18.3.09

Pensando...

“A pessoa que é livre e que exercita sua liberdade sempre choca os outros”Vera Fischer.

Ando muito sem inspiração. Fico chateada de não conseguir escrever sempre aqui. Contudo, a minha fidelidade maior é com a escrita que brota de dentro. Não queria ter que forjar um insight para preencher a lacuna que deixo aqui, quando o entusiasmo não me acompanha.

A criatividade é uma peça de roupa que está sempre comigo. É minha irmã. Cheia de vontades. Eu a desperto sempre que preciso. A vontade não. E a vontade anda tão alinhada ao desejo. E o meu desejo agora é ficar em paz. Quieta. Pensando...

- De tanto pensar, morreu um burro!

Minha Mãe me dizia, quando eu era criança e estranhamente ficava quieta. O normal sempre foi falar e correr e pular e respirar e inventar. O tempo de pensar para mim, antes, era tristeza. Hoje, não mais. Vivo dias de sol. Estou confortável dentro da minha própria pele e sigo o vento. O vento das boas notícias. Então, estou pensando, mas não estou matando nenhum burro! [De onde veio esse raio de frase, afinal?].

Na última segunda-feira eu fui em busca do passado. E o encontrei em forma de amigos. Café, pão de queijo e palavras [Eu sei, pode parecer até um vício café com pão de queijo. Pode ser. As palavras, no entanto, não eram de livros, como no outro texto, mas palavras trocadas com afeto]. E pra que servem as palavras? Servem para dar forma ao pensamento. E assim a gente transforma a poeira em atitude. Muitas vezes através de simples gestos: tirar livros da estante, telefonar para quem está distante, escrever o que antes era apenas um fluido mental disforme.

Gosto da ação e reação. Gosto de limpar a “casa” para trazer gente para dentro. Ou para o centro. As pessoas que voltaram do passado, sempre estiveram no coração, mas não estavam na história. Talvez porque existam histórias que precisam ser elaboradas em seus próprios centros. E vivemos a nossa vida individual à espera de trazer para perto quem a gente sente que precisa estar. Novos olhares de velhos conhecidos. Novas forças somadas. E a liberdade de ser quem eu sou, quem eu fui e quem gostaria de ser.
Não precisamos de máscaras, quando vivemos de verdade a nossa verdade. Não aquilo que os outros esperam. Por que isso? Porque vi um filme que o protagonista dizia: “você é dura consigo mesma; conseqüentemente é dura com quem está a sua volta”. Já fui dura comigo e agora aposto na suavidade de ser e me saber mulher. Muito importante isso.

E aquela frase da Vera Fischer que abre o texto? Estava lendo a matéria da minha amiga Lu Barcellos para a Quem. Ótima matéria. Essa frase da Vera me acompanhou durante toda a entrevista. Li tudo pensando nesse pedaço de declaração. “A pessoa que exercita sua liberdade sempre choca os outros”. Sou livre para fazer as minhas escolhas pessoais e achar que tudo vai ficar bem. Sou livre para exercitar o pensamento e acreditar que sempre existe algo de bom no mundo, nas pessoas. Sou livre para amar e não mais amar uma pessoa e achar que tudo vai ficar bem. Sou livre para não escolher o óbvio e muitas vezes choco as pessoas. Não porque as minhas escolhas são do tipo “cabeludas”, mas porque são diferentes, espontâneas. Fazer o que? O que me perturba é quando encontro alguém que julga pelo rótulo e pára por aí. Muitas vezes o rótulo é apenas uma burka imposta pela sociedade.

Ontem eu conversava com um amigo pelo MSN, quando escrevi uma observação cômica sobre o "nada" daquele papo. Eram fatos hipotéticos. Dei a minha opinião, ele riu muito e disse:
- Só você!

Outra frase que me prendeu. Estou pensando nela até agora. Minhas escolhas não fazem parte de um jogo. Só sei ser eu mesma. Parece fácil me compreender, fazer uma leitura de mim, me pescar. Nenhum de nós é fácil. Todos carregamos um mundo de coisas particulares, únicas. É mais fácil parecer fácil e se entregar à mesmice dos acontecimentos. Mas há tanta vida aqui dentro... Gosto de me embrulhar para presente. Laços de fita. Surpresa!

17.3.09

Lei da Selva

Foto de Marcos Serra Lima


Durante o tempo que eu morei fora do país, uma onda de assassinatos começou a acontecer perto da região onde estava hospedada. As pessoas eram alvejadas na rua, a esmo, por um franco-atirador armado com um rifle. Foram 14 ataques, 13 vítimas e 10 mortos em 21 dias de caçada. O enredo, que mais parecia um thriller de Hollywood, era mais que assustador. As notícias e falta de pistas era aflitivas o suficiente para quem não estava mais habituado a trevas nos jornais.

A despeito de todas essas coisas, meus amigos, nativos da terra, continuavam a seguir com as suas vidas. Idas e vindas em longas estradas, sem maiores palpitações. Estávamos há três ou quatro horas de onde tudo vinha ocorrendo. E meus amigos nem comentavam sobre o assunto. Uma noite eles me levaram para jantar em um restaurante numa região bem tranqüila e longe do housing. E eu lembro bem de ter perguntado: “vocês não ficam preocupados com essa história? Tudo está acontecendo aqui tão perto. Para esse maluco fugir para cá é um pulo!”. A resposta deles veio na maior calma que se possa imaginar: “nãaaaaaao. Não temos o menor medo. Essas coisas são normais por aqui. Tem sempre um maluco com uma arma na mão para fazer besteira. É parte da insanidade do meu país. Não dá para parar a nossa vida em função de mais uma história como tantas outras”.

Fiquei chocada. Fato. Como poderiam estar tranqüilos com um louco varrido à solta, fazendo vítimas a esmo? No momento seguinte, no entanto, pensei no meu país e na minha cidade. Muito se fala sobre assalto e balas perdidas no Rio de Janeiro. Muito se fala sobre agressão no trânsito, ação de polícia, milícia e bandidagem comendo solta. A gente deixa, por acaso, de circular pelas ruas? Não! É preciso viver, se dar ao direito de ir e vir. E mesmo tomando todas as precauções que supomos serem as melhores para a nossa autodefesa, estamos sujeitos sempre ao acaso das circunstâncias. E refleti que as frases: “tem sempre um maluco com uma arma na mão para fazer besteira. Não dá para parar a nossa vida em função de mais uma história como tantas outras” é a pura e dura verdade que temos pela frente, estampada nos jornais.

Hoje eu leio que turistas são assaltados em Búzios; que piora o quadro clínico da idosa baleada na Avenida Brasil no domingo; que homem é preso ao tentar escalar e cair de um prédio no Leblon. No entanto, a notícia que mais me chocou não aconteceu no meu estado. Em São Paulo, um homem é preso com fuzis usados para caçar elefante na África. Cuma? Selva de pedra? Tão louca quanto essa notícia, foi saber que uma mulher foi flechada em Nova York. Sim, uma flecha de 76 centímetros perfurou o seu estômago. Já já vamos ler nos noticiários que elefante foi atingido por caminhão desgovernado no trânsito louco da selva africana ou que o tigre teve a sua “bengala” furtada por bandidos nas perigosas trilhas da savana. Quando a ordem natural das coisas se altera, a lei que fica é a da sobrevivência.

15.3.09

Eu e Você, Você e Eu


Acaso. Geralmente gosto dele. Muitas vezes gosto mais do acaso, que das surpresas. As que acontecem comigo e as que tento fazer para outras pessoas. O acaso muitas vezes traz consigo algumas possibilidades. Gosto de possibilidades, porque são elas que me levam a conhecer coisas que ainda são um mistério. Gosto do mistério. Não daquele segredo oculto, mas aquele que tem em si a possibilidade de ser desvendado por alguém. Um dado especial.

Um dia, estava voltando para casa e percebi que o trânsito estava caótico. Certamente levaria horas para chegar à casa. Era um começo de noite em que estava com “o pensamento” agitado. Na bolsa não havia nada para ler. E eu só consegui pensar que a volta para casa poderia se transformar em uma tortura psicológica para mim, sem nada para ler, ouvir e sem um bloquinho para escrever. Era um tempo de pouca escrita no papel.

Bem em frente ao ponto de ônibus, no entanto, havia uma dessas boas livrarias. Foi quando me bateu a idéia de comprar um "livro da bolsa". Não um "livro de bolso", porque já falei aqui que detesto letras pequenas. Mas o livro de carregar na bolsa. Um peso a mais talvez não fizesse tanta diferença. Faria, no entanto, toda a diferença no humor e na qualidade da volta para casa.

Entrei confiante. Logo fiquei perdida. Muitos volumes de tantos autores maravilhosos. Vários assuntos e preços tão diferentes. Na parede onde colocam os mais vendidos da semana nada parecia me agradar. Precisava fazer logo a minha escolha, porque quanto mais tempo eu perdesse ali, talvez pior ficasse o trânsito e mais tempo levaria para descansar o “pensamento” fervilhante. Eram tempos de muitas informações acumuladas.

