12.4.09

É Possível!

Foto batizada de: "O Jantar Está Servido!"

Quando eu comecei a trabalhar na terceira revista, tudo foi uma grande descoberta. E dentre todas as novidades que me incendiavam e angustiavam, tive o prazer de conhecer pessoas. O privilégio foi conquistar uma sintonia tão grande com alguns, a ponto de chamá-los de amigos. Um desses profissionais foi o Rod.

Chegar ao estúdio do Rod era encontrar uma turma incrível. Todos que trabalham com ele têm um astral digno de cobertor com chocolate quente em dia de alto inverno. Aconchegante e doce. Eu fazia do Mil Palavras uma continuação da minha redação. A certa altura da convivência, ganhei até um computador para chamar de meu, ao lado do deles! Luxo só.

Houve uma época em que o Rod estava muito triste. Passando por dias difíceis, como todo mundo que tem que gerenciar a si mesmo, o seu negócio, o seu talento e a vida financeira de outros funcionários. Aquilo não me foi dito, mas eu percebi as sutilezas no ar. Assim, todas as vezes em que chegava lá, levava comigo além do trabalho, um ótimo humor. Qual o preço de palavras de incentivo? Nenhum! Talvez apenas boa vontade.

Eu sempre acreditei no trabalho do Rod. Acho um cara sensível e de uma bondade que não tem tamanho. Seu carinho é tão precioso para mim, que a minha vontade era de dar colo. Como ele é casado com uma ruiva espetacular, que é minha grande amiga também, deixei essa tarefa para ela e passei a dar idéias, a motivar!

Sabe o que aconteceu então? Sem esperar, quem ganhou fui eu! Um dia, do nada, o Rod olha nos meus olhos e diz: “Você me faz acreditar que é possível; que as coisas podem acontecer”. Jamais esqueci a frase, o olhar e o impacto que toda a nossa convivência - cujo ápice foi o presente em forma de palavras expressas – me causou. São palavras escritas no infinito.

Eu não posso negar: adoro elogios! Mas quando eles acontecem sem que eu faça efetivamente [especificamente] alguma coisa [de concreto], fico que nem pré-adolescente perto de garotas bonitas: não sei onde colocar a mão. Essa semana isso aconteceu. Um querido amigo deixou uma pedalada incrível para mim e vou dividir com vocês:

“Sinto-me muito à vontade de comentar o texto, até porque a autora já sabe o que penso a respeito de sua capacidade literária. Entendo que o Fernando captou a essência do que esta "mulher", "eterna menina", passa para nós quando nos brinda com suas linhas intelectuais, sóbrias e divertidas, caminhando sempre sobre a linha tênue do bom gosto com primazia ao escrever! Sua competência em traduzir em seus textos para a vida real, com a habilidade de nos transportar para mundo simples e verdadeiro é a meu ver um deleite.A conheço faz pouco tempo, mas de certo parece que foi há cinqüenta anos. Nunca me senti tão feliz por conhecer alguém viciado! Calma gente a própria Bibi falou que é viciada em escrever... rsrsrsA propósito, seria para nós uma grande perda se ela não fosse dependente de seu teclado, caneta, lápis, pena, giz, tijolo ou sei lá o que... Algo com que se possa escrever! Pena que ela mente! Calma de novo pessoal! Alguém que escreve assim não pode se auto-aclamar sem capacidade de “seduzir” ou sem saber fazê-lo. Se o intuito foi falar de conquista, muitas vezes para ser seduzido precisamos estar preparados. Quem sabe os alvos não eram os melhores capacitados para a Bibi?Considero que ser conquistado pela Bibi deva ser uma tarefa árdua! Imagine jantar com alguém com a capacidade pensante desta “menininha”! Pode gerar dor de cabeça considerável em alguns guris... Bom, acho melhor parar por aqui para não me tornar piegas ou bajulador. Sabem como é! Um amigo ou fã apaixonado, se não ficar atento torna-se chato e tendencioso!De qualquer forma, que venham outros dias de chuva ou sol, passeios de metrô ou o que for, amizades ou pães de queijo, mas que tudo de simples e agradável seja motivo e inspiração para termos a Bibi escrevendo para nós. Trata-se de uma BENÇÃO DE DEUS, que desejo continuar recebendo!”.

Não sei o que fazer a cerca dessas coisas. Só posso escrever “um pouquinho”. Muito mais que elogios, eu gosto mesmo quando vocês respondem aos textos, mostrando que leram e que se interessaram ou não pelo assunto... Destacando partes ou comentando se a minha percepção fez diferença para quem lê.

Eu não sei como conheci o Guardião. A gente tinha amigos em comum, se via sempre e um dia falamos: oi! Desde então, somos referência um para o outro. Nunca batemos um papo profundo, mas o abraço dominical é cheio de carinho! Falei do BibideBicicleta para ele. Ele fez um blog também [O Guardião e Seu Reino, que coloquei na coluna da direita]. Demora a comentar aqui, mas quando o faz é sempre esse texto de excelência! Comenta sempre ao vivo, no entanto. Fala de sua bela esposa, que conheci. E agora celebra a dádiva de ser pai, depois de uns dez anos de tentativa. Gol de placa! Vai ser um bebê de sorte, porque carinho o pai tem para dar e vender!

Acertou perfeitamente bem quando se referiu a mim como essa "mulher", "eterna menina”. Sempre me sinto assim. Uma vez, um de vocês me chamou de "mulherzinha". Não de forma vulgar, mas absolutamente provocativa. Por isso escrevi que prefiro ser "charmosinha", como o LCaldas me chama! Acho que nós, mulheres, gostamos dessas classificações com sufixos inho e inha. Cada um em seu momento próprio: amorzinho, xuxuzinho [eu já disse que gosto de escrever com X, porque acho mais charmoso para um apelidinho], charmosinha, bonitinha, queridinha, gatinha... Esse é nosso lado mimosa [sem referência às vacas, por favor! RS].

“Considero que ser conquistado pela Bibi deva ser uma tarefa árdua”. Não, não, não! Peloamordedeus! Eu sou a favor da simplicidade! Não posso usar o blog para fazer propaganda de mim mesma, senão vai parecer “Namoro na TV”! Ou comercial de um produto tipo "mil e uma utilidades". Não sei seduzir mesmo, mas é só para dar aquele toque: “Ei, olha para mim!”. Depois... É... Hum, bem... Deixa para lá! [hihihi] Geralmente me apaixono por amigos, com quem tenho maior confiança e, portanto, cumplicidade. O último “amigo” que namorei, fiquei oito anos junto. As coisas duram o tempo necessário e ninguém sabe que tempo é esse. O último namoro [com um completo desconhecido], no entanto, durou apenas três meses. E foi tão intenso quanto. Juro! Quem pode dizer que é senhor do tempo e da razão? Quem controla a emoção? A vida é feita para viver e para te ensinar a ultrapassar certas barreiras individuais internas e externas. Não dá para fugir! Quem foge, marca passo, trota em espinhos com os pés descalços. Anda na chuva de guarda-chuva rasgado. Mais que isso, eu não preciso revelar, não é mesmo?

O resumo de tudo é: quando você é apenas o que pode ser e não fica preocupado em aparentar o que as pessoas esperam [ou o que você imagina que elas esperam], fica sensível às necessidades de quem está à sua volta e investe uma pequena partícula do seu tempo em fazer o que é bom, em ofertar uma palavra, um ombro, um ouvido, um livro, uma lágrima, que seja, um abraço; as respostas chegam de maneira inacreditável. E elas estão chegando, sem papel de troca. Resposta ao tempo. E eu ainda tenho TANTO a aprender...

Meu Lar

Estava navegando agora de madrugada [nesse feriado, fazer o que?, a inspiração veio dar as suas badaladas sistematicamente antes do alvorecer] e li a seguinte uma frase bem interessantes, mas sem registro de autor:

"Nosso lar é onde o coração não tem medo".

Fui imediatamente capturada. Achei essa frase a minha cara. Abre um leque de opções para tantas considerações que venho fazendo aqui no BibideBicicleta. A família é tema constante e o amor é elemento fundamental, essencial, mola mestra, o fim e o começo de tudo que escrevo e do muito que sou. Onde é o seu lar?

Tem gente que prefere estar no emprego, que em casa. Outros fazem do escritório, do clube, da faculdade, do shopping o seu lar. Há os que estão em casa, mas ainda não conseguiram transformar o seu pedaço de chão na tão sonhada home sweet home. Não é fácil e nem tarefa simples. O que é um lar? Como ele nasce? Existe uma determinante de sentimentos que qualifica o significado dessas três letrinhas reunidas?

"Nosso lar é onde o coração não tem medo". E onde está o nosso coração? Para onde canalizamos os sentimentos "guardados" nessa caixa tão preciosa, tão frágil e ao mesmo tempo tão poderosa? Eu gosto tanto de ouvir a voz do meu coração. Minha cabeça é certinha demais; é a mente que me engana mais que o coração. Mas a combinação de mente e coração - na medida certa - é a soma necessária para resolver bem qualquer equação. A problemática toda se encerra na seguinte questão: onde você coloca o seu coração? Quem o governa?

