2.8.10







Frase



Quero escrever um texto sobre morte e paixão. Ainda não sei muito bem como começar e nem que caminhos seguir com a palavra escrita. Quero escrever sobre morte e paixão, porque são duas coisas que causam medo. Apavoram. Fascinam.

Espero por compreensão.



Estou aqui tentando conversar com os meus botões. Que noite complicada para esse tipo de diálogo.


- Qual?


Aquele que você trava com o seu interior e elege seres inanimados para fazer a vez do ouvinte mais próximo. O ouvinte interno são botões.


- Metáfora mais batida...


Eu sei. E não ligo. A conversa também não tem nada de novidade, não existe ineditismo em muitos dos meus questionamentos internos.


- Roda gigante?


Estou mais para carrossel, se a comparação é para ser feita com alegorias infantis. Infantil é essa espécie de dor que me perturba, com efeito. O que eu escrevo tem relevância para alguém mais que a mim mesma?


- O que é um blog afinal de contas?


A vida alheia pode ser mais interessante que o passar dos nossos dias. Não acredito, no entanto, que fazer um diário de mim possa acrescentar grandes coisas à vida do outro. Só então me lembro que os semelhantes se socorrem em suas agruras. E que o fato de não ser sozinho numa questão é algo que traz bastante alento.


- Não somos únicos.


Mas somos sim, únicos nos detalhes da nossa experiência. Cada qual com seu peso e sua medida. Cada um carregando seu fardo, sua dor e seus feixes de alegria, que é combustível para dias com nuvens.


- Dias com nuvens?


Pode acreditar que não. Dias sem botões. Noites sem alento de um frescor que inebria e entorpece. Uma existência/resistência que beira à bobagem. Falta uma direção, embora eu saiba instintivamente qual o rumo certo. Não trago comigo a força das exatidões. Deixo sistematicamente pelo caminho reservas importante e tento me abastecer do sol.


- Mas em dias de nuvens?


Em noites de lua também. Noites de lua sem luar. Escrevo na necessidade real de tentar organizar o que penso e registrar o que vivo/vivemos (todos). Quando apenas sou, não me ordeno. Sentimentos embebidos no caos do existir. Ficar e partir. Ser e sentir. Deixar e sorrir.


- Escreve o hoje então!


Hoje? Hoje já passou e não houve troca. Hoje foi silêncio de revolta. Hoje a confusão dos pensamentos se avolumou por entre a intenção da ordenação proposta pelas palavras. Hoje eu nem escrevi algo que valha. Espero por compreensão. 


Dito isso: retirou-se.

:)



... E se a tempestade não passar
 Aprenda a dançar na chuva...

Entre Aspas


"O jornalismo era difícil, mas havia a literatura, 
amante fiel, iluminando seus dias" - Paula Dip

Parabéns à minha querida Joss, que faz aniversário hoje. 
Uma das leitoras mais fiéis, que sempre me incentiva e me estimula a continuar com recadinhos constantes. 
Moça, você faz diferença!

Quando eu já achava que as minhas pobres palavras já não seduziam mais uma alma virtual que fosse: tcharam!
Eis que surge no pedaço a Olivia, nossa Ciclista número 102.
Presença ilustre para acompanhar as atualizações do BibideBicicleta.
As perguntas são as de sempre: 
De onde você veio? 
Como chegou até aqui?
E antes de mais nada: welcome girl!

  "Foi a fossa: eu passava o dia inteiro na redação forçando uma objetividade e uma concisão jornalística, para de noite tentar retomar meus textos, minha linguagem tortuosa e elaborada" - Caio Fernando Abreu

Plantão

Domingo eu estava de plantão. Fui parar no Jockey Club para acompanhar o GP (Grande Prêmio de Turfe). Bem, não era exatamente a corrida de cavalos que eu estava acompanhando, mas a moda das mulheres na Tribuna de Honra. Quer saber como usar e combinar - ou não - um look com chapéu? (AQUI

Erika Mader por Léo Ramos para o iG Moda


1.8.10

Next Stop...



HEAVEN

29.7.10

Labirintos internos





Eu me considero "tímida". Assim mesmo, entre aspas, porque sou cheia de mistérios insondáveis, de questionamentos caretas, atitudes internas e ao mesmo tempo aberta às novidades e a espontaneidade diante da vida. Eu sempre olho nos olhos e em alguns casos sustento ou desvio o olhar. É quando a timidez se apresenta com ou sem aspas... 