Como resolver a questão? Liguei para um amigo. Havia percebido, há algum tempo, que ele tinha um bom currículo de leitura. Seus comentários a respeito me chamavam a atenção, tanto pela diversidade, quanto pela qualidade. Quando não havia um, o outro item estava lá, agregando valor. Queria sair dos romances históricos e das biografias, que lotavam a minha estante nos últimos tempos.

Ele atende ao telefone. Já sabia que era eu. Deve ter estranhando, porque não fazia muito tempo, naquele mesmo dia, a gente já havia batido papo pelo MSN. A pergunta que veio em seguida, de bate pronto, o deixou um pouco desconsertado: “Estou na livraria e preciso comprar um livro bacana para ler no caminho de casa. O que você me sugere? O que você leu nos últimos tempos e que vale a pena?”. Senti que do outro lado da linha ele havia aceitado o desafio, mas pensava em algo que tivesse o meu perfil. Lembro de ir dizendo que tipo de literatura eu estava deixando de lado, por hora. No fim das contas ele me falou de um recém lançado, que não lembrava direito o título. Resumiu o que pode e me disse o nome dos autores. E eu, naquele mar de pesquisa, com o celular pendurado entre o ombro e a orelha, só lembrei que eram dois: um homem chamado Nelito e a mulher, que era algo como Martha Medeiros, mas não exatamente ela, como a minha mente cismava em registrar. Pois bem, não achei nada parecido. Comprei Nietzsche. Gosto de paradoxos.

Meses se passam desde o tal telefonema. Livros passam pela minha mão e se tornam a leitura da vez. Nietzsche continua na minha bolsa, sendo “atacado” aos poucos, riscado nas partes mais interessantes para devido registro. Resolvi dar uma voltinha na livraria do shopping. Tomar um café com pão de queijo, enquanto folheio uma revista e vejo gente passar. Esse era o plano. Gosto disso. Antes, porém, de satisfazer esse meu desejo "voyeur-gastronômico", comecei a olhar as mesas com os mais vendidos. Pilhas pequenas de mesmos livros, cada qual com seu autor revelado. Mas ali no meio tinha um livrinho diferente. Solto, sozinho, meio abandonado por alguém que deve ter cogitado levá-lo, mas o trocou por outro figurão da mesa e o deixou lá. Exposto. Bati de cara com o nome dos autores: Martha Mendonça e Nelito Fernandes. Era o tal do "Eu e Você, Você e Eu" que o meu amigo havia me indicado. Comprei.

Fui tomar o meu café com pão de queijo com o livro nas mãos. Ele me ganhou na primeira página, logo nas primeiras linhas. O vicio foi tal, que eu o terminei bem rápido. Ok, são 142 páginas. Comprei no fim de tarde de sexta e terminei de ler na manhã de domingo. Entre leituras, um fim de semana se descortinando. Passou bem rápido, assim como um pedaço da minha vida, sinto.

Fiquei curiosa para saber o motivo da indicação. “Você vai gostar desse”, foi a frase que não me saiu da cabeça. Gostei mesmo. Muito. Saí da leitura um pouco desconcertada. A premissa da obra mostra a diferença de linguagem entre homens e mulheres. Até aí, você pode pensar, "morreu Neves". Só que os autores mostram na prática dos personagens como um homem e uma mulher que possuem tanto em comum, podem se perder na vida pelo desencontro de pensamentos e palavras não ditas. E como a gente embarca nessa história toda hora. Uma ação de alguém é interpretada por você de mil maneiras, que podem não corresponder à intenção de quem a fez. É mesmo uma loucura essa de tentarmos entender um ao outro.

Li o livro com gosto. Eu realmente me envolvi com a história dos personagens. Terminei sem me despedir direito deles. E deu saudade de uma história ficcional, que me pareceu tão real. Parecia a história de amigos. Era mesmo a história de tantos que conheço. Um enredo que gostaria de não repetir, mesmo estando sujeita às mesmas intempéries. Somos todos iguais, mas ainda acredito nas relações que podem durar para sempre. Com seus altos e baixos, com suas imperfeições e individualidades. Também acredito na duração certa de cada coisa que vivemos. Na casualidade. Na relativização. Na entrega.


Era da comunicação. Pouco nos comunicamos. Era da viabilização. Pouco trocamos. Era da exposição. Pouco nos aprofundamos em conhecimento. Quando as pessoas me oferecem meias palavras, eu pergunto logo o que ela quer dizer. Já achei que pudesse pegar as coisas no ar. Não mais me atrevo, quando meias palavras são ditas. Pego no ar o que a sensibilidade me permite e sigo fazendo as minhas apostas. Prefiro as palavras ditas. Poucos têm a coragem de dizê-las. E dizer palavras, não quer dizer machucar os outros com palavras. A verdade pode ser suave. Temos tantas palavras e tantos significados. Temos gestos e entonação. Temos jeito. Também temos ouvidos e coração.

13.3.09

Olha aí!

Olha aí!

Segundo a revista "People", Jennifer Aniston e John Mayer não formam mais um casal.

O Bibidebicicleta não está aqui para dar a notícia, mas para repercutir um fato. A moça dá entrevistas falando do seu ex e tal; conta que não pensa em se casar, que jamais pensou e que vai seguindo a vida no "vai-da-valsa".

Ou ela tinha percebido que a relação já estava subindo no telhado e resolveu posar de " fresca que nem refresco". Ou as palavras foram o estopim para que o marmanjo tomasse uma atitude.

Claro que eu não vou ficar triste, porque duas pessoas que eu nunca vi na vida e das quais nem sei se o que falam é verdade ou boato. Mas lá dentro de mim, sempre fico tristinha com fim de relação séria. E tenho acompanhado muitos finais esquisitos de pessoas à minha volta. Existem os pragmáticos que dizem: "Acabou? Acabou, oras! Bola para frente"! Mas eu nunca penso que é só isso. Sempre vejo que existem laços emocionais envolvidos, rompimentos que não são simples, investimentos que precisam ser realocados.

Não sou das tais que acha que as coisas tem que ser para sempre e que por isso procuram o alguém ideal. Fico tensa de que possa parecer isso. Não é! Sou a favor do namoro. Quando você namora alguém, você não tem apenas a oportunidade de conhecer e aprender com uma nova pessoa. Você também se dá a grande oportunidade de se conhecer sob um novo ângulo. E você sempre cresce. E você sempre se descobre. E você sempre avalia do que gosta e principalmente do que não gosta e achava que gostava.

O que eu sou contra é a exposição desnecessária de outra pessoa. Sou à favor da verdade sempre. Da honestidade acima de qualquer assunto [com você e com o outro]. Da parceria. Da dignidade. Da atitude pró-ativa. Dos sentimentos de verdade e não das projeções de idealizações bobocas. Esse mundo está projetado demais! Está colocado, como uma bicha amiga gosta de dizer!

Isso Pode!


No dia 06.01.09 eu escrevi um post contando que eu tive os meus dotes fotográficos postos à prova oficialmente e que teria essas fotos publicadas. Quem não lembra ou quer recordar, clica : AQUI .

Na época eu não pude revelar que eu havia feito os registros, então, tive que pedir para colocarem nos créditos o tal do Arquivo Pessoal [chatice]. Finalmente as fotos foram publicadas! EEEEEE

A revista: Contigo!
A personagem: Fabiana Karla
O local: Salvador
A Reportagem: Gisele Cassus
A Edição: 1747

Vou colocar uma foto publicada e mais tarde, se der, coloco as outras que não foram escolhidas. Também vou deixar o link AQUI para quem quiser dar uma olhadinha na matéria. Por que ler a matéria PODE!

12.3.09

Máquina

("Praticamente um símbolo sexual" - José Luis)

"A máquina de lavar pode ter feito mais pela libertação da mulher, do que a pílula ou o dieito de trabalhar". ( O PAPA)

Essa foi contribuição do Zé! AQUI

O Tio


Casos de Família - O Tio

Puxa vida, foi só lembrar de um episódio da vida do meu Tio E, para que um leque de opções me voltasse à mente. Porém, antes de mais nada, queria avisar ao Moratelli e aos possíveis hilários de plantão, que ser chamada de montinho de cocô só faz sentido quando justamente não fazia sentido algum! hahahaha Só na voz do meu tio o cocô soava a flores frescas, vamos deixar isso bem claro!

Prosseguindo a história. O Saulo lembrou nos comentários, que o meu tipo carregava um cacho de bananas para ir comendo no ônibus, durante a excursão. Era verdade! Tio E tinha mesmo um quê naturalista. Meu pai conta que uma vez foi lá na casa dele e alguém resolveu fazer uma faxina ou cozinhar, já não lembro. Só sei que encontraram um pé de feijão dentro da geladeira. Ainda bem que eu nunca vi, porque a comida dele boa para caramba! Vai ver era para ajudar na alimentação saudável dos sete filhos que teve, todos homens.