Quando não temos medo, a vida flui. Ah, como é boa essa sensação! Assim eu me senti hoje na casa do meu primo. Sentamos no chão da sala, em um tapete de couro de vaca [não me peça para explicar! Só sei que a sensação é deliciosa] e ficamos jogando e conversando. Meu corpo ali prostrado, amigos em volta, copos com gelo ao redor e o relógio participando apenas como coadjuvante dessa cena tão gostosa. O mundo lá fora e a nossa turma ali dentro, vivendo a realidade de um lar: confiança, segurança, risadas, teto, aconchego, atitude, conselhos, divertimento, relaxamento, iniciativa, uma leve competitividade, alimento, união, carinho, certezas, dúvidas, respeito, opinião, diversidade. Fiz daquele lugar o meu lar. Faço da Toca da Onça o meu lar. Lá eu me sinto segura, mesmo que eu saiba que ela vai acabar brigando comigo quando deixo as coisas fora do lugar; ou que ela vai redobrar toda a roupa de cama da maneira que ela gosta. Sei que lá sempre vou ter Ice Tea e um colinho; filmes e risadas; um tapete felpudo e um chuveiro forte; minha toalha, minha escova de dente e tudo o mais que eu possa sonhar em precisar.

Fiz da casa do Tom, em NJ, o meu lar. Assim como a da Andrea e da Taty. Sabe onde mais tenho um lar? No coração daqueles que me ganham em um abraço. É na força de um abraço que as coisas começam a se esclarecer, o medo a sumir, o coração a se abrir. Meu lar vai comigo para onde eu for, porque ele é a soma de confiança e amor; teto e aconchego; abraço e sorriso sincero; lágrimas e coragem para me expor. Minha casa é um lar incrível! Somos tão diferentes, mas tão integrados; participativos e únicos; apaixonados e desapegados; solidários e justificados; atentos e tranquilos; esperançosos e libertários; amorosos e cooperadores; instáveis e conclusivos; apoiadores e regeneradores; proativos e defensores; falamos alto e dizemos tudo; temos segredos e escrevemos bilhetes; ouvimos música e curtimos o silêncio proporcionado por uma leitura; temos idéias malucas e fazemos piada; viajamos muito e comemos banana; temperamos com pouco sal e tomamos adoçante. Somos uma família como tantas, mas somos únicos no nosso lar.

11.4.09

Top Five


CINCO COISAS SEM AS QUAIS NÃO POSSO VIVER SEM
1. Deus
2. Minha família / Insulina
3. Amigos e todo tipo de carinhos
4. Escrever
5. Viajar

CINCO COISAS QUE EU COMPRARIA COM R$ 1.000
1. Uma passagem de avião
2. Um celular novo e o resto de balas
3. Roupitchas
4. Um curso de mergulho
5. Presentinhos

CINCO MAUS HÁBITOS
1. Não praticar esporte
2. Dormir até tarde
3. Tomar muito café e Coca-cola
4. Ser pouco crítica
5. Agradar a quem não merece

CINCO PROGRAMAS DE TV
1. Friends
2. ER
3. American Idol
4. Inside Actor's Studio
5. Cilada

Cinco COISAS QUE ME ASSUSTAM
1. Injustiça / Prepotência
2. Solidão
3. Covardia
4. Violência
5. Ignorância

Final Feliz


São duas da manhã. Acabou de parar de chover. O clima está super agradável. Cheguei faz pouco em casa. Estava entre amigos. Filme + pipoca + bar = gente feliz. Eu me sinto em paz. Nada mudou. Tudo parece diferente. Meu Pai está em casa. Minha Mãe fica com os olhos verdes nessa época do ano. Minha Sobrinha veio passar o feriado comigo. Ela tem cabelos vermelhos. Minha amiga/irmã ruiva está voltando para casa. Nos conhecemos em 2002. Nos reencontramos em 2008. Ela morou comigo nesse começo de 2009. Foi um reencontro inesperado. Ela parte carregando as minhas bênçãos. E o desejo profundo de que a vida nunca mais nos separe. Ela vai levando o meu coração. Essa amiga, a Genoud, se muda para mais perto que a Vivi e o Ellus. Amigos vão. Não podemos alterar o rumo natural da ordem da vida. Podemos registrar. E não esquecer. Fotos e histórias. Amor em tabletes. Bolhas de sabão.


Hoje encontrei uma sócia. Hoje eu reencontrei uma amiga. Hoje plantei uma nova semente. E que Deus ajude a quem lança a sua rede com fé. Hoje um cachorrinho ficou apaixonado por mim. Tenho facilidade com bichos e crianças. Quero ser mãe. Gosto de "velhos". Gosto de gente. Gosto de papo. Gosto de abraço. Ganhei um abraço do LMario, que disse que o meu cabelo estava macio e sedoso. Gosto de elogios. Sinceros. Curto olhar o mar. Ir à Disney. Amar, amar, amar. Passear de mãos dadas.



Andei de metrô, de táxi, de ônibus e de carro. Tive idéias bacanas. Fui impactada pela letra de outra música. Registrei aqui. Meus sentimentos. Ganhei chocolate. Almocei pão de queijo. Li minhas pedaladas. Foi um momento gostoso do dia. Queria saber de onde é o Bino? E como ele encontrou o BibideBicicleta? Queria saber quem mais me lê? Queria dicas sobre o que escrever... Ou não? Nunca me droguei. Tomo insulina. Tenho vício de escrever. Gosto de companhia para tudo. Menos para ir ao banheiro. Canto no chuveiro. E fora dele também. Já comi fruta do pé. Gosto de sucos de frutas. Levei pontos na cabeça. E no pe. Não durmo bem em avião.

Lavinia Vlasak
Adoro fazer massagem. Gosto de usar vestidos. Detesto os saltos. Faço uma maquiagem básica. Estou lendo Francis Bacon. E também outros livros. Uso perfume de bebê da Boticário. Gosto de calcinhas coloridas. Quase sempre capricho no decote. Gosto de futebol. Já joguei. Prefiro ficar na arquibancada do Maracanã. Sou Flamengo. Sou da Paz. Já fui a jogos de outras torcidas. E vibrei. Gosto de encontrar a Erika Palomino em eventos de moda. Queria parecer com a Regina Martelli na idade que ela tem. Guardo memórias. Sou independente, um pouco carente e intensamente feminina. Não sei seduzir. Sou seduzida. Tento seduzir. Tenho medo de amar. Mas amo tanto. Amo, amo, amo. Dou liberdade. Peço colo e proteção. Mar, sol, chuveiro e lençol. Caipirinha e Coca Light. New York. Minha casa. A toca da Onça. O condomínio da Déa. O apartamento do Tom. Análise. Sussurros ao pé do ouvido. Beijo no pescoço. Na boca. No nariz. Aprender a mergulhar. A dirigir. A cozinhar. A ver mapas. A fazer malas pequenas. A perder. A justificar apenas o essencial. A pedir ajuda. Dizer não. Dizer Talvez. A cortar bolo.

Linda Evangelista

Queria tomar banho de chuva. A dois. A três. Queria ver o céu estrelado. Queria tomar sorvete. Ou comer pastel. Eu comi pastel! De queijo. Gosto de chupar gelo. E de café bem quente. Queria alguém para coçar as minhas costas. Queria fazer cócegas. Ou fazer alguém rir. Quero escrever um livro. E transformar a vida de outra pessoa. Quero conhecer meus leitores. Na fila de autógrafos. Na mesa do bar. Quero viajar com você. E nosso acompanhante. Já plantei várias árvores. Já ganhei flores de um anônimo. Em público. Já levei toco. O contrário também já rolou. Tentei fazer jazz. Também crochê. Não consegui ambos. Já cantei em público. Já tive 'paixonites'. Ainda as tenho. Sou para fora. Sou tímida. Sou ousada. Sou de me recolher. Sei sorrir. Estou sempre sorrindo. Meu cartão de visitas. Não gosto de ironia. Mas sim de trocadilhos. Nem de topadas que machucam o dedão do pé. Adorei a neve. Também pinga com mel. Nunca traí. Quero conhecer a Nova Zelândia. Pretendo visitar Paris apaixonada. O mundo me espera. As montanhas russas também.


Vamos aglomerar idéias? Vamos transformá-las em ações? Vamos ficar juntos? Pelo menos enquanto você lê esse texto? Feche os olhos por três segundos e pense em renascimento. É Páscoa. Não a do coelho. É tempo de renascimento. E transformação. É tempo de escrever uma mensagem bonita para mim. Para alguém. Para quem está longe. E perto. Tempo de aconchego. E coisas gostosas. Hoje eu me sinto em paz. E te desejo toda a paz. Hoje eu comi tapioca. E dividi a tapioca, como quem divide o pão na ceia. Frases curtas. Gotas de carinho. Intensidade e emoção. Final feliz.