Vivo e sobrevivo envolvida nas minhas questões, nesse mundo imenso e cheio de detalhes que criei para mim dentro do peito ou no recôndito da memória. Existe um lugar em mim, um lugar assim de se estar. Existem labirintos tantos, tortos, nesse meu universo particular... 


Tenho dedicação à palavra escrita e fascinação pela palavra dita. A palavra dita a tempo certo e escrita em termos exatos. Chaves para acessos das variáveis idiossincrasias. Tenho dedicação por escrever, tanto quanto tenho dedicação por mim. Pouca até, diante de tanto desejos incontestes e inconfessos. Escrever é dom, fardo, sina. Pensar é escrever com mente em tintas de fumaça não-espessa: some na leveza de um instante; marca na velocidade de um átimo. 


Escrevo para libertar fantasmas; escrevo para aprisionar momentos que se vão antes que se percam. Vivo para ser registro e deixo marcas que aspiro indeléveis em sua bondade expressa - pelo menos na intenção de querer ser sempre melhor ou querer sempre o melhor de mim, de ti, de nós. 


As suas palavras colorem o meu dia e transformam a minha realidade interna e a aparência externa - na consequência da ação involuntária. As suas palavras preenchem meus labirintos e me norteiam à real direção: ser alguém melhor, maior em espaços internos, mais valente, mais forte, mais consistente. As suas palavras me transformam em frases, que transformam pessoas. Sou amada por elas: as pessoas transformadas, as palavras transportadas. Sou.      


   

28.7.10

Eu não cismo com o coração

Acho o cúmulo alguém acreditar que eu possa cismar com uma pessoa que está na minha vida e para quem abro o meu coração sistematicamente. Meu coração é um terreno que cabe muitos, mas poucos tem acesso amplo e irrestrito, porque conservo os meus mistérios, como quem guarda um tesouro raro. Eu não cismo com as pessoas. Cada um tem a sua escala de valores dentro de mim e ninguém é mais ou menos. Mais ou menos é preguiça de classificar as pessoas e eu valorizo a troca que tenho com cada um que passa e deixa algo. Outros apenas passam e não são mais ou menos, são passageiros com os quais também não cismo. Eu não cismo com pessoas ou sentimentos, eu cismo com ideias e ideias se perdem, se transformam ou se executam, que por assim dizer é uma forma de se transformar em algo palpável. Quem está na minha vida tem peso e é ou não é de forma bem definida. Eu não cismo com o coração, ok?

Ouvi hoje





Tive esse diálogo hoje e achei a frase genial!


- Pô, perdi o sono essa noite!


- Não se preocupe, você o encontra ao longo do dia...


Hahahahahaha
"Tai" a maior verdade :)





News Copa




Três matérias especiais estão saindo do F-O-R-N-O! Foi uma espécie de série de reportagens que tem como elo o meu querido Copacabana Palace, lugar tão lindo, tão emblemático e palco de grandes eventos que já cobri.


Para que gosta de acompanhar o lado A:

1) Casar no Copacabana Palace é um desejo apoteótico


2) Uma noite no Copa é alternativa possível


3) Cenas de um casamento no Copacabana Palace

27.7.10

The way I like it






A Voz do Coração

Muitas vezes parece-me glorioso ouvir um coral de cinquenta ou cem vozes em que há harmonia. Mas, quando há uma pessoa desafinada, posso ouvir aquela terrível voz prejudicando o coral todo. Minha vontade é que o desafinado fechasse a boca. Entretanto, muitas vezes, aquele que está cantando fora do tom pensa que a sua execução está maravilhosa. Ele não consegue ouvi-la, mas os outros conseguem...


 Em seu livro “Minha Força Diária”, Samuel Doctorian falava sobre a importância da unidade no corpo de Cristo (a igreja) e usou uma ilustração a respeito de um coral para dar ensejo à mensagem. Sempre leio esse livro, que traz pequenas lições cotidianas, antes de dormir e foi justamente esse trecho que me tirou do lugar comum. Vou voltar mais uma vez no tempo e pegar emprestado o tema que a Aline (Step Tops To Be) levantou para o blog: solidariedade.