Meu tio não ligava muito para essa coisa chamada convenção. Gostava era de ter o povo à sua volta. Seus filhos devem ter sido a primeira platéia. Depois, todos fomos. Onde ele chegava, trazia consigo um arcenal de piadas. E destilava uma atrás da outra. Todo mundo já se preparava para rir, mesmo que aquela já fosse velha conhecida. Era um jeitão único. Quase todos os filhos dele também fizeram seu repertório. Alguns primos também. E filhos dos primos, meu irmão mais velho... A família é de causos e piadas. Para falar tinha que pedir senha.

Então, dentro do ônibus de viagem, ele se fazia. Ganhava o microfone e ninguém tirava mais de sua mão. Era o "Alô Silvio" rodoviário. Uma vez, estávamos chegando a uma cidade do sul do Brasil. O ônibus parou em frente ao hotel e a velharada começou a tomar impulso e coragem para levantar. Teve uma com o joelho ruim, que atravancou o caminho na escada. Todo mundo em pé, esperando, quando um danado solta o pior pum da história! Ninguém ia para frente e nem para trás. As janelas já estavam todas fechadas e eram daquele tipo mais complicado de abrir. Todo mundo passando mal com o pum hermético e o meu tio querendo apurar de que bunda aquilo havia saído. Foi um empurra-empurra. A história rendeu por dias! E a culpa recaiu sobre o cara mais rabugento da excursão, que resolveu soltar o dele em uma das paradas, longe de todos, no meio do mato... Quando um incauto passou por ali. Pronto!

Anos mais tarde, meu tio confessou que ele havia sido o autor do pum fatídico. E que a brincadeira havia ficado tão boa, que ele resolveu deixar rolar para ver onde dava. Deu no que não deu...

Meu Tio E morreu há alguns anos. Deixou um belo legado em forma de família. Em suas piadas, sempre dizia que queria ser enterrado ao som da música Romance de Uma Caveira, que ele recitava tal qual um verso, como seu carro-chefe. Um dos filhos lembrou do fato e recitou baixinho junto com uma das minhas tias a letra da canção:


Eram duas caveiras que se amavam
E à meia-noite se encontravam
Pelo cemitério os dois passeavam
E juras de amor então trocavam.
Sentados os dois em riba da lousa fria
A caveira apaixonada assim dizia
Que pelo caveiro de amor morria
E ele de amores por ela vivia.
Ao longe uma coruja cantava alegre
Ao ver os dois caveiros assim felizes
E quando os dois se davam beijos fúnebres
A coruja batendo as asas, pedia bis
Mas um dia chegou de pé junto
Um cadáver novo de um defunto
E a caveira pr'ele se apaixonou
E o caveiro antigo abandonou.
O caveiro tomou uma bebedeira
E matou-se de um modo romanesco
Por causa dessa ingrata caveira
Que trocou ele por um defunto fresco.

Tio E morreu como viveu: com graça!

11.3.09

Quem Quer Ser?


Sempre fui de seguir à risca o calendário escolar. Mas eu tinha um dia certo para faltar e não era meu aniversário. Naquele dia, fosse o que tivesse que ser, eu ficaria em casa. O dia seguinte à apresentação do Oscar. Eu sempre acompanhei a cerimônia religiosamente. E como ela é absurdamente longa, ficava impossível acordar cedo no outro dia para ir à escola. Todas as amigas já sabiam. Eu fazia bolão comigo mesma. E ficava enlouquecida com a tradução simultânea; o que para mim era o máximo do saber inglês!


Confesso que perdi a prática há alguns anos. Essa temporada, nem me interessei pelos concorrentes, também não quis saber sobre os vencedores. Tem um tempo muito grande que não vou ao cinema, inclusive. Adoro. Não tenho tido tempo. Achei o tempo ideal. Na rua, entre um compromisso e outro, consegui agendar uma sessão. 16:30 da tarde. E me perguntei: "quem vai ao cinema a essa hora em um dia de semana?" Bastante gente, para a minha surpresa. Fui ver “Quem Quer Ser um Milionário?”, sem saber que esse é o filme do momento. Que bom que não deixei passar, porque vê-lo na telona, sozinha, fez toda a diferença.


O roteiro e o tipo de filmagem – com a câmera nervosa – fogem à regrinha dos Standards Americanos. “Quem Quer Ser um Milionário?” [de produção inglesa] foi rodado em Mumbai, com atores locais, canções indianas e orçamento restritíssimo, de apenas US$ 15 milhões [que ironia com o título!]. O diretor Danny Boyle provou que quem tem uma boa história e um desejo ardente de contar essa história pode ir longe. E ele foi! Arrebatou oito estatuetas do Oscar [melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor canção original, melhor trilha sonora, melhor edição, melhor mixagem de som e melhor fotografia]. Não só isso. Deixa uma marca irresistível em quem vai assistir de coração aberto.



A história é a de um jovem chamado Jamal Malik. Ele vem de uma família das favelas de Mumbai, Índia, e está prestes a experimentar um dos dias mais importantes de sua vida: ele está a apenas uma pergunta de conquistar o prémio de 20 milhões de rupias na versão do programa "Who Wants To Be A Millionaire?" ou o nosso "Show do Milhão". Antes da pergunta final, no entanto, ele é levado pela polícia, acusado de estar trapaceando. Nenhum intelectual jamais conseguiu chegar até aquele ponto do programa. As perguntas mais importantes são: O que faz um rapaz sem interesse no dinheiro num concurso televisivo? E como é que ele sabe todas as respostas?


Na tentativa de provar a sua inocência, Jamal conta a história da sua vida nas ruas e as aventuras com o seu irmão, Salim. Durante esse flashback nós percebemos que ele sabe as respostas que a vida lhe ensinou. Jamal é um garoto correto; seu irmão, Salim, é o responsável por fazer as escolhas erradas. Ainda assim, muitas vezes são essas escolhas que os salvam dos apuros. Essa também é uma história de amor. Na infância, Jamal conhece e salva a vida de Latika. Eles se apaixonam, mas o destino trata de os separar algumas tantas vezes.

Cerca de 20% dos diálogos do filme são em hindi. E você nem percebe. Essa é uma história de sobrevivência, de fraternidade e duelo entre irmãos; dos caminhos que as escolhas da vida nos levam; do amor que não tem fim; de generosidade e da crueldade humana, de saber se virar na adversidade. Também fala de preconceito, de vaidade, do lado mais miserável da pobreza, do submundo, de poder, de arrependimento, de não ter nada a perder, quando se tem tudo a ganhar...

[ATENÇÃO! Revelações do nesse parágrafo]
Gosto demais da maneira como a história dos irmãos é contada. Um protegendo o outro. A dualidade, a dicotomia das escolhas. As cenas e locações são lindíssimas, daí o Oscar de fotografia. Uma bastante emblemática, na minha opinião, é quando eles adormecem no teto do trem de mãos dadas [cena rápida, mas tão informativa]. No roteiro, destaco a dupla redenção de Salim, que também me emociona: quando ele se desfaz da sua “melhor” posição para que o irmão não seja cegado, como fizeram à outra criança. E quando ele empenha a vida dele para deixa Latika partir ao encontro de Jamal e lhe dá nas mãos o celular, porque tinha certeza que o irmão ligaria. Muito lindo! Lindo também é o encontro de Jamal com o menino cego cantando no metrô. Como eles se reconhecem em generosidade e compaixão. A cena final também é muito delicada. Jamal beija a cicatriz no rosto de Latika, quase um pedido de desculpas por deixar tal brutalidade ter acontecido, antes de beijá-la de verdade.

Ineditamente eu não chorei. Mas, saí de lá diferente. A frase final de Latika durante o jogo: “Deus está com você” foi bastante emblemática. Não foi um mantra, mas a certeza de que Deus está comigo, mesmo quando eu não consigo senti-Lo por perto, devido às dificuldades que me aparecem na vida. E ao sair da sala de cinema, as coisas boas começaram a acontecer para mim... Tudo é uma questão de crer e esperar a hora certa de colher o que você investiu.

Casos de Família


Contabilidade e Casos de Família:
Oi gente!

Não gosto de números, mas gosto de celebrar os nossos números no nosso balanço geral. Já passamos de dois mil acessos e acabamos de receber na Nossa Janelinha de Ciclistas a Drica, a mais nova InterFriend.


Eu conheço a Drica e posso testemunhar que ele tem um ótimo ouvido e os conselhos mais coerentes. Mais tarde descobri que ela escreve muito bem, só não tem tempo para se dedicar à tarefa. Também é fotógrafa, que inicia uma carreira. Talvez, dando esse mole todo, ela resolva me mandar umas fotos que eu possa colocar com crédito aqui no Bibidebicicleta. Que tal inaugurar a galeria?


Fim do Balanço!

Casos de Família

Há algumas semanas, um primo meu, que mora em outro estado, veio ao Rio visitar a minha tia N. Ele sempre vem. A gente se dá muito bem. Um cara que já passou dos 50, mas que conserva o olhar de menino levado. Assim mesmo. Já apanhou um tanto da vida, mas permanece respirando os melhores ares que lhe oferecem. O cara tem mesmo a vocação para ser feliz.