10.4.09

Gimme


"Cause you give me something/ That makes me scared, alright, / This could be nothing / But I'm willing to give it a try, / Please give me something, / 'Cause someday I might call you from my heart, / But it might be a second too late, / And the words I could never say / Gonna come out anyway"

Porque você me dá algo / Que me faz sentir medo / Isso poderia não ser nada / Mas estou disposto a tentar / Por favor, me dê algum sinal / Pra que algum dia eu possa chamar você do meu coração / Mas poderia ser tarde demais por um segundo / E as palavras que eu nunca consegui dizer / Sairão de qualquer jeito

Coisas que eu sei


Ouvi uma música no rádio e imediatamente fui transferida para a essência de seus versos. Dessa, em particular, eu gostei mais da letra, que da música. Poesia que resume pedaços de vida. Separei trechos da canção "Coisas Que Eu Sei", de Dudu Falcão, para a minha [nossa] reflexão.

Eu quero ficar perto / De tudo que acho certo / Até o dia em que eu / Mudar de opinião / A minha experiência / Meu pacto com a ciência / Meu conhecimento / É minha distração...

Coisas que eu sei / Eu adivinho sem ninguém ter me contado.../ O meu rádio relógio mostra o tempo errado

Eu gosto do meu quarto / Do meu desarrumado / Ninguém sabe mexer na minha confusão... / O medo mora perto das idéias loucas

Eu corto os meus dobrados / Eu vejo o filme em pausas / Eu imagino casas... / Eu compro aparelhos que eu não sei usar

As vezes dá preguiça / Na areia movediça / Quanto mais eu mexo / Mais afundo em mim / Eu moro num cenário / Do lado imaginário / Eu entro e saio sempre/ Quando tô a fim...

As noites ficam claras no raiar do dia...


Tanto a dizer sobre isso tudo... Tanto que já disse nas entrelinhas do BibideBicicleta. Eu ando morando nesse cenário. Vejo o bom da noite ao raiar o dia. Sou noturna! [adorei isso!]. Quem vai saber mexer na minha confusão? Minha confusão é meu lado imaginário e meu conhecimento é minha distração, é minha motivação, é meu brinquedo sério. Não sou inflexível nas minhas opiniãoes. Aliás, adoro quando me desafiam a mudá-las. Respeito todas, recolho tudo e só absorvo o que é bom. Sou relativista, humanista, saudosista, sentimentalista e romântica.

9.4.09

Grande!


Ah, gente! Desculpem-me os textos GRANDES. Estou tentando maneirar, porque até eu estou achando demais, mas quando vejo, pum, já foi! Adoro editar texto dos outros, mas os meus... Confesso: sou péssima! Sou vítima! Socorro!

Quero que esse espaço seja um oásis e não um martírio!
Vou tentar maneirar!

Um beijo!

Estréias


Você é do tipo que gosta de estréias? Eu sou. Fico muito nervosa com as primeiras vezes, mas geralmente elas têm um sabor tão especial no instante seguinte! Já percebeu? Repara só! É como se a gente fosse convidado a provar novos sabores a todo instante e depois disso é êxtase, um sentido de curiosidade satisfeita.

Obviamente estou te convidando a relembrar das suas primeiras vezes. Todos nós temos uma história bacana para contar, além daquelas clássicas pelas quais todos passamos [com certa ansiedade]: o primeiro beijo, o primeiro amor, o primeiro (a) namorado (a), a primeira transa, o primeiro fora, a primeira dor de cotovelo, o primeiro funeral [não o nosso, é claro], a primeira vez que teve que falar em público, a primeira vez que viu a cara do seu filho [eu ainda não tive essa estréia, mas imagino que deva ser absolutamente fabulosa]...

A roda da vida vai girando e todo mundo vai experimentando as sensações mais diversas. Cada qual dando dose e valor individual à situação. São momentos particulares, únicos. Eu te desafio a transpor esse instante ao qual chamo de “borboletas no estômago” para pequenas estréias especiais as quais somos entregues seqüencialmente. Por exemplo? Hoje eu fui com a minha amiga Bia Bug a uma loja para que ela começasse a procurar o seu vestido de noiva. Fato é que eu NUNCA havia sido convidada para ser a “dama de companhia” de uma noiva em um momento tão importante quanto este. Cara! É o vestido. THE DRESS. As moças casadoiras sabem bem o peso e a importância desse elemento em todo o ritual que a pomposa cerimônia exige. O noivo, o Franitos, só a verá no dia. Eu a vi experimentando e o mais espetacular, pasmem [as moças casadoiras pasmarão um pouco mais], ela escolheu o primeiro vestido que experimentou. Juro que ficou perfeito! Entrou, fechou, cobriu cada detalhezinho que mulher implica [normal, todas temos e são únicos]. E olha que eu sou muito criteriosa com o look das pessoas. Não é que eu seja exigente quanto ao que o outro vá vestir, mas sei perfeitamente o que cai bem ou não. Mas só reparo quando me pedem opinião. Eu gosto de olhar olhos, rosto e sorriso [boca]. No mais, um bom papo já me transfere para uma outra esfera de realidade. E o vestido da Bia Bug estava uma belezura, como diria uma amiga.

Então você pode torcer o nariz e me questionar: “mas isso lá é estréia?” É como eu sempre digo aqui, tudo depende do olhar que a gente lança sobre a vida. A minha é cheia de histórias, porque procuro guardar a melhor essência de pequenos grandes atos, como o de hoje. Foi diferente e foi maravilhoso. Foi simples, mas achei tanta beleza em estar com ela naquela hora. O que você tem feito na sua vida, que te dá essa sensação de estréia? Buscar esse sabor é encontrar motivação para continuar a caminhada. Não se espera por um dilúvio para tomar um gostoso banho de chuva.

Olha só: eu lembro da primeira entrevista que fiz. Faz séculos. Eu também sei exatamente qual foi a primeira reportagem publicada: a estréia de Marília Gabriela no teatro com Esperando Beckett, direção de Gerald Thomas. A sensação foi super gostosinha. Depois veio a primeira entrevista pingue-pongue, a capa, a exclusiva nacional. E assim a minha estrada profissional foi se formando e consolidando. Há uns seis meses, no entanto, voltei a fazer uma coisa que teve sabor de estréia, mas não era. Fui convidada para ser debatedora em um programa ao vivo. Já tinha feito isso em outras oportunidades, mas minutos antes de entrar no ar, meu corpo inteiro tremeu de ansiedade. E que “balançada” nervosa e gostosa. Já não topava com o sabor de desafio desde não sei quando... Foi especial e me incentivou a buscar por isso mais vezes. Não sempre, porque ninguém suportaria viver nesse estado constantemente. Mas não é que existem pessoas que correm atrás desse momento perpetuamente? São as do tipo que não têm sossego e ficam atrás de uma completude que deviam encontrar em si mesmas.

Sabe do que mais? O primeiro beijo é incrível [nem todas as primeiras vezes foram como e no tempo que eu esperava, mas todas foram sensacionais, graças a Deus], mas a gente volta a ter beijos de estréia toda a vez que encosta os nossos lábios nos lábios de um novo alguém. O beijo é uma marca pessoal [e deliciosamente intransferível], quase uma assinatura da alma, eu ouso a dizer. E você pode ser desafiado a beijar a mesma pessoa de formas diferentes, com sabores múltiplos, em lugares especiais. “Ela só pensa em beijar, beijar, beijar, beijar...” Não é isso, gente [ok, não é SÓ isso gente]! O que eu mais quero com esse texto é que você desfrute de pequenas e boas estréias em vários momentos da sua vida. Como a que eu tive hoje. E espero que a vida seja generosa o suficiente para te ofertar grandes e inesquecíveis estréias também. Eu espero por muitas pela frente. E tentarei compartilhar o melhor de cada uma delas com vocês. Enquanto eu tiver fôlego!

Mulher Noturna


Há um pouco mais de um mês eu resgatei uma amizade linda! Era uma borboleta, mas ainda estava no casulo. Esse casulo foi o tempo de decantação necessário para que o que era "embrião" tomasse forma e se formasse da melhor forma.

Quando nos conhecemos eu era uma menina e ela dava um passo importante na sua vida de mulher. Quando nos vimos uma outra vez, ela me deu o anzol e não me deixou morrer da fome de existir. Nos reencontramos mulheres. Temos uma vida para colocar em dia e o assunto parece não se esgotar. Somos feitas do mesmo casulo. Somos borboletas que querem alegrar os jardins. Temos a necessidade do sol. Estamos trocando luz. E o nosso tempo juntas tem sido de tanta qualidade, que uma alimenta a outra, de forma que essa troca seja justa. Ninguém se oferece mais do que deve, ninguém recua mais do que gostaria. Ninguém deposita valores ocultos com medo de que eles venham faltar. Ou pesar. Valores são fiéis da balança.

Depois do nosso primeiro encontro nessa nova fase, nossas vidas começaram a ganhar ritmo. Entramos na mesma sintonia. Talvez ela saiba que seja o meu colo seguro e esse foi um grande passo para mim. Confiar cegamente. Mas a minha contribuição na vida dela tem sido maior que a intenção de qualquer palavra que eu oferte no papo, no olho no olho, no colo, no ombro amigo. Ela diz que eu a fiz retirar muitas coisas de dentro do baú [emocional]. E me peguei fazendo o mesmo. Ela diz que foi na estante e desceu livros. Tempos mais tarde, lá estava eu repetindo a mesma ação. Dessa vez, não na liguagem figurada. Organizar a casa de fato, nos ajuda a organizar melhor a burocracia da vida e encontrar os epicentros dos sentimentos. Sejam eles de que natureza forem.