Não sei se já contei por aqui, mas durante muito tempo eu fiz parte de um coral (de vários ao longo da vida e de nenhum atualmente). Minha voz e ouvidos foram sendo treinados para a música desde muito pequena: cinco ou seis anos. Harmonia, melodia e ritmo. Quando tinha nove anos, comecei a ganhar pequenos solos em trechos de músicas, mas só vim a ter coragem de soltar mesmo a voz anos mais tarde. Gosto de canto coral, de atividades em grupo.

Já pós-adolescente, fazia parte de um coral que era composto, em sua maioria, por gente décadas (duas ou três) mais velha que eu. Para mim nunca foi um problema estar entre pessoas mais experientes. Na verdade, achava (e acho) um barato. E em coral, principalmente com gente mais velha, a palavra que reina é solidariedade.

Com vozes, digamos, mais desgastadas ao longo do tempo, é natural que aconteça o que o trecho que separei lá em cima destaca. Um instrumento quando usado em demasia, tende ao desafino. Aconteceu comigo, claro. Não era eu quem desafinava, que fique claro também (uia!). Nosso coral era ótimo, um clima terapêutico imbuído de música, que eleva o espírito, e muita amizade, que enleva a alma. E uma ou outra pessoa que escorregava em sol maior. Com esplendor.

A Lúcia era assim: um coração enorme e uma caixa torácica poderosa, mas a afinação... E ela ficava bem ali perto de mim. Como sou baixinha, sempre era posicionada na parte da frente da fila de apresentação do coro. A Lucia se postava ao lado direito na segunda fila. Ela praticamente cantava dentro do meu ouvido e tinha a voz forte. E desafinada, coitada. A maestrina tentava e a coisa não fluía. Mas a Lúcia sempre foi uma guerreira.

Um dia, totalmente na camaradagem, resolvi me postar ao lado dela. Passei a cantar dentro do seu ouvido. A gente não era do tipo que sabia ler plenamente uma partitura, mas eu ia com o dedo mostrando o sobe e desce das bolinhas, que marcavam as notas. Eu e a Lúcia ríamos a beça disso. Ela era a mãe de dois grandes amigos à época.

Acho que ela nunca aprendeu o do-ré-mi-fá, mas e daí? Cantar enlevava seu espírito e nos garantia uma ótima companhia. Anos mais tarde, ela descobriu que estava com câncer. E a música, muito mais que diversão ou louvor, passou a ser parte de um processo terapêutico. Lúcia cantou até o fim e antes de ir deixou clara a sua gratidão, contando aos meus pais que eu a ajudava a levar a sua voz até o céu, perto de Deus.

A Lúcia se foi já faz anos. Mas a sua história permanece como mostra de que solidariedade desinteressada – e que, portanto, só assim é solidariedade – redunda em benesses muito maiores que aquela que a gente possa vir a imaginar – porque esperar retorno também é uma espécie de desvirtuação da solidariedade, embora a gente aja como se ela fosse inerente.

Mas hoje, quando vejo um coral, lembro dela. E quando alguém desafina, eu não me aborreço. Sorrio para cima. Porque a voz dela, fosse como fosse, sempre estaria bem perto de Deus, porque a Lúcia cantava com o coração.

Roinc

Há quem volte a ser criança colecionando álbum de figurinha da Copa.
Hoje voltei a ser criança com um presente trazido pelo meu Pai:


"Bem ali em cima da mesa ele estava. 
Paradinho me esperava
Ele, tão bonitinho:
O meu cofre de porquinho" :)



26.7.10




"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens" - Fernando Pessoa

Valha

Ai gente...
Quer escrever alguma coisa que valha a pena.
Só anda pensando coisas do cotidiano e não quero fazer disso aqui um diário, embora o seja.
Hoje recebi um NÃO de uma coisa que queria muito.
Sabe o que fica?
A certeza de que este ainda não é o caminho;
A paz de se estar onde Deus quer que eu ande;
A tranquilidade de entendeu que não sou eu que controlo o tempo;
A razão para continuar sonhando.
Não estou triste.
Só estou na estrada.

Um selinho



Recebi esse SELO da minha querida Joss  com um carinho imenso. Não gosto de corrente, mas gosto de carinho e consideração. E os tenho de sobra também. Esse SELO quer dizer que: "Este Blog merece um troféu". Que bom!


Assim como ela, digo que a qualidade quem ajuda a fortalecer são vocês. Tento fazer melhor, porque sei que têm olhos para me ler e que tem mentes para refletir juntinho - concordando ou não com a premissa, já que aqui é o espaço para a troca de ideias e respeito.