Pois bem. Estava eu lá na casa da minha tia. Tomei um banho, porque tinha que sair para trabalhar. Z estava no bar, não tinha hora para chegar. Era bem cedo. Saí de toalha direto para o quarto da minha tia. Meu chefe me liga, queria uma informação que estava na bolsa. A bolsa estava na sala, nem pendurei direito a toalha e saí correndo para pegar a dita. Meu primo está entrando na sala, todo alegre... Antes, eu morreria de vergonha. Naquele dia eu disse: "ainda bem que não é a primeira vez que você vê uma mulher de toalha. Grande recepção". Nós rimos e a minha tia não sabia onde enfiar a cara. Ela tem quase 80.


Mas o Z também já fez das suas. A primeira vez que ele foi a uma excursão com a família em um hotel "de bacana"; ele desceu para tomar café usando seu pijama de seda [hahaha].


Porém, a memória mais afetiva que me veio à mente, quando o vi entrar na sala, foi em relação ao seu pai, meu tio E. Tio E era pai de sete filhos e uma penca de netos. Sabia agradar às crianças. Toda vez que nos encontrávamos, ele fazia aquela voz tati-bitati. nhonhonho em um tom gostoso... E dizia: "Cadê a putuquinha de me(r)da do titio?" (quase não pronunciando o R) e abraçava a gente. Era como ouvir o cantar dos pássaros. Só naquele dia é que percebi que o meu tio estava me chamando de montinho de cocô e eu estava amando! hahahahaahaha.
Todos os filhos seguiram a verve piadista que o meu tio tinha. Todos se tornaram muito unidos ao redor dele e depois dele continuaram sempre juntos. Muito bonito de se ver.

10.3.09

Jen

Estava 'surfando' pela internet, quando encontrei uma notícia no site EGO, que muito me chamou atenção. Lá dizia que a atriz Jennifer Aniston havia dado uma entrevista à revista britânica Hello, dizendo que:

"Eu não me arrependo do tempo com Brad. Foram sete anos muito intensos, foi bonito e complicado", disse. "Vou amar Brad pelo resto da minha vida - você não consegue apagar boas memórias. Se eu já tive pena de mim mesma? Claro, quem nunca teve?", disse.

Você pode pensar: por que logo essa notícia foi te prender? Justamente porque estava saindo do site da revista Quem Acontece [não estranhem as visitas, há dez anos eu trabalho com celebridades], onde também encontrei uma chamada para uma matéria da Jen, dessa vez para o Daily Mail.

“Eu não fico pensando no futuro da nossa relação [com o atual, John Mayer]. Nunca sonhei com casar, ter filhos e uma casa em Connecticut. Pelo contrário, eu sempre deixo a vida me levar. Eu vivo no presente, porque a vida passa enquanto você tenta fazer planos”, afirmou ela. “Eu não tenho [relacionamentos perfeitos] e acho que não existe. Quem disse que toda relação tem que durar para sempre? Mesmo assim, eu sou muito romântica e acho que a comunicação é vital para um casal”, finalizou.


E por fim, logo após o Oscar 2009, quando ela e Brad Pitt se reencontraram, o site Entertainment Wise, repercute uma frase da atriz, dizendo que ela já havia "superado totalmente" o fim do relacionamento. Uma “amiga”, no entanto, conta que ela teve uma crise de choro no estacionamento do Kodak Theater, antes da cerimônia.


Tenho muito medo das declarações em jornais e revistas. Tenho até medo de eternizar um pensamento aqui no Bibidebicicleta, sabe por quê? Porque somos sujeitos à mudança de pensamento o tempo todo [E eu o faço, justamente porque me dou esse direito com muita tranquilidade]. Temos dias melhores que outros. E nos é dado o direito de amar, desamar, de se reapaixonar, de mudar de opinião, porque simplesmente prestamos atenção em um novo aspecto interessante sobre um assunto que nos parecia tão óbvio.


Elaborar o fim de um amor é um processo sofrido e leva um bom tempo [principalmente para quem deseja estar em paz consigo mesmo e não jogar o tal sentimento para debaixo do tapete, embarcando em uma nova relação, como se isso não fosse voltar à tona em algum momento da vida]. Quem nunca passou por essa experiência?! Acho que só quem ama apenas a si mesmo, o que é uma lástima!


Esse tempo de elaboração é de cada um; tempo particular que não existe fórmula, embora a ‘sociedade’ cobre uma melhora quase instantânea, relegando a dor do amor como sentimento menor. Não se trata de mágica e nem de força de vontade apenas. É um processo demorado, porque ninguém se desapaixona de repente. Jung diz que "o que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino".

Então vejo a Jennifer Aniston, figura popular, tendo que tratar do que é tão íntimo num foro público. As pessoas pensam que “as poderosas” não têm motivo algum para sofrer. Ao embarcar nessa levada da aparência, sofre-se em dobro. E não falo só em relação a atrizes e atores e gente que “aparece” na televisão. Falo daquele tipo de satisfação que nós “mortais” temos que dar à pequena sociedade que nos cerca. É uma situação realmente muito chata, complicada. Acho que justamente por isso – e pelo agravante de ter sido “traída” e trocada por outra figura pública como a Angelina Jolie – a gente vê tantos discursos truncados da parte da Jennifer. E não é exatamente o que vemos algumas tantas vezes por ai? Quando se fala de amor, estamos quase todos em níveis de similaridade [não intensidade].


"O amor mata o que éramos, a fim de que surja o que não éramos. O amor é para nós como uma morte"Carl Gustav Jung.
O escritor francês Jean-Marie Stendhal escreveu uma teoria sobre o amor. Segundo ele, são necessárias três coisas para o amor nascer: admiração, esperança e uma dose de insegurança. Gostei bastante dessa teoria, que me revela o que jamais pude responder: 'que tipo de homem te atrai?' Um que me desperte admiração, esperança e uma dose de insegurança, capaz de me dar aquele frio na barriga. Nunca fui atraída por um tipo físico específico. E creio que as outras questões só poderão ser levantas com a convivência. Todos temos virtudes e defeitos. Mas só cabe a nós, individualmente, medir e avaliar com quais defeitos poderemos conviver. Acho esquisitíssima a idéia de entrar em uma relação séria [do tipo casamento], já pensando no tal mantra: “se não der certo, eu me separo”. Cada vez temos mais impaciência e menos capacidade de reação. O corte é sempre feito pela raiz, sem chance de podar. Cada vez menos nos damos a chance de apostar de verdade na grandeza das relações. E o amor vai desaparecendo da roda, para dar lugar a outros sentimentos tantos. Não sei a frase de forma correta, mas um dia ouvi que você não deve despertar o amor até que esteja pronto para ele. Talvez, nunca estejamos; talvez tenhamos nascido justamente para ele.

Fiz 31 anos.
Para celebrar:

Almocei com o Luke na terça. Almocei com o "viajante" na sexta. Fui ao reencontro das pessoas que estiveram comigo no Carnaval [um jantar para mais de setenta pessoas]. E vimos fotos, fotos, fotos. Muito bom registrar momentos. Amigos transformam dias simples em momentos. E isso é muito bom, porque somos diretamente responsáveis por quem trazemos para a nossa vida.

Estava bem desanimada. A Onça me convenceu à ir ao lual de aniversário da Guarçoni. Lá fomos nós para a Praia de Copacabana. Para quem é de fora, agora fizeram na orla uns quiosques mais transados, com deck e mesa bonitinha com guarda-sol para você se sentar. Cada um tem banheiro, chuveiro [pagos] na parte de baixo. Até agora a coisa parece estar funcionando bem. Eu acho uma graça, a despeito da reclamação de alguns ecologistas.
A Guarçoni queria estender a canga em frente ao Copacabana Palace. A maioria, porém, quis ficar mais à direita, em um quiosque do Bar Luiz. Outra explicação: O Bar Luiz é um restaurante tradicional do centro do Rio, que agora tem seu representante na orla carioca. A comida tem uma pegada alemã. Muito gostosa. Só sei que no fim da noite a turma começou a chegar e já éramos mais de 40 pessoas ali. Alguns sentados nas mesas; outros recostados em cadeiras ou onde podiam. Tinha ainda os que preferiram senta-se na areia. Outros arrumaram uma bola para jogar vôlei. E eu fiquei olhando a cena. Tanta gente diferente unida por um mesmo ideal de vida. Várias idades, diferentes tipos de criação, de aspiração, de vivência, experiência. Todos ali, dividindo a mesma areia. Se mais ricos ou se mais pobres não fazia diferença.

Olhei o mar lá atrás. E pensei em como esse mundo de água sabe até onde pode ir... Existe um sentido tão maior por trás de tudo aquilo que nos parece palpável. Quantas vezes não passo por ali sem dar importância à ordem natural das coisas? Ainda pensando nisso, fui trazida de volta à realidade quando o "primo" anunciou que ia fazer xixi no mar. Bem... Não dá para pensar em poesia numa situação dessa.