Nessa busca literal [de coisas palpáveis] achei um texto do filósofo e poeta francês Gaston Bachelard, que reume bem uma das linhas de pensamento que modulam a minha conduta. Ou a tentativa de. Descrevem fatos concretos de sentimentos fluídos, com linguagem poética para fins consistentes.


"O instante é algo inteiramente diferente. Ele é trágico, pois só pode renascer com a condição de morrer. O instante já é solidão, que nos isola de nós mesmos e dos outros, pois rompe com o nosso passado mais caro. E o tempo é a consciência dessa solidão. Donde a coragem impor-se como a necessidade de luta contra a solidão. É assim que temos acesso aos homens e às coisas. Nós somos nossa decisão. Nossos valores se inscrevem no término de uma ação, pela qual nós fazemos os instantes que vivemos, quer dizer, nosso tempo. Devemos nos definir pela tendência que tivermos de nos ultrapassar e de nos transformar. Dois caminhos se apresentam: de uma lado, a ciência e a técnica vencem a solidão criando um prolongamento de nós mesmos e uma sociedade; do outro, a poesia e a imaginação libertam-nos da servidão da história e das referências da memória, para fazer-nos descobrir homens e coisas. O homem é ao mesmo tempo Razão e Imaginação. Não há ecletismo, mas dualismo ascético. Por isso, a obra de Bachelard se apresenta como uma dupla pedagogia: da Razão e da Imaginação. Não devempos confundir essas pedagogias: há o homem diurno da ciência e o homem noturno da poesia."

* Trecho de Gaton Bachelard, retirado do livro "Introdução ao pensamento epistemológico", no capítulo que trata sobre a epistemologia histórica.

8.4.09

Cinco Mil


Estou gostando muito de ler sobre as reações do post anterior. Os comentários são inspirados e inspiradores. Posso estar errada, mas no fundo, o que a gente mais quer é encontrar alguém para sossegar. Ou não?

Não há fórmulas. Também não acredito que existam relações fracassadas. Em cada uma delas a gente aprende e ensina; a gente se testa e cresce. Por mais que um rompimento doa, sempre existe uma lição, uma visão, uma boa memória. Não há fracassos, o que existe é o que você quer para a sua vida ou não. Pior é quando um quer e o outro não. Mas até nesse descompasso a gente aprende. Administrar sentimentos: eis o que há de real! Olhar para si e para o outro também.

Embora a questão aborde tantos outros pontos; não posso deixar de reparar que vivemos um tempo de descompromisso. E isso é tão inaceitável, porque influencia a sua vida e a de tantos outros. Muitos não sabem quem são, como saberão o que querem para o resto da vida? Outros observam defeitos [todos temos] e acham que durante o processo vão conseguir mudar a pessoa. Ninguém muda ninguém! Só quem tem o poder de mudar algo em você é você mesmo. Se você quiser e realmente perceber que um passo em outra direção faria muito por aquele objetivo maior que move a sua vida. Claro que o amor transforma! Mas é preciso querer, mais que pretender. Até nesse ponto a parceria é importante. O compromisso de amar e de saber deixar alguém te amar. E confiar nesse sentimento.

Aproveito o post para celebrar as CINCO MIL visitas em tão pouco tempo! Vamos contando juntos, porque a alegria é nossa! Merece ser dividida!

Obrigada pelas mensagens tão carinhosas em relação à história da minha família. Verdades tão íntimas... Um fino tecido transparente que revela a minha alma e me desnuda por inteiro.

BEIJOS!

7.4.09

"Minha Vida"



Hoje eu fui ao hospital ver o meu Pai.
Fui chegando de mansinho, meio atrapalhada, porque ele havia mudado de quarto e eu tentava visualizar as plaquinhas indicativas.

Antes mesmo de encontrar o meu destino, eu o avistei. Ele e a minha Mãe estavam sentados em um banco, na varanda que fica no corredor principal. Fiz meu trajeto em slow motion, porque a cena era tão bonitinha de se ver. Ele, de pijama, chinelo e cabelo despenteado, carregando seu potinho com o dreno. Ela, toda arrumadinha em um daqueles conjuntos de Vó, cabelos bem penteados, relógio, óculos e mãos dadas. Ela lia para ele. Ao me aproximar, ambos sorriem. Não é cena rara. Pode até ser rara no mundo de hoje. Para mim, essa é a lei natural da vida. Não é apenas um momento de hospital.

Tem horas que a gente pensa que de internação só vai sair coisa ruim. E então você percebe que não. Nesses dias eu tenho experimentado momentos muito intensos com a minha família. Todos os dias, nós somos "obrigados" [por força das circunstâncias adversas] a conviver durante duas horas. Assim vamos resgatando histórias, momentos e entramos em um clima ainda maior de intimidade e prazer. É amor e confiança renovados. E a gente estende esse amor através de atos de muito carinho com o seu José, que é o companheiro de quarto do meu Pai. Amor não compartilhado é apenas zelo. O amor transborda e é eficaz!

Na hora de ir embora, meu Pai quis nos acompanhar até o elevador. Fomos caminhando lentamente. Ao passar pela enfermaria, uma das meninas de plantão perguntou: "o senhor volta, né?". Meu Pai brinca: "vou só ali em baixo tomar um café e volto". A enfermeira ri, olha minha Mãe e pergunta a ele: "quem é essa mulher linda que está com o senhor?". Ele responde: "Essa é a minha vida". Todas as enfermeiras suspiram alto. Eu também. Meus pais não são melosos, são práticos. Minha Mãe é até durona. Mas, depois de 46 anos de casados, ouvir que "esta é a minha vida"... É sinal de que amar vale a pena nas dificuldades e nas vitórias. Amar vale a pena em todo momento, porque o amor é companheiro. Assim eu sinto e vejo; assim eu desejo viver... Um dia!

O Grande Momento


Continuo revirando os "guardados" aqui de casa. Hoje, entrei pelo armário onde tinha armazenado todas as coisas da faculdade e afins. Lá também arquivava umas lembranças apaixonadas: fotos, bilhetes românticos, cartas de amor, cartões, faixas de aniversário, minha primeira boneca, cartas & mais cartas [sim, as de papel, escritas a mão e mandadas pelo correio! Troquei muitas cartas antes de me fixar definitivamente no e-mail]. Lembranças de toda a sorte.

Joguei tanta coisa fora! As lembranças mais importantes ficam na nossa mente. Algumas eu guardei [confesso a incoerência, porque somos todos assim], porque não confio integralmente nos meus neurônios! As mais importantes ou as mais queridas. As representativas também ficaram: meus boletins escolares e as duas faixas de Miss Simpatia que ganhei em duas excursões: uma nacional e outra internacional. Yeah, baby! hihihi

Nesse mergulho no passado, encontrei um texto que adaptei. Não lembro qual era a celebração, mas sei que o li em público por algum motivo [muito provavelmente na época da formatura da escola, o antigo segundo grau. É brutal falar isso!hahaha]. Vou colocar as duas versões [mais justo], porque acho muito carinhoso dividir com vocês.

O Grande Momento
por Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)

A varanda era batida pelos ventos do mar
As árvores tinham flores que desciam para a morte, com a lentidão das lágrimas.
Veleiros seguiam para crepúsculos com as asas cansadas e brancas se despedindo,
O tempo fugia com uma doçura jamais de novo experimentada Mas o grande momento era quando os meus olhos conseguiam entrar pela noite fresca dos seus olhos...


O Grande Momento
por Bia Amorim
(adaptação da obra homônima de Augusto Frederico Schmidt)

As árvores eram batidas pelo vento da lembrança
Que tinham folhas que desciam para a morte
Como a lentidão das lágrimas da saudade.
Veleiros seguiam para crepúsculos com as velas rasgadas e brancas, porque tinham que seguir o seu destino.
Pássaros alçavam seu primeiro vôo em busca de liberdade, deixando para trás seus ninhos, onde nunca mais iriam voltar.
O tempo fugia pelas mãos com uma doçura jamais de novo experimentada.
Eram apenas presenças marcantes, que acabaram virando imagens, vultos, sombras e lembranças, que nos caem no esquecimento.
Mas o grande momento será quando os seus olhos conseguirem encontrar aquela mesma luz dos meus olhos. Então seremos eu e você: mestre e aprendiz.
Então a lembrança há de se tornar viva outra vez. Muitas folhas já caíram, mas a semente brotou.
E aquela avezinha que partiu de seu ninho pode reencontrar aquela que lhe ensinou a voar. E juntas, à sombra de uma nova árvore, viverão o grande momento.

Sem Repetir!


