõooo. Foram convidados para abrir a pista de dança. E cheek to cheek dançaram ao som de New York, New York incentivando os outros casais para se juntarem no mesmo ritmo.

O mais engraçado é que a minha Mãe sempre foi dura como uma pedra para dançar. Por isso tinha até vergonha. Daí perguntei:

- E ai, Mãe, dançou mesmo? - É claro minha filha. Você não vê, mas eu treino todos os dias de manhã, quando vou fazer ginástica. Depois que aprendi a soltar o quadril, vixe, vi que é a coisa mais fácil.

Hahahahahaha
Minha Mãe é a popozuda da terceira idade!