Fiz 31 anos.
Não gosto que cantem parabéns:

Não é que eu não goste de aniversário. Eu não gosto da hora do parabéns. Detesto. Não tem relação com estar ficando mais velha. Tempo é o que acontece de frame em frame na nossa vida. Não gosto é de todo mundo me olhando ao mesmo tempo! Não sei para onde olhar. Não sei se bato palmas para mim mesma. Não sei se só recebo as palmas. Ah, não gosto. Esse ano cantaram umas sete vezes. Em festas e horários diferentes. Que agradável sensação de frescor. Eu parecia Glaide Sachê.

A fobia talvez tenha razão de ser. Flashback, por favor...
Há muito, muito tempo atrás... Eu era uma menina um pouco "esquisita", que gostava de discutir política e teologia, lia Machado de Assis [e as meninas liam Capricho e gostavam de música na praia] e de fazer poesias. Tinha muita gente ao meu redor. Muitos colegas, que supunha amigos. E veio o aniversário. Aqui em casa: eu, minha mãe, minha prima e a filha dela. Meu bolo: uma pizza feita em casa, chapada na forma. Minha vela: aquela branca e longa que se usa quando falta luz.

Minha mãe, querendo me animar, puxou o parabéns mais sem sentido que já vi na vida! Quatro Mulheres e o Funeral da Pizza!

Fiz 31 anos.
Surpresa:

Tenho as melhores amigas do mundo!

Acordei com na Vivi tocando a campainha com o bolo em uma mão e a caixa de fósforos na outra [a maior de todas]. A vela jazia morta no chão. Foi surpresa sem vela mesmo. Debaixo do braço, uma sacola com um presente. Olhos brilhando. Amor em forma de atitude. Cantamos parabéns: eu, ela, meu pai e minha mãe. Foi o melhor parabéns aqui em casa. Falamos com Deus. Choramos. E marcamos aquele momento como único. Porque momentos únicos ligam pessoas.


À noite, eu fui para a casa da Onça. Entrei na sala e lá estava ela "batendo bolo" para mim. Um a um, os amigos foram chegando. Cada um trazia algo para comer ou beber e muitas histórias. A sala foi lotando. Não havia mais espaço. Gente no sofá, no tapete, nas cadeiras da mesa, de pé, sentados no chão. Quantos menos lugar se tinha, mais legal ficava a festa. Foi um amontoado resultado de muito amor. Eu me senti muito acarinhada.

Fiz 31 anos.
* Comi chocolates vindos da Rússia trazidos pela Lena, minha amiga russa. Com aquele monte de letrinhas que a gente nem desconfia do que se trata.

* Recebi um telefonema de uma amiga da época da escola. Nos conhecemos em 1994. Foi muito bom!

* Almocei com o Saulo e o Renan, a família, a Genoud.

* Estive com o meu irmão e cunhada em casa.

* Lanchei na casa da minha prima, a da pizza. Foi muito legal.

* Visitei a Andrea, uma querida, que não via há séculos, em sua casa nova! E falamos, falamos, falamos! Não vi o Junior, o marido dela [meu amigo querido], mas ganhei tanto carinho do filho deles, o Lucas [4]...

* Lá fora pode estar chovendo, mas aqui dentro tem uma recarga extra de cuidado e amor...

9.3.09

Três

Li em um blog que o número três é bem interessante por ter um aspecto bonito, curvilíneo e sensual. Confesso que nunca antes na história do Bibidebicicleta eu havia "botado reparo" nisso. Olhando assim, com muita vontade de deixar a criatividade rolar, a gente imagina um "bocado" de coisas. Gosto da cor vermelha. Estampada assim me transmite até uma boa temperatura. Porém, meu número favorito continua sendo o sete, graças à mamãe, que me trouxe ao mundo nessa data.

Então o três está aí. Para lembrar a todos que o Bibidebicicleta completou o seu terceiro ciclo. Tem gente que me acompanha desde o post número um. Há os que foram chegando há menos tempo, mas foram entrando e ficando mais à vontade. Passamos por vários ciclos. O layout e os textos foram se transformando, mas quero crer que estarão sempre em construção. Assim como eu. Assim como nós.

A história foi avançando, numa constante sem fim. A vida foi me levando a aventuras e desventuras em série. Tenho muito mais a agradecer. Barreiras enfrentadas não foram desvios, mas a iniciativa de se aprender a fundo, sem reservas. Agradeço por muitos nãos; porque muitos deles são didáticos. Se tudo fosse feito conforme a minha vontade, talvez eu me tornasse uma pequena tirana sem metas e sem alvos. Os melhores sonhos são aqueles realizados sob muita luta. No fim, a glória do guerreiro é saber-se vitorioso ainda que e apesar de.

Três anos e muitos posts. Novos amigos e velhas histórias. Interessante é perceber que ainda tenho um grande repertório de inéditas, as quais ainda não encontrei ensejo para contar. Enquanto isso, tantas outras vou vivendo. E revivendo.

Dias felizes em tempos complicados. Não sei como organizar isso dentro de mim. Ainda. Eu, você, todos nós somos sacudidos por novas perguntas, quando já temos as respostas batidas. Estou em busca de novos desafios. Sempre em busca de novas histórias. Se eu fosse marinheira...

7.3.09

Sol na Praça


O dia de hoje estava muito quente. O termômetro devia estar gritando perto da hora do almoço. Devia ser até possível fritar um ovo no asfalto do centro do Rio. Eu estava lá, testemunhando o passar dessa caravana sofrida. Lenta. Vagarosa em virtude da dificuldade de se locomover animadamente sob o sol. Quem poderia?

O Rio de Janeiro teve um começo de ano atípico, com sol tímido a nos intimidar. Semanas antes do Carnaval, porém, o astro rei resolveu mostrar seu esplendor e entrou na avenida pronto para ganhar nota 10 em evolução. E quem é que tira essa estrela do meio palco? Nem guarda-chuva preto e blusinha de alça resistem.

Saí de uma sala com clima de montanha e teria que andar três ou quatro quadras até o meu destino. Antes de cruzar a enorme praça à minha frente, telefonei para que ele tomasse logo o elevador e me encontrasse na portaria. Antes de chegar ao prédio, eu observei, incrédula, um número grande de pessoas sentadas no banco da praça. Sob o sol escaldante da hora do almoço. Pareciam estar ali fazendo hora. Vendo gente passar. Vendo a vida passar. Como podem? Mulheres, homens, famílias inteiras. Gente com uniforme de trabalho, gente com o “uniforme” da rua. Sentados.

Existe uma “levante” dentro de mim que me impede a prostração. Minha mãe chama isso de bicho carpinteiro. Depois dos 18 anos, muitos denominariam fogo no rabo. Não fecho com ambos. Tenho uma ansiedade que não me deixa quieta. Imagina fazer uma horinha sob o sol em uma praça em que o mais lindo a se ver é a fachada do Theatro Municipal, que hoje se encontra em obras, cheia de tapumes?

Eu não consigo ficar sentada vendo a vida passar. Feliz ou infelizmente estou sempre em atividade. Quando paro ou é para dormir ou é para elucubrar um monte de coisas no mundo da imaginação. Tenho a criatividade sempre na ordem do dia. Hoje, por exemplo, dei a seguinte idéia ao meu amigo viajante: “todo mundo que coleciona algum objeto para lembrar dos países pelos quais passou, sempre acaba em postais. Por que você não traz camisinhas dos locais pelos quais passará? É um objeto que deve ter em tudo que é lugar e que não ocupa espaço na bagagem”. Ele gostou da idéia, riu. Mas acabamos chegando à conclusão de que não somos do tipo que coleciona coisas. Trazemos fotos. E boas histórias.

Seria possível alguém ter uma grande idéia com o quengo sob o sol de 40 graus? Gosto de observar pessoas sim, mas acho muito mais interessante fazer isso sentada em um café, longe do meio da exposição. E do fogo da terra. As pessoas são incrivelmente encantadoras a olho nu.

Contudo, não estava ali para observar pessoas. Fui almoçar com um colega de trabalho. Mais uma celebração do meu aniversário. Não lembro se disse isso a ele. Sei o que não disse. E o que não disse foi: que entre os contemporâneos, os da nossa geração, ele é o cara que considero mais O CARA. Pensamento genial, texto primoroso, acidez na medida certa, curiosidade genuína, altruísmo, defeitos dos melhores que se tem notícia. Sou fã, fazer o que? Achava que eu só teria no meu hall, aqueles que já tivessem atingido o que considero o Olimpo dos escritores. Mas ele está só começando. Assim como eu. Nunca fui de ter companheiros. Estou estreitando os laços com o já amigo e agora grande companheiro de pensamento da humanidade e da visão da importância de coisas passageiras da vida.