Hoje eu li que um jornalista repetiu o ato de jogar o sapato em uma autoridade, só que agora foi na Índia.
Ah, que coisa mais sem criatividade!
Xerox ideológica não faz o menor sentido!
Ele podia manifestar o seu repúdio de forma mais criativa. Vamos às opções:

A) Ele podia soltar um barbantinho cheiroso.

B) Ele podia estourar uma garrafa de Coca-Cola e molhar o sujeito, igual campeão de Fórmula 1 faz no pódio. Coca-Cola é a representação do Imperialismo e é mais barata. Jornalista é sempre duro...

C) Torta na cara já está muito batido [mas é sempre eficiente. Faça o mesmo ato, mas com sabor diferente!].

D) Podia tirar a cueca e jogar na cabeça dele. Cueca indiana com perfume local!

6.4.09

Citações


Existe um site de frases, que divulga o ranking das personalidades mais acessadas. Achei a lista dos dez mais procurados, no mínimo, curiosa. Eis os autores e as frases que EU mais gostei [escolha pessoal e aleatória]:

1 – William Shakespeare
“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que às vezes poderíamos ganhar pelo medo de tentar”

2 – Albert Einstein
“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”

3 – Friedrich Nietzsche
“Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões”

4 – Aristóteles
“A amizade é um alma que habita em dois corpos; um coração que habita em duas almas”

5 – Antoine de Saint-Exupéry
“O que conduz o mundo é o espírito e não a inteligência”

6 – Ernesto Che Guevara
“Devo dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por sentimento de amor”

7 – Abraham Lincoln
“Nenhum homem é bastante bom para governar a outro sem seu consentimento”

8 – Charles Chaplin
“A vida não é significado; a vida é desejo”

9 – Bob Marley
“A vida é para quem topa qualquer parada, e não para quem pára em qualquer topada”

10 - Carlos Drummond de Andrade
“Ah o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porque...”

5.4.09

Cauã Rey!

Foto: Guto Costa / www.gutocosta.com


Quando escrevi o post sobre Roberto Carlos (AQUI), Moratelli me deu a grande idéia de publicar no BibideBicicleta a matéria que não tinha ido para as bancas. Só que a história com RC era muito antiga. Nem saberia mais dizer onde aquele texto foi parar. Só que, pensando nisso, vi aqui a oportunidade de postar matérias que eu fiz e que não foram para as revistas da maneira mais completa. Assim, meu trabalho não se perde!
Meu encontro com Cauã Reymond se deu em duas etapas. A primeira delas, foi uma entrevista em um restaurante da Barra da Tijuca. Eu cheguei e ele já esperava por mim. Pediu um sanduba com suco e fomos batendo papo. A entrevista toda foi assim: uma conversa gostosa, olho no olho. Cauã não foge às perguntas e pensa bem antes de falar. Gosta de explicar os pontos. É preto no branco. A entrevista parecia ter sido tão rápida, que ele pegou a minha lista de perguntas [sempre peparo uma, mas sei conduzir o papo sem me ater a ela] e repassou uma a uma, pedindo por mais! Eu ri.
Desliguei o gravador e não me despedi dele. Continuamos ali, falando da vida, filosofando no restaurante natural! Ele gostou disso e disse que pela primeira vez não se sentia usado. Teve a chance de se dar a conhecer e de conhecer também. Foi algo além do óbvio.
Dias depois no reencontramos no estúdio do Guto Costa, um fotógrafo queridíssimo! Cauã beija e abraça a todos da equipe. É um cavalheiro! Eu e o Duh, maquiador, ficamos hipnotizados com tamanha beleza e simplicidade. A câmera parece estar hipnotizada também. Os registros todos são excelentes. Foi um encontro que ficou marcado. A matéria foi publicada na Revista Estilo de Vida. Aqui no BibideBicicleta vai a cereja daquele bolo! Algo além do que foi publicado!


Foto: Guto Costa

Cauã Reymond
Ele consegue equilibrar força e sutileza numa mistura perfeita. “Eu me reinvento sempre”. Cauã Reymond tem sede de vida e faz questão de beber das melhores fontes. Aos 28 anos, já foi campeão de jiu-jítsu e escreveu poesias; trocou o esporte pela arte e fez sucesso; figura na lista dos mais bonitos, mas quando pequeno usou roupas de segunda mão por falta de grana; hoje, compra nas melhores grifes, mas quando vai à praia, cata o lixo que os outros deixaram. “Não sou onipotente, tenho inseguranças também. Acho que bem-resolvidos são os que reconhecem seus limites e fragilidades”, diz Cauã, o Halley da novela A Favorita. A boa forma exibida no vídeo guarda um segredo: ele tem uma horta em sua cobertura e consome sempre o que cultiva. E assim como quem aprendeu cedo a arte de podar, ele gosta de medir as palavras à dizer. Sem pressa. Não por medo ou vaidade, mas em um exercício para definir-se da melhor forma. “Gosto das palavras, porque também escrevo. Quero deixar registrado o que é belo e bom”.

Qual a sua palavra favorita?
Calma. Gosto de tudo com muita calma. Tenho meus momentos mais tensos, mas me sinto amadurecendo bem. Vou observando a vida de um outro ponto de vista, com novos dados de realidade, mas sem perder a esperança. Por exemplo, tenho 28 anos, mas com 20 tinha os mesmos sonhos, só que meus dados de realidade eram outros. Então a minha palavra favorita seria calma diante da maturidade. Hoje acho que momentos valem mais que dinheiro, mas nem sempre foi assim. Trabalhava sem parar e deixava de desfrutar uma festa de família, um papo olho no olho, a presença da minha namorada [ele namora há cerca de um ano a atriz Grazi Massafera].

Você costuma dizer que a criatividade é o carro-chefe da relação. O que faz para surpreender?
Vou do clássico, que é dar presentinhos e flores, até um convite inusitado para um passeio de bicicleta, que é o que tenho feito com a Grazi. São coisas simples, mas que enriquecem a relação. Quanto menos elaborado, mais vezes você poderá realizar. Patrocino momentos de comunhão, mas também incentivo a independência. Numa relação, quanto mais você relaxa, mais fica junto. Companheirismo me dá pé no chão, que é parte do meu signo. Sem essa sensação não vamos a lugar algum.

Acredita em horóscopo?
Hoje em dia sim, mas fui cético durante anos. Minha mãe, Denise Reymond, é astróloga e acho que nunca gostei por birra. Ela dizia: “meu filho, você está no seu inferno astral!” [risos]. Sou Touro com ascendente em Peixes e lua em Leão. Faço meu mapa astral todo começo de ano.

O que os astros falam sobre o Cauã?
Coisas boas [risos]. O horóscopo é um oráculo; ele não dá certezas, mas orienta a prestar atenção em certos aspectos, fala que você vai ter facilidade em alguns campos e isso vem me servindo bem. Esse ano estou no retorno de saturno, ano de mudanças. E que elas venham e sejam palpáveis!

Você gosta de coisas palpáveis então?
Gosto de ter base para algo acontecer. Todo mundo gostaria de pular certas etapas, mas isso não existe. Elas servem para construir. A minha intenção é de permanência e não de passagem. Em relação aos produtos de uso pessoal, por exemplo, gosto dos que tem qualidade, que não quebram. Compro pouco, mas o melhor.


Foto: Guto Costa

Como você vê a moda atual? Que produtos ou grifes te seduzem?
Uma das coisas mais bacana da moda atual é que existe uma constante. Por mais que a coleção traga novos olhares, a boa e velha dupla calça jeans e blusa preta não sai de moda. Gosto da Diesel, da DSquared, da Forum, tênis da Nike. A Reserva tem um estilo descontraído. Percebo também uma tolerância maior em relação aos estilos. Ninguém mais acha estranho um cara cheio de piercing e tatuagem. Não me enquadro em um estilo só, me arrumar não é um problema.

E cuidar do corpo é mais complicado?
Não. Não tenho os músculos saltando. Corro na areia, pedalo e faço musculação para proteger contra lesão. Pego onda regularmente e passo protetor 90, além de usar manga comprida para evitar marcas. O cabelo fica péssimo, mas tem um limite entre prazer e vaidade. De vez em quando a Grazi me dá um xampu e diz: usa esse que vai ficar com o cabelo cheirosinho. Eu obedeço! [risos]. Tomo suco de sol de manhã – uma bebida orgânica feita de frutas, verduras, legumes, hortaliças e grãos – com os ingredientes que planto na horta da minha cobertura. Tenho uma nutricionista, Isabela Toledo, e um personal que é ex-treinador da Seleção Brasileira de Vôlei, Renato Meirelles. Gosto de estar cercado de gente que entende de esporte, porque a minha vaidade é saúde. Aliás, todo ator é vaidoso de alguma forma.

Como está sendo interpretar o Halley de A Favorita?
Meu personagem tem a mesma leveza do protagonista trambiqueiro do filme Prenda-me Se For Capaz [2002, dirigido por Steven Spielberg]. Li também uma matéria em uma revista americana que falava de um casal super bem-humorado, que enganou todo mundo durante quatro anos, mas foi preso. O Halley também é um conquistador. Eu fui mulherengo por pouco tempo, só até encontrar alguém legal. Tem gente que termina uma relação e se em seguida encontra alguém bacana, não namora, porque acabou de ficar solteiro. Eu não sou assim e não tenho crise por isso.