Saí do almoço e fui resolver as pendências que sempre se têm. As pessoas continuavam sentadas, vendo a vida passar na praça. E percebi que muitos são aqueles que não estão na praça, mas ficam vendo a vida passar. Os sem atitude. Os sem coragem. Os sem força para alterar a força das circunstâncias. Muitas vezes lotam as suas agendas das mais diferentes atividades, mas no fundo estão sentados naquela mesma praça. Sempre à espera de um grande acontecimento.

6.3.09

Luke

Eu e Luke no Monumento à George Washington - Ano 2002

A vida estava mudando. Larguei tudo para embarcar em uma aventura acima da linha do Equador. Tinha conforto, faculdade e um bom emprego. Nada disso me segurou. O chamado à aventura era irresistível.
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Cheguei ao destino. Era uma vila no meio de uma floresta. A autoestrada, cortando as árvores altas, parecia ser a única via de ligação com o mundo lá fora. Depois eu viria a descobrir que a vila era um mundo à parte.
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A estadia seria longa. Impossível não exagerar na mala, quando se vai para um lugar onde as quatro estações são bem definidas. Mesmo com a facilidade das rodinhas, eu estava cômicamente atrapalhada. Ruim de roda mesmo!

Muitos brasileiros já estavam há quase duas semanas naquela vila. Já sabiam que toda a agitação prometida no embarque estava longe de acontecer. E passavam o tempo uns com os outros, vendo o tempo passar. Literalmente. O novo grupo que chegava atraiu a atenção de alguns - os que não estavam bebendo, fumando, trepando [ou tentando arrumar alguém que topasse] ou simplesmente vendo televisão em total prostração. Há, tinha também os que planejavam fazer M...
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O grupo que chegava tinha mais mulheres que homens. O grupo que observava os novatos chegarem tinha mais homens que mulheres. Quis o destino que aquele loirinho, magro e de cabelos arrepiados se oferecesse para carregar as minhas malas. Um movimento que transformou toda a nossa história. Ali nasceu uma grande amizade. Muito mais que isso, ali eu ganhava um irmão ofertado pela vida. E eu cheguei a amar esse irmão tanto quanto eu amo os meus irmãos de "sangue". Ou mais.
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Eu era uma menina atrevida e desprotegida. Ele era um garoto que tinha sede de aventura e buscava por liberdade sem se dar conta de onde poderia chegar. Eu tinha um namorado que resolveu apenas sobreviver e não viver a aventura. E foi através de uma pessoa que não me protegeu, que eu acabei indo morar no mesmo quarto do Luke, a convite dele, no alojamento masculino. Éramos três. Se o Luke tinha a sede de aventura, eu tinha a água. Fui farol. Ele foi embarcação. Cuidei dele; ele me guiou. Ele se assumiu gay, contando um segredo sagrado, e eu dei colo e compreensão.
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Com o Luke eu andei em várias Montanhas Russas, sabendo cada detalhe de sua construção; seus recordes; suas particularidades. Fiz compras de supermercado e dei consultoria na hora de garimpar roupas. Fomos de Van para Washington D.C. e a dita simplesmente deu pane em frente a um posto de gasolina. Nos olhamos incrédulos. Duas garrafas de óleo resolveram a questão que nos parecia crucial, de vida ou morte. Fui ao Medieval Times e gostei. Tive um Magic Day em New York [depois vou colocar aqui o link do post]. Ouvi Cassia Eller night by night antes de dormir em seu aparelho de som que emitia uma cor azul.
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Com o Luke comprei walk talks para que não nos perdêssemos dentro do Wal Mart. Estava preparada para uma viagem, quando o encontrei no posto de gasolina, indo para outro lugar. Ele largou seus planos, para me acompanhar a um parque de diversões com os meus amigos. Foi com ele que brinquei no Games pela primeira e única vez. Ele venceu a disputa com a pistola de água, mas eu levei para casa o ursinho azul [que tenho até hoje]. Cantamos aos gritos "We Are The Champions" dentro do Buick azul [nosso primeiro carro] parado no meio de um estacionamento gigante, mas vazio. Trancados. Aos brados. Aos risos.

2002 - A Van dá problema na estrada para Washington D.C. em frente a um posto, em frente ao Mc Donald's. Marcão coloca o óleo sob os olhares de Bruno, Ana, Fernando e Bibi. Luke tira a foto. O que vale é a jornada!


Tudo isso e muito mais aconteceu em 2002. Esse foi o nosso universo paralelo. Desde então, nunca nos perdemos. E tantas outras coisas rolaram. Impossíveis de serem medidas, difíceis de serem narradas. No dia mais triste da minha vida, ele largou tudo para estar comigo... Me ouvindo chorar. Foi meu farol, meu colo, meu carinho, meu carinha.

Terça-feira passada nós almoçamos juntos para celebrar meu aniversário. O tempo nunca é bastante. Ao mesmo tempo, poucas palavras definem tudo. Eu subi a escada do metrô e ele esperava por mim. Sempre soube que ele estaria lá. Quando o conheci, ele era apenas um garoto. Ali na entrada do metrô eu não via mais um garoto. Um homem me esperava. Formado. Casado. Profissional de sucesso, com uma carreira gloriosa [tenho certeza] pela frente. Acredito que ali estava o homem da minha vida. Não há relação carnal, mas um encontro único de almas. E, se Deus permitir, eterno. O amor pode se manifestar de várias formas. E a amizade é o amor que sempre vence. Sem intenções ou pretensões.
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Obrigada Luke. Pelo livro. Pelo almoço. Pela vida. Por me amar e por me deixar te amar. Pela distância que não nos causa incertezas. Pela proximidade que nos torna quase eternos.


Terça-Feira - 2009 - nosso almoço via celular

Há pessoas que se furtam da maravilhosa experiência de viver, de compartilhar, de amar, de ousar amar, de se arriscar. Tudo é uma questão de tentiva e erro. Se entregar é deixar de lado as nossas vãs certezas, que não nos garantem nada além da solidão. Malas pesadas me trouxeram a leveza da vida. Ouse!

5.3.09

O Contrato


Outro dia fiquei pensando por que eu gosto tanto de conferir os recados que os Ciclistas deixam aqui no Bibidebicicleta. O primeiro questionamento que me veio à mente foi se era o caso de querer aparecer. Tenho horror a essa coisa de forçar um lance para poder aparecer e venho buscando exercer a minha espontaneidade a todo custo [sendo eu no centro ou no canto da sala]. Ninguém deixa você ser apenas você, com suas particularidades e potencialidades, esquisitices e virtudes que te fazem única (o) [Ah! Cansei dessa vida de ser todo mundo igual Playmobil]. E em momento algum eu tento forçar esse tal lance por aqui, espaço sagrado. Contudo, se a gente analisar por outro ângulo, ninguém faz um blog para ficar escamoteado, escondido, inacessível, certo? [A Lolô um dia soltou isso com dose extra de verdade para mim e eu dei razão a ela. Mas era um fato sobre o qual não havia refletido].

É fato: todos nós necessitarmos de atenção. Já foi provado que bebês estimulados pelo toque carinhoso constante se desenvolvem muito mais rápido que aqueles abandonados em orfanatos, por exemplo. Eu gosto de atenção sim! Fato dois. Não gosto de forçar um lance, mas faria o que estivesse ao meu alcance [dentro das questões de capacidade, possibilidade e moral] para conquistar outros olhares, novos seguidores. Até na vida. Tudo dentro da medida do saudável e do razoável no conceito de sociedade.
E por falar em sociedade, olha só como a política encerra em si toda uma questão comportamental. Em O Contrato Social, Rousseau teoriza que o homem abre mão de sua liberdade ilimitada presente no estado de natureza para desfrutar de uma liberdade sob o patrocínio da lei; que é a vida em sociedade. Nesse “contrato”, no entanto, não estava acordado que nós precisaríamos abrir mão da criatividade e dos elementos que nos dissociam dos demais a fim de que nos tornássemos seres pasteurizados. Essa diferença, usada de forma agradável, é que nos leva aos holofotes.

Esse pensamento me encaminhou ao fato três. Se todo mundo tem a necessidade de chamar atenção para si de alguma forma [falando especificamente dos que tem blog ou do fruto do seu trabalho], por que há os que se escondem atrás de personagens e pseudônimos? Porque existem formas & formas de se fazer notar. Assim como na vida, há os que vestem capas, há os que interpretam personagens, há os que são inseguros e têm vergonha de exibir o que são: medos, desejos e inseguranças. Todos nós temos essa medida em maior ou menor escala. O que é bobagem para mim, pode ser extremamente importante para o que está perto de mim. São os nossos traumas os mesmos? São as nossas experiências desfrutadas na mesma intensidade e racionalmente desenvolvidas sob os mesmos valores morais?

Semana passada eu falei para o Moratelli: “Eu não sou igual às outras. I am one of a kind [mal traduzindo: única da espécie]”. E voltei a repetir a mesma sentença para quem, julgo eu, compreendeu de maneira oposta a intenção da palavra dita. A palavra dita tem a vantagem de te ganhar a simpatia ou o dissabor através das inflexões sonoras. A palavra escrita tem o dom de imortalizar pensamentos. Gosto dos recados que vocês deixam, porque eles imortalizam os pensamentos de quem lê as minhas palavras tão gastas. E gasto tanto, que sinto saudade das letras. Eu me reabsorvo através de quem me escreve e de quem me sabe através do escrevo. Minhas bagagens, meus traumas, minhas experiências vividas me fazem compreender com singeleza o que grandes escritores sempre repetem: “Escrever é muito difícil, é um ato solitário”. Esse mergulho para dentro liberta. O resultado desse mergulho assusta muita gente, que se acha menor por não conseguir se expressar em palavras [como a gente se inferioriza, meu Deus!]. Menor sou eu, que preciso delas [e também das suas] e de muito mais para saber-me “eu mesma” e não ser aquilo que os que desejo desejam de mim.

4.3.09

Relax


O novo apelido de Obama é OB:
Está no melhor lugar do mundo, porém no pior momento.”

3.3.09

Contabilidade

Foto: Cristiano Mascaro / reprodução
Colocando a contabilidade do Bibidebicicleta em dia:

1) Já passamos dos mil acessos desde que coloquei o contador - há mais ou menos duas semanas. ÊEEE

2) Essa semana nós batemos juntos a marca de mais de 100 leitores diários! Delícia!

3) Em fevereiro o Bibidebicicleta completou três anos de existência e eu nem me dei conta! xiiii!

4) Não carece preocupação o fato de não ter celebrado o aniversário do blog. Declaro, em caráter pessoal e irrevogável, que à partir de hoje vou sempre celebrar o aniversário do Bibidebicicleta no dia 7 de março. Para os devidos fins, explico: a autora do blog é ruim de decorar datas e de lidar com qualquer tipo de número. A data em questão é difícil de não ser lembrada, uma vez que a comemoro há 30 anos seguidos. É revogada qualquer disposição contrária!

5) Espera-se um post celebration em exatos 4 dias. E contando!

6) Acabamos de receber a nossa 12ª Ciclista: Welcome Vanessa - Na Escada Rolante. Aproveito para contar que a Ana Martins migrou para o Blogspot (uhu!).

Livros 2

Sabe aquele post que fiz sobre livros? Uia, uia! Ganhei dois! Dois no mesmo dia, rapá (sic)!

* Ensina-me a Viver
* Olhai Os Lírios do Campo de Erico Veríssimo - Achei em um camelô sebo por oito reais, mas não voltei lá para comprar!
* Biografia da Jane Fonda [acho que é A Life So Far...]
* The Joy of Sex – se e quando tiver a versão em português
* Guia dos Curiosos – qualquer versão
* O Príncipe – Maquiavel
* A Arte da Guerra
* Qualquer um da Martha Medeiros [coletânia mais recente me agradaria mais]
* Amar Pode Dar Certo - Roberto Shinyashiki [ou qualquer outro do autor]
* Comer, rezar, amar - GANHEI!!!
* O Mundo de Sofia
* Perdas e Ganhos ou O Silêncio dos Amantes de Lya Luft
* Quem Ama, Educa – Içami Tiba
* Vida Modelo – Jonh Casablancas - GANHEI!!!
* Inteligência Social - Karl Albrecht
* O Livro de Ouro da Psicanálise
* We - A Chave da Psicologia do Amor Romântico - Robert A. Johnson
* A coleção juvenil de Pedro Bandeira - começando pela Droga da Obediência até o último da série...
* Diga-me seu nome e direi quem você é

Vou, então, acrescentar outros dois à lista. Peço que quem tiver boas idéias, que dê a dica nas Pedaladas.

* Deu no NY Times, do Larry Rohter [embora o Moratelli tenha descascado o autor].
* Disney War - Dica do Luke.

Tas Mania

Reprodução
Na Revista Quem Acontece da semana passada, a repórter Tânia Nogueira fez uma matéria com Marcelo Tas. Desde que assumiu a bancada do CQC, a gente começou a observar um fenômeno do tipo Tas Mania. No entanto, a carreira desse moço não foi feita da noite para o dia. O Tas já era mania há muito tempo, só que agora ele pode mostrar a sua própria cara [não a de um personagem] e dá-la à tapa, topando levar à cena um programa na TV aberta cuja irreverência do jornalismo mentira e humor verdade é o mote. Vemos ali a sua digital.

A abertura do texto da Tânia na Quem é a seguinte: "Para quem tem mais de 35 anos, ele é o repórter Ernesto Varela, que nos anos 80 fazia as perguntas mais contundentes às pessoas mais importantes com a maior cara-de-pau. Para quem tem uns 25, é o Professor Tibúrcio do programa infantil Rá-Tim-Bum. Os que têm menos de 15 provavelmente se lembram dele como o Telekid da série Castelo Rá-Tim-Bum. Mas, para todos, hoje ele é ele mesmo: Marcelo Tas, o âncora do CQC, o programa da TV Bandeirantes que conquistou várias gerações com seu misto de jornalismo e humor e que volta na segunda-feira (2), depois de umas férias".

Eu já conhecia o Ernesto Varela - a reportagem com Paulo Maluf foi até tema de uma matéria na faculdade. Mas não o acompanhei. Eu dei uma olhada no Professor Tibúrcio, na TVE [aqui no Rio], sei de quem se trata, mas não me agarrou a atenção. O Tas virou mania para mim como apresentador do programa Vitrine, na mesma TVE. Ninguém que convivia comigo no raio de quilômetros sabia do que se tratava. Eu, no entanto, era vidrada nele e no Vitrine. Foi nesse mesmo programa que conheci o trabalho da Renata Ceribelli, antes dela ir para o Video Show e chegar ao Fantástico. O Tas já era o cara, movimentava o canal educativo com reportagens de tirar o chapéu. E eu, que já sonhava em ser jornalista, via ali um pouco do que eu queria para a vida. Depois é que fui reencontrá-lo como matéria em Comunicação Comparada na faculdade. Cara, era sensacional ouvir frases do tipo: "eu sou o primeiro internauta brasileiro!". É de tirar onda!

Anos depois, na matéria da Tânia Nogueira [já dei o crédito três vezes e nem conheço a repórter!], continuo a me deliciar com boas frases:

QUEM: Sempre gostou de tecnologia?
MT: Desde criança. Um dos primeiros presentes de que lembro foi um gravador com fita cassete. Comecei a gravar entrevista, falar com meu avô, minhas tias, fazer meus primos cantarem. Depois, fazia uma apresentação do melhor na festa de Natal. [Nas festas de Natal eu fazia teatrinhos com os meus primos. Dia desses, minha prima A disse que encontrou uma fita com uma de nossas peças; onde ela aparecia distribuindo sutiã para as nossas tias velhas. Pedi muito para ela passar para DVD. Imagina só?! Tenho até medo de ver... Mas, quando ganhei o primeiro gravador, no tempo jurássico, eu o levei para uma excursão ao parque do Beto Carrero, que estava inaugurando. Fiz entrevista com todos no ônibus e ainda gravei a minha sensação de andar na montanha russa, narrando segundo a segundo a experiência. Perdi essa fita, assim como perdi muito rapidamente um monte de amigos dos meus pais que estavam naquela excursão. Sempre fui a mascote da turma de idade avançada, mas alma infantojuvenil].

QUEM: Então, se um fã quiser te ver, é só ir sábado de manhã na Santa Efigênia?
MT: Vai ser difícil me achar, porque é como estar no Pelourinho no Carnaval. Eu vou lá, tem um lugar onde eu tomo um suco, um lugar onde como o meu sanduíche. Eventualmente cruzo um amigo. É um papo de homem. As mulheres são mais sábias, se envolvem com coisas mais elevadas: literatura, romances, cinema. [Primeiro quero destacar que a frase cruzo um amigo foi forte. Que raio de colocação é essa? Ele se redime logo em seguida falando das mulheres... Ai, ai... É mesmo de suspirar. Tem quem não goste, mas eu "cruzo" mesmo literatura, romances, cinema].

QUEM: Ser nerd nunca foi um problema?
MT: Nunca tive vergonha de ser o que eu sou. Eu era CDF, mas era do fundão. [Eu também, eu também! Sentava no fundão, mas prestava muita atenção nas aulas. Atrás de mim estava o Vinícius Falcão, do Rappa. Já viu, né?! Eu era CDF no sentido de aprender com muita facilidade. Raramente estudei em casa. Embora as boas notas pudessem afastar as pessoas legais, eu sempre fui um ser gregário].