O que a profissão de ator te ensinou de mais precioso?
Uma das coisas mais interessantes que aprendi foi ver que o mundo não é a continuação de mim mesmo ou daquilo que raciocino e isso me enriqueceu. Às vezes, a gente tende a achar que as pessoas e as atitudes são uma continuação nossa. Quando dou uma opinião, gosto de frisar que não estou generalizando. Não por educação, mas porque acredito que tem gente que é feliz de uma forma completamente diferente da que escolhi para mim. Acredito na felicidade das pessoas.

Meus Versos


Olha que legal!
Estava revirando o meu armário de documentos. A missão era resgatar a papelada para fazer o imposto de renda. Essas nossas obrigações tão chatas e tão burocráticas. Eu não encontro tudo de que preciso, mas... Encontrei uma pasta com umas poesias que costumava fazer. Que tempo precioso foi aquele! E que facilidade eu tinha com rimas e com poemas, palavras bonitas encadeadas em um texto sem a preocupação com estilo ou combinação.

Separei duas – que não titulei, só datei! – para mostrar a vocês.

19/04/1998
Quem nunca teve um sonho pra correr atrás?
Quem é que nunca quis ousar
E não se achou capaz?
Quem é que nunca brincou com fogo
E se queimou?
Quem é que nunca amou?

Quem é que teve fantasias
E as realizou?
Quem é que procurou alguém
E se entregou?
Quem é que não procura a esperança
Pra continuar?
Quem é que sabe ama?

Quem é que sabe do vento
Mesmo sem o ver?
Que mistério há
Entre o eu e você?
Quem é que conhece tanto
O seu interior?
Quem é o amor?

Quem nunca derramou lágrimas
De contentamento?
Quem nunca quis dar ordem
Pra parar o tempo?
Quem nunca dançou na chuva
Para se molhar?
Quem nunca deu seu coração
Pra simplesmente amar?

22/01/1996
O ponto pode ser o começo de tudo
De um traço a um risco, de uma frase
Letras, expressões, códigos são um traço
Uma vertente de algo que se passa

Pena e papel, um traço, um risco
Uma vida se vai desenhada no papel
É tinta, é pena, é pincel no papel
É a vida vivida, é o relógio correndo
É o vento soprando, emaranhando o cabelo

A vida é feita de toque
Toque de recolher, de amar, de beber
Sentimentos: eis aí o que se pode falar
Xiii! É segredo, é secreto, é o mar...

Liberdade é saber se expressar
É um ponto, é um pingo no branco papel
É sentir, eu não sinto!
É falar, eu não falo!
É saber, eu não sei!
É se dar, eu não minto!

Voa, voa papel e tinta
Vai lá e pinta. Pinta um pingo
Pinta um ponto nessa ponta de papel
Risca a vida, conta um conto
Seja livre, seja a pena , seja o começo
E seja também o fim. Ponto.

Tiros


É fato que o ser humano tem uma tendência para o mal. Não saberia nem discutir as minúcias do que faz separação entre aqueles que escolhem o bem e os que simplesmente colocam-se no centro de tudo e passam por cima da maior das leis: o amor!

A tríade do amor: a Deus, ao próximo e a si mesmo é uma combinação capaz de reger o universo. Cada qual em suas doses perfeitamente equilibradas, porque a exacerbação de um delas pode causar fanatismo, obsessão, egoísmo e egocentrismo. Uma trinca intrínseca e representativa, individual e de escolha constante, cuja fina capa que encobre a nossa alma é constantemente abalada e tentada por essa tal tendência a fazer as escolhas erradas. O que gera suas consequências, ora tremendas, ora imperceptíveis, mas de ação “dominó”: quando você se dá conta, um leve toque coloca as pedras todas ao chão.

Levantei toda essa reflexão por causa de um assunto que quero falar a alguns meses, mas que não havia elaborado de forma certa. Infelizmente, chances não faltaram. A motivação? O vietnamita Jiverly Wong entrou no prédio da American Civic Association, na cidade Binghampton, no estado de Nova York (EUA), com duas armas e matou 14 pessoas, antes de se matar. O provável motivo do crime foi o fato dele ter perdido o emprego e de ter dificuldade em aprender a língua inglesa. Entre os mortos, estava o professor brasileiro Almir Olimpio Alves. Uma ação hedionda lá, que afetou um de nós brasileiros e a tantos outros seres humanos. Não é um caso isolado!

Para falar a verdade essa modalidade de assassinato já está virando [como direi?] uma tendência. E ela não é restrita aos EUA – embora lá a incidência seja maior – mas uma hecatombe internacional. Sinceramente? Quem não está farto de ouvir que um tresloucado com uma arma na mão invade um lugar, faz um monte de vítimas inocentes e se mata em seguida? Estou cheia disso! Toda hora ficamos sabendo de um novo caso.

Essa barbárie com certeza é motivada pela desvirtuação da trinca de amor que eu falo lá em cima! A pessoa é contrariada ou na escola, ou perde o emprego ou perde o que ela considerava uma grande paixão e o passo seguinte é descarregar o pente de uma arma em seu alvo e em tudo mais que está em volta! O que é isso, gente?

O dado de realidade é alarmante. Só esse ano os EUA já contabilizam sete casos como esse! Eu me sinto voltando ao tempo do bang-bang ou até mesmo ao tempo das cavernas, onde a lei da sobrevivência era uma simples escolha entre matar e morrer. Aqui não estou falando de guerras – em campos de batalha ou as urbanas, que são as que matam mais, mas não são declaradas – mas, de uma complexa teia que vem se formando na cabeça das pessoas, na qual apenas a sua vontade prevalece. Do contrário? Bomba! Ou melhor, tiros, tiros, tiros, gritos, morte e sangue.

O que é isso? Auto-afirmação? Falta de amor próprio ou um ego excessivo, que não dá a mais ninguém o direito de escolher pela vida? Não acho que essas atitudes sejam motivadas somente por uma loucura ou insanidade. Na verdade, acredito que a sociedade está colocando nas ruas uma geração de pequenos tiranos, mercenários de um reinado local, territorial, bairrista. Destituídos de boa índole, dos desdobramentos da palavra amor, em sua intensidade e significância real, não vivem, sobrevivem até a primeira oportunidade de fazer justiça com as próprias mãos. No tribunal da vida, esses nunca assumem o papel de réu, são os algozes tiranos julgam uma instituição chamada vida e condenam o resto do mundo pelos problemas que lhe perturbam a alma.


Se uma casta de homens-bomba já não fosse o suficiente para habitar a nossa preocupação! Agora, nós somos obrigados a viver assolados com a possibilidade do aparecimento dos homens-tiros, cujos alvos são todo mundo e ninguém em particular.

What a day!


What a day!

*Fui ver meu Pai no hospital. Vou te contar: o sorriso que ele deu ao me ver chegar foi a coisa mais linda que já vi! Ele ali numa fragilidade incrível, mas todo transformado em amor. Flashes de vida que ficam registrados na memória.

* Já contei para vocês que eu tenho carteira [carta] de motorista, mas não dirijo? Affe! Tenho ainda tantas histórias para contar para vocês! Quando penso que a fonte está secando, começo a tirar a poeira da cachola e descubro que ali ainda existe um tantão de registros. E a cada dia faço um ou alguns novos. Um dia quero falar desse medo, não hoje!

* Contei sobre o fato de não dirigir, porque hoje eu e a Onça fomos a uma festa que nos tomou uma hora para ir e uma hora para voltar no busão. Se a gente ficou duas horas na festa e ainda formos contar que teve o tempo da espera do coletivo urbano social de baixa renda; o tempo de deslocamento foi maior que o da execução do fato pretendido! Tudo bem... Tricotamos horrores e rimos muito! Já reparei que na presença de amigos, a gente tem essa tendência de ficar com o sorriso "frouxo". Eu tenho...

* Tenho uma nova Ciclista! Uma nova Interfriend: LuB... Ela assinou Luciana B, mas vocês sabem que eu transformo gente como a gente em personagens íntimos do BibideBicicleta. É quase uma tradição! LuB: você está em casa, puxa uma almofada e senta no chão com a gente!

* Ontem fui checar a caixa do correio. Só peguei contas e propagandas. Falei com o porteiro: "Chico, só vem conta!" Na mesma hora eu pensei lá com meus botões: "tem zilhões de tempos que eu não recebo uma carta!" Nem no Natal, porque quando chega alguma coisa é aerograma dos Correios! Há quanto tempo vocês não recebem uma cartinha daquelas escritas a mão, especialmente para você? Será que o e-mail está matando esse tipo de troca? Aqui em casa tem uma caixa de sapato onde eu costumava guardar todo tipo de "bobagem adolescente" que me escreviam. Achei uma carta que mandei para a minha família em 2002. Letras, fatos, emoções e fotos. Relíquia!

* Foi um rompante. Mas, de súbito senti vontade de deitar na areia de uma praia para contar as estrelas. Olhar o céu e buscar por um momento especial de paz. Ouvi a batida das ondas do mar. Sentir o vento constante a me envolver a pele. Um lugar tranquilo e seguro, onde meus pensamentos encontrem espaço para voar sem maiores preocupações. Queria uma boa companhia, um bom papo. Queria mesmo um corpo que me abraçasse e ajudasse a contemplar o silêncio, deixando apenas que o som das nossas respirações ditassem o compasso da viagem além das palavras. Tive algumas experiências parecidas, nunca uma desse tipo, mais fácil. Uma vez, contemplei o céu em um dos picos da Floresta da Tijuca. Dormi lá e acordei antes do sol nascer. Dei bom dia ao astro rei que se espreguiçava lentamente, nos ofertando seus raios de luz. One by one. Outra vez, estava com o então namorado numa festa em um barco na Marina da Glória. Ficamos olhando as luzes de Natal que enfeitavam o Hotel Glória do meio do mar. Noite gostosa. Cena do filme da minha vida. E ainda tenho tanto para contar!

* Termino o dia com vontade de abraçar a cada InterFriend. Ciclista. Leitor do BibideBicicleta. Apenas aqueles que não achem ridículo expressar carinho publicamente. Vamos nos abraçar em sonhos, porque é a minha hora de dormir! “Um bom sono pra você e um alegre despertar”!

4.4.09

Viking!


Começou meio sem querer. Outro dia estava "namorando" a porta da geladeira, pensando se devia ou não abrir. Foquei melhor a minha atenção. Entre os ímãs ali dispostos, encontravam-se alguns de países diferentes, como Rússia, Israel e Escócia. Vindos dessas regiões. O da Rússia veio como gift de Natal de uma amiga querida, natural daquele país. O de Israel foi uma viagem e o da Escócia foi lembrancinha do Mestre Honey, que desbravou aquelas regiões no começo do ano.

Mestre Honey ficou fora durante um mês. Conheceu vários lugares ali na Grã-Bretanha – País de Gales, Escócia e confins das terras dos que tomam chá com babados e cartolas. Em alguns momentos dessa expedição, ele pintava pelo MSN e a gente fazia contato. Era importante saber que ele continuava respirando! Hihihi. Um dia, foi ele que me chamou e disse: “Eu daqui não posso acessar o Orkut. Entra lá e vê se tem recado para mim?”... Hahaha... E eu fiz! Direitinho! Tudo que seu mestre mandar: faremos todos! E se não fizer? Levaremos um bolo!

Certo dia disse que estava na Escócia.

- É mesmo? Terra de John Knox.
- Mentira? Você sabe quem foi John Knox?
- Sei. Reformador Protestante.
- Acabamos de passar pela John Knox House!

E foi da John Knox House o meu ímã de geladeira!

O melhor da história ainda estava por vir! Se não me engano, foi em York quem ele viu pelas ruas dezenas de vikings marchando com arma numa mão e escudo na outra. Todos em direção ao campo, onde a batalha seria travada. Não era uma invasão bárbara, mas a celebração da cultura anglo-escandinava. Festival Viking! A “coisa” toda lá é levada super a sério! E quem perde “a parada” sai chateado [bom, melhor que sair morto, não acham?]. Reviver as glórias do passado é legal, mas não vamos exagerar!



Eu achei a história e as fotos o máximo! Devem ter essa mesma sensação em relação ao nosso Carnaval ou até melhor, em relação ao “duelo” entre o Boi Caprichoso e o Boi Garantido, lá no Festival de Parintins!

Ciclistas! Viajar é uma ação extraordinária! Talvez a única coisa da vida que a gente leva é a vida que a gente leva! E viajar é viver em intensidade de sensações. Eu gosto muito! E viajo até na viagem dos outros [hehehe]. Como estive fazendo em relação ao périplo de Mestre Honey.

3.4.09

Turma Legal


Não me leve a mal... Acho que estou compulsiva pela escrita... Nunca fui assim! Houve um tempo, nos primeiros seis anos da minha carreira [que não é tão mais longa assim, abafa!] em que eu escrevia todos os dias. Fazia matérias, as minhas. Escrevia relatórios ou transformava a apuração dos outros em texto pronto para publicar. Era frenético. Depois a coisa toda acalmou e eu perdi o gosto e a pegada!

Agora simplesmente estou "apegada" às palavras. No dia que pensei em parar de fazer o BibideBicicleta, eu me dei conta de que seria apenas uma punição a mim mesma. Não um desejo real. Expressei o pensamento, mas não o tornei fato. E nesse mesmo dia, um novo leitor [para mim, pelo menos] se apresentou: o José Bino. Foi aí que as minhas garras foram colocadas para fora. Naquele texto, gostei especialmente da frase: “Quem estou não tipifica quem sou”. Eu estava triste, porque meu pai ia passar por uma operação [e foi e já está tudo bem]. Fernando disse que eu tenho palavras no meu DNA. J25 sempre deixa claro o quanto essa tela é janela para a vida dele. Saulo se sente mais perto. Luke não me deixa morrer de saudade. Moratelli me desafia. me inspira. Ju Aquino bate-bola. Sambeira, Eli, Bacana, Cris, Bia Bug, Romero, AV, ... Somos tantos e ainda somos tão poucos. Fico feliz demais, gente, porque a média de acesso é de mais de 100 pessoas por dia. Direto e sem vacilar. Mas isso aqui tem a vocação de ser tão maior! E eu não desisto!

"Sonho que se sonha só; é só um sonho que sonha só. Sonho que se sonha junto é realidade"! Obrigada por transformar a minha realidade em doces palavras.

We are Family


Família. Por mais que digam que essa é uma instituição falida ou em estado de decomposição; por mais que o seu conceito estrutural tenha adquirido novos significados; eu acredito nessa unidade básica. Creio, com todas as minhas forças, que esse grupo social primário influencia e é influenciado perpétuamente e que, por mais que os apocalípticos teóricos pseudo-modernos tentem esvaziar o seu sentido único e inequívoco, ela sempre permanecerá como um elo forte e estrutural da formação humana.

Família. Eu sonho em formar a minha, assim como meus pais um dia fizeram. E a essa nova união de corpos - almas, mentes, intelecto, experiências, necessidades, carências, vivências e interesses - eu chamo de núcleo primário. Ou seja: eu deixo o núcleo primário formado por meus pais, irmãos e eu, para formar o meu. Isso não quer dizer que os abandone, mas a relação se transfere para um núcleo secundário [e de muito valor, claro!].

O antropólogo e filósofo francês Lévi-Strauss faz uma diferenciação quanto aos tipos de relações pessoais que se apresentam numa família. A “aliança”, formada pelo casal; a “filiação”, entre pais e filhos; e a de “consanguinidade”, representada pelos irmãos. E eu me atrevo a inserir nesse contexto [que obviamente algum teórico fora do meu conhecimento já o deve ter feito], os amigos que a gente transfere para esse círculo e os animais de estimação [eu acredito sim que eles façam parte da família e exerçam o seu papel dentro do clã]. Já falei em muitos outros posts sobre como tenho amigos que são a minha família escolhida. E dentre esses membros, uns interagem com os outros ou não, mas com cada um há um código estabelecido.

Teorizando e colocando de uma maneira racional, o que é a família, senão uma forma de organização que se interrelaciona de maneira específica e recorrente à fim de promover proteção e socialização? Emocionalmente, a família é provedora de uma segurança incrível em relação ao futuro. E foi esse fato que me motivou a escrever o texto. Meu núcleo secundário é formado de gente muito velha. A minha convivência maior é com os filhos dos meus primos. Um deles, em especial, o Saulo. Essa semana ele me escreveu: “Estou lendo seus posts e pensando que cada vez que entro aqui eu me sinto mais unido a você! Já há algum tempo que você é a pessoa da família mais importante que tenho! Acho que poderia viver o resto da vida distante dos outros, mas não de você! Fica comigo para o resto da vida? Promete?!” [desculpa por exibir a intimidade]. Um texto apaixonado como esse [e a recíproca é verdadeira] só me leva a crer que família é muito mais que uma fadada coincidência de gens. É um querer estar com os seus e com aqueles que lhe são oferecidos pela vida ao longo da história. Esse mesmo acordo que eu tenho com o Saulo, fiz com o Luke, um amigo. O comprometimento do amor é um laço tão maior que uma questão genética... E acho tão bonito, quando o ser humano tem a chance e a coragem, sobretudo, de tomar essa decisão de amar além de qualquer fronteira.

Marcia Stanhope identifica em seu livro - Teorias e Desenvolvimento Familiar – algumas funções desse núcleo: gerar afeto, proporcionar segurança, aceitação pessoal, estabilidade e socialização, oferecer satisfação e sentimento de utilidade, assegurar a continuidade das relações, impor valores, autoridade e sentimento do que é correto. Oi? Gente, onde foi parar tudo isso? Será que é por ver uma sociedade [e seus núcleos primários] tão caótica em relação aos seus sentimentos e interrelações, que há os que acreditam que a família é algo passageiro? Tão pior seria se assim fosse...