QUEM: Inteligência atrai as meninas?
MT: Não estou aqui fazendo propaganda, mas acho que as mulheres sempre tiveram sensibilidade para a inteligência e para o humor. A chave do romance é o humor. Se você conseguir fazer uma mulher rir, a porta do amor está aberta. [É por essas e por outras - como ser amigo da Sarah Oliveira -, que sou fã desse cara. É careca, é inteligente e faz a mulher rir! peloamordedeus... É casado com a Bel Kovarik. Meninos, ouvi: "A chave do romance é o humor". O humor refinado e inteligente. Tinha um amigo que achava que era engraçado soltar pum depois do segundo encontro, porque já mostrava intimidade... tsc tsc tsc... Existem aqueles que querem que a mulher faça a parte dela e a deles... tsc tsc tsc... Há os que vão crescendo no embalo do encontro e se retiram de campo com medo... tsc tsc tsc... Também há os que nem entram em campo porque se atém a pequenos "defeitos"... tsc tsc tsc... Hello! Todos temos! Mulher é bicho complicado mesmo e os homens andam se guiando pelo mesmo manual, mas... "A chave do romance é o humor". Durante o Carnaval, um menino disse isso para mim e para a Onça. E ainda completou: "não adianta nada ser rico ou ter 40 centímetros"... Êpa, que isso fera! ? "A chave do romance é o humor". E tenho dito!].

2.3.09

Alice Disse

Alice perguntou ao gatinho:
"Que caminho devo seguir?"
O gatinho respondeu:
"Depende aonde quer chegar."
Lewis Carroll
Aonde quero chegar?
Aonde queremos chegar todos?
Até quando poderemos caminhar juntos?
Seria preciso tantas perguntas para se ter certeza do caminho?

1.3.09

Instruções

ATENÇÃO! INSTRUÇÕES SOBRE O POST ANTERIOR:

Certa feita estava navegando pela internet atrás de fotografias para acrescentar ao arquivo que tenho para ilustrar o Bibidebicicleta. Se não me engano, foi no período que chamo [particularmente] de entressafra. Esse período compreende a época que fiz, efetivamente o blog e deixei de postar e a retomada quase que diária de textos.



Durante esse space tour acabei me deparando com um belíssimo texto escrito em inglês. Fiz aquela primeira leitura dinâmica [sem degustação] e já fiquei toda encantada. Guardei para mais tarde.



Anos depois. Você leu certo, uns dois anos depois eu reencontro esse mesmo texto guardado em um arquivo de Word em um computador antigo. Coincidência? Blaaaaah! Não acredito nelas! E não é que volto a ter contato com palavras encadeadas com sentido profundo, que falam e calam a minha alma nesse momento tão delicado?

Muitos blogs tem esse texto de George Carlin em inglês. Não queria reproduzir algo que já existe. Precisava ir além do simples copiar e colar. Fiz a minha livre tradução do inglês para o português e deixei a minha marca junto à do autor, acrescentando novas palavras e impressões exatas do que compreendo ser o texto de ontem para a realidade de hoje. Não estou pegando carona na genialidade do cara, porque a minha intenção é sempre a de trazer à luz os acontecimentos para o bem coletivo; mesmo que parta das minhas dores individuais. Ruim seria não citar o autor original e criar algo "parecido", baseado em sua obra, sem revelar o fato aos leitores e o crédito de quem o fez. Chamemos isso de adaptação; assim como são classificados os roteiros.



George Carlin

Boa leitura!

Paradoxos

( by slowernet )

Certamente estamos vivendo um tempo de paradoxos na nossa História. Ao mesmo tempo que construímos edifícios cada vez mais altos, nosso humor e paciência andam cada vez mais curtos [mais estresse, mais mal humor, mais mal tratos]. Elaboramos estradas cada vez mais largas, mas permanecemos com nosso ponto de vista estreito [unilateral, de mão única]. Gastamos mais dinheiro, porém temos cada vez menos. Compramos mais e desfrutamos menos. As casas são maiores e as famílias menores [partidas, convivendo em realidades baseadas em neuroses e não em simples afeto]; desenvolvemos mais possibilidades para garantir a boa conveniência e temos cada vez menos tempo para usufruir dessa virtude. Temos mais formação, mas menos sentido; mais conhecimento, menos juízo; mais especialistas e ainda mais problemas; mais medicina e menos saúde.


Vivemos um tempo de intensidades desenfreadas. Bebemos demais, fumamos demais, somos muito indiferentes [a tudo e a todos, inclusive aos nossos próprios sentimentos], rimos pouco, dirigimos rápido demais [somos loucos no trânsito e há muito tempo estamos perdendo a simples gentileza de ceder a vez, nem que para isso seja necessário empenhar a própria vida; como repetidamente observamos nos jornais], nos zangamos por/com tão pouco, passamos cada vez mais horas acordados e nos levantamos muito cansados; lemos pouquíssimo, vemos muita televisão e oramos tão raramente. Nós temos multiplicado as nossas posses, mas temos reduzido os nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita frequência. Aprendemos como é viver, mas não a ter vida [e vida em abundância. Vida que chama vida. Vida que nos leva à eternidade. Vida que nos direciona a encontros e desencontros. Vida que faz pulsar o sangue na veia e a balançar os "cabelinhos da venta" sem machucar a ninguém ou a si mesmo]. Acrescentamos anos à vida, não vida aos anos.


Paradoxo é perceber que o homem já pisou na Lua e voltou em segurança, mas continua tendo problemas para cruzar a rua e conhecer um novo vizinho [se dar a conhecer sem interesse, ser gentil]. Já mandamos naves para o espaço e podemos vigiar uma boa parte do Universo conhecido usando um grande telescópio, mas não conseguimos navegar com desenvoltura pelo nosso espaço interior. Fizemos grandes coisas, mas não necessariamente as melhores coisas. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dominamos as menores partículas, mas não o nosso preconceito. Escrevemos mais e aprendemos menos. Planejamos mais e realizamos menos. Aprendemos a apressar nosso ritmo, mas não desenvolvemos a capacidade de esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação e produzir mais cópias do que nunca, porém a nossa comunicação está cada vez mais deficiente [incipiente, relegada a segundo plano, deixada de lado, não codificada. Temos preguiça de ir em busca da comunicação e nos "deitamos" à sombra do falar sem parar, sem comunicar, sem preceber, sem sentir e sem sentido. Falamos muito de nós e quase nada sobre nós. Temos vergonha do que somos, porque muitas vezes nem sabemos direito quem somos e qual a nossa capacidade de melhorar e se superar. É mais fácil falar sem dizer e ouvir o que quer. Há momentos em que o silêncio perturba, porque nele é que se manifesta a nossa linguagem interna, que em dias de paradoxo anda gritando para tentar ser ouvida e encontrar sentido. Tornamo-nos tão somente reativos e antiparticipativos na questão da coletividade, porque não dominamos aquilo que é particular e individual].


Esse é o tempo da comida fast food e da digestão lenta; dos grandes homens de pequenos caráter; dos lucros imensos e relações superficiais. Esses são os dias em que existem dois rendimentos e tantas separações; casas incríveis, mas lares quebrados. Esses são dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade duvidosa, relações de uma noite apenas, corpos acima do peso e pílulas que fazem tudo para dar ânimo e acalmar e matar. Reparou que esse é o tempo em que há muita coisa para se ver na vitrine e cada vez temos menos artigos no estoque? Um momento em que a tecnologia pode levar até você um texto como este, por exemplo, e te dar a fração de segundo necessária para decidir se você pretende compartilhar tal pensamento ou simplesmente deletá-lo [do computador e da vida].


Então, é importante que você se lembre de passar algum tempo com aqueles a quem ama, porque eles não estarão ao seu redor para sempre [não somos, estamos. A vida é feita de momentos efemeros e instantes que podem parecer eternos]. Lembre-se de dizer uma palavra gentil a alguém que o admira e o vê como exemplo daquilo que quer ser, porque aquela pessoa pequena logo crescerá e deixará de fazer parte da sua guarda, do seu círculo [e provavelmente vai reproduzir o que viu em você. Atos falam mais que palavras. Gestos ensinam, palavras educam]. Lembre-se de dar um abraço gostoso em quem está ao seu lado, porque esse é o tesouro que você pode dar de coração e não te custará um centavo [quando você abraça alguém com vontade, os braços se entrelaçam em proteção e você encosta coração com coração, que passam a bater numa mesma sintonia, como se agora você possuísse um de cada lado do peito, desenvolvendo a mesma função. O calor do corpo do outro te acalma, a respiração do outro sopra fôlego de vida em seu sistema, suas cabeças se aninham em busca do aconchego].


Lembre-se de dizer, "EU TE AMO" ao seu parceiro e aos que muito quer bem, contudo, mais importante que dizer, é realmente sentir [e o desafio maior é amar àqueles a quem você não quer bem e ainda aos que não te querem bem]. Um beijo e um abraço tem o poder de reparar um dano terrível, isto quando você os oferta de/com toda a sua alma. Lembre-se de andar de mãos dadas sempre que possível e repartir com alguém um momento único, porque qualquer dia a pessoa não estará lá novamente [e nem o lugar e a hora terão a mesma geografia, importância, peso e intensidade]. Dê o tempo ao amor [o amor precisa de tempo para ser trabalhado, despertado, acomodado, encontrado e reencontrado, solidificado]. Perceba o tempo de falar e o de compartilhar pensamentos preciosos que habitam à sua mente.