O que existe, na realidade, é uma pressa desenfreada de viver a não-vida. O substrato do que ela acabou se tornando em função de múltiplos acontecimentos. Tudo está correndo numa velocidade quase alucinante. Ninguém se repara mais ou reflete sobre si e sobre os outros. Não há tempo para a contemplação e a busca de um conhecimento interno mais profundo! Então, o que se passa para as gerações futuras são pequenas porções do muito que se poderia ser ou ter. É mais fácil embrulhar e passar para frente os esteriotipos que nos empurram goela abaixo. Pior é que dizem que gestos falam mais que palavras e o maior gesto de todos - repetido infinitamente lately - é o abandono à própria sorte, pela falta de tempo de ser e de observar. Parece não existir mais o apoio emocional para a resolução de problemas e conflitos. Este é relegado a professores, orientadores, psicólogos, brinquedos, computador, um outro qualquer...

Fácil falar, né? Eu tenho mesmo que ser questionada, uma vez que não tenho filhos. Contudo, antes do seu questionamento, há o meu questionamento interno [que agora se externa] em relação a tudo que me cerca. Procuro dentro de mim espaços de conhecimento. Mexo e remexo conceitos para formar bases sólidas do novo-eu que se cria periodicamente. Talvez agora eu esteja experimentando a busca mais profunda que já tive na vida. E que bom que tenho essa possibilidade e essa grandeza comigo mesma. A gente tem tanta dificuldade em se permitir. Estou em busca de mim e do que há em mim. E tudo que espero é encontrar-me mais lúcida e forte, preparada para distribuir o que tenho de melhor ao fim do processo. Começando pela minha família, que busco na ânsia e na insistência de não deixá-la se perder. Está tudo aqui e estão todos aqui, dentro do meu olhar.

2.4.09

Mentiras Sinceras

"Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas poções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam"

Dois de abril já está terminando e eu nem vi o dia primeiro passar. Melhor dizendo, eu só me dei conta de que era o dito "Dia da Mentira" tarde da noite. Não tive ânimo para tocar no assunto. Na hora eu achei um tema muito batido.

Hoje, refletindo, achei que era "ranhetisse" de velha que masca fumo no canto da boca. Cuspi. Faço a linha urban caretinha, não dou selinho "prafrentex", mas também não sou adepta dos falsos moralismos. Todos nós mentimos. Sistematicamente. Pelo menos as mentiras ditas sociais. Outros, já na fase do desbunde da cara de pau peroba max, vivem suas mentiras e contam lorotas como se grandes verdades fossem. Há os espertinhos, espertalhões, hipócritas e os "coisa-ruim-mesmo-sô"!

Pela passagem do Dia da língua malévola, eu me lembrei desse refrão da música do Cazuza e Frejat: "Maior Abandonado". Mentiras sinceras me interessam era um verso que me confundia muito. Primeiro, achei sem coerência. Depois, passei a questionar o motivo de alguém se interessar por algo que faltava com a verdade. Hoje? Ahhhh! Já sei! Às vezes você quer viver uma mentira sincera por força da circunstância. E se essa mentira é comum de dois, na verdade, ela é uma verdade velada. O tipo: "a gente finge que não sabe e segue". E dito isto, a frase anterior fica ainda mais genial: pequenas poções de ilusão!

Não gosto de me pensar: raspas e restos. Mas se a gente olhar com cuidado, somos todos! Sempre carregamos de embates, encontros e relações anteriores migalhas dormidas! Mas quem disse que isso precisa ter o saldo ruim? Se existem raspas e restos é bom que alguém trate de colher ou recolher. Escolha um bom padeiro para sovar a sua massa e fazer um pão quentinho!

Mentiras sinceras me interessam! Mas mentiras sinceras não me interessam sempre! Verdades veladas me confundem e me deixam anestesiada. Dessa forma não consigo pensar e funciono em slowmotion! Tem dias que quero ser um tipo de pessoa por apenas aquele dia. Amanhã já quero ser diferente. Não, não se trata de um caso de múltipla personalidade, como a da protagonista de Irmãos Coragem! Pode até ser o meu lado dramático querendo se expressar. Mas eu acredito que a gente carregue dentro de nós personagens de nós mesmos. Cada um preparado para uma situação específica. Não são máscaras ou caras; mas um código de conduta e reação. Existem dias que quero ser selvagem e em outros, me resguardar. Há tempo de timidez e também o de muito falar. Há momentos de olhares e também os de não consegui fixar o olhar. Uns dias quero abraço e em outros quero beijar. Geralmente os dois. mas também tem o momento do nada! Nada de satisfaz. Tudo me interessa. Eu sou eu e sou tantas dentro de mim. E vou descobrindo cada uma delas. Todas iguais, mas cada uma com uma nuance diferente. Especial. Muitas a descobrir.

Deu Zebra













- Ei, ei, ei!!!!
- O que foi???
- O que? [É o que?]
- Se liga que vou contar uma parada para vocês!
- Fala! [- Diz, diz]
- Acabei de fazer um post enorme e o computador deu pau! Perdi um texto giga! Estava confiando no "salvar agora" do blogspot e deu zebra!

- Ai, que chato!


1.4.09

Autumn

Autumn in Bavaria by Kandinsky

Uma sorte grande que eu tenho é essa: ter amigos inteligentes, cultos, viajados, que são verdadeiros observadores da vida. Muito deles são bem diferentes de mim. Muito até. Contudo, o que poderia nos afastar é justamente o que nos une. Gosto de coisas que acrescentem. Não gosto de fazer nada por fazer ou só porque todo mundo faz [ou até porque estão me mandando. Se a minha vida fosse militar, seria difícil, embora eu aprecie demais quem segue a carreira]. Até o ato de me entregar a preguiça tem que me acrescentar algo que faça sentido. Mesmo que seja o nada fazer, o descansar, o olhar para o nada, ficar nua e com a mão no bolso.

Tenho acompanhado o blog de gente que escreve bem. E escreve com a alma. Só essa semana, muitas surpresas tive. Moratelli falando de "Dom Quixote em Cuba"; a Ivy escrevendo sobre seu "encontro com Gordon Brown" e sobre a sua teoria do "The Zero" [que vou adaptar e trazer para cá assim que der de tão maravilhosa que achei]; Eliane e Sambeira falando de amor, dos encontros, dos desencontros, da vontade de amar, do desejo de ser amada... Coisas que me encantam!

Um encantamento especial, no entanto, me tirou do lugar comum. E é esse texto que pretendo destacar aqui. Minha amiga e jornalista Carla Ghermandi escreveu algo tão genuíno em seu blog, o Entre Aspas. O título é "Gostos e Sensações". Ela traça paralelos sobre as preferências e as sensações que elas nos causam. Tipo? “Entre o outono e o inverno, escolho o frio. O outono nos brinda com belos fins de tarde, clima ameno e fartas colheitas, disfarces ideais para uma estação transitória, que, penso, não diz a que vem. Muita gente também não diz a que vem... Dispenso sorrisinhos. Adoro gargalhadas” [só um aperitivo, porque o texto na íntegra, só indo fazer uma visita no espaço da autora].



Gosto do outono. E muito. Acredito que no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, as estações não são bem marcadas. O que é uma pena. Já passei um “Outono em Nova York”, título de um belíssimo e triste filme com a Winona Ryder e Richard Gere. Belo e Triste não são palavras que necessariamente se chocam. Há coexistência. E o outono lá é uma beleza. O frio começa a chegar manso, mas em um crescente ininterrupto. Fiquei maravilhada de ver as folhas ficando amareladas e caindo. O Central Park, que já é em qualquer tempo um espetáculo aos olhos, se transforma em puro deleite. No céu, no chão, ao redor, em todo lugar. Camiseta para o dia e casaquinho para a noite. Bom para tomar café ou chá ao ar livre. Acho chique. Ambos!

E por falar em chique, vamos voltar ao texto da Carla. Lá, ela cita o artista plástico Wassily Kandinsky. Adoro pesquisar referências nessa área. Confesso: tenho muito pouco conhecimento dessa parte, por formação e interesse. Há algum tempo, no entanto, as telas andam me atraindo, quase que para dentro delas! Amei Kandinsky. E confessei [no blog dela] que talvez eu seja mesmo abstracionista: na arte e na vida. Minhas palavras dizem mais que suas construções simplistas. Para conhecer é preciso mergulhar. Fundo.



Essa semana um amigo meu disse que eu podia exercer um pouco o meu poder de síntese. Confesso que isso me chocou um pouco. Não fiquei chateada com ele, de maneira nenhuma. BUT... Às vezes você oferece salmão, para quem só quer comer sardinha. Pura opção! Comecei a pensar que havia algo errado comigo – não é a primeira vez que dizem isso, afinal. Mas não há. O que existe é um combinado sem fim de "Gostos e Sensações", como escreveu a Carla. Eu sou assim e há quem goste de mim. Que bom! Porque o gosto é bom e a sensação, melhor ainda! Como a de tomar um café durante o outono no Central Park. Bem acompanhada. Hummmmmmmm...