Bom, de acordo com as regras da blogosfera, ao se ganhar um selinho, deve-se repassá-lo para dez pessoas. Eis a minha lista:


News: Matheus Costa


Matheus Costa aos 12 anos:
"ainda nao dei o meu primeiro beijo"

25.7.10

Dorzinhas



A última viagem que fiz foi para Maceió no começo do ano (contei para vocês / Foto by Onça). Meu corpo clama por férias e basta eu negligenciar o descanso, por força maior, que ele grita e me joga de cama de uma maneira nada satisfatória. Motivos de força maior que a mente posso arquitetar: os mistérios do corpo humano.

24.7.10

Press

Foto: Léo Ramos para o Delas


Queridos, mais uma matéria bacana que eu fiz. Dessa vez fui me encontrar com a vice-presidente da Clinique, uma rede de cosméticos e produtos dermatológicos que está em mais de130 países. Conversamos em inglês, o que sempre me deixa muito feliz, porque me dá a chance de treinar mais um pouquinho. Ganhei um convite para tomar café com ela quando for a NY! Que fofa. Espero que gostem da matéria: Uma bela pele pode ser criada!

21.7.10

And the Oscar...



"Viver é a coisa mais rara do mundo.
A maioria das pessoas apenas existe"
- Oscar Wild


20.7.10

19.7.10

Para DeK: a generosa corajosa



Nas Pedaladas de Aceito Pela Sociedade, a DeK me escreveu:

Bibi, atrasada mas presente..rs Talvez eu seja bem radical, ok? Não chego ao ponto de achar necessário, mas,sim, normal.


E não falo isso sem embasamento nenhum nãooooo. Falo, infelizmente ou não com certa propriedade... com experiência mardita, doída, sofrida mesmo, de quem já viveu uma traição, perdoou, viveu de novo e até desistiu de um casamento.. que 'cousa'. Nada fácil e orgulhoso, mas por isso, digo agora que, pra mim, não é mais novidade.


Depois disso,parei de pensar se é certo ou errado. Tentei ser prática pra sofrer menos ou não sofrer mais por esse motivo. As pessoas têm o direito de ser feliz, de sentir prazer, de viver em busca disso? Ok. Aceito! É assim que penso hoje, que vejo a minha história com um ex que ainda faz parte da minha vida como alguem que especial durante mais de oito anos. Nada de mágoas, juro!Ele foi em busca daquilo que não tínhamos.


Concordo com a questão da lealdade porque talvez ele tenha me machucado da pior forma: além de trair, sustentou. Já me disseram que o problema maior da traição é o CIRCO ARMADO. É tudo que se faz para trair.. concordo com CarolD: é deixar a 'cama' atrapalhar um relacionamento duradouro. Agora, se a coisa que no início era só pele, durou dias, semanas,meses.. se a cama virou sentimento, acho que a pessoa tem o direito sim de tentar ser feliz com outro alguém. Repito- tentando fazer isso da melhor maneira.. se é que é possível. Mas acho que é sim.


Se me permite, não me considero mais uma moradora desse conto de fadas. Felizmente ou não, passei pro outro lado.. digo que tive acesso ao mundo real. E acredite: não sei se quero que as pessoas conheçam esse mundo. Não sei, por exemplo, se contaria uma traição. É uma dor quase insuportável. Fica aí mais uma questão....

MINHA RESPOSTA

Dek:



Não importa quando, o importante é estar presente sempre.
Outra questão que levanto aqui não é a de que existe um lado certo ou um lado errado: o que existe é o ponto de vista de cada um com suas opiniões e histórias que ao serem compartilhadas aqui – o que eu acho de uma grandeza e generosidade imensas – devem ser respeitados por mim. E eu respeito a sua história.


Acho triste (doido) ser traída. Acho ainda mais triste (vergonhoso) trair. São dores diferentes, mas são dores em potencial. São abdicações de algo que é caro, mas a sociedade nos força a achar que é algo apenas circunstancial.

E não digo ai que estejamos livres do mau passo. Ninguém está. Cabe a cada um de nós vigiarmos os nossos próprios caminhos e escolhas, entende? Ainda creio na máxima: “não fazer ao outro aquilo que não quero que seja feito comigo” ou ainda naquela de “mostrar a outra face”. E nessa segunda frase, não é mostrar que você pode fazer diferente apenas, mas também mostrar que a sua vontade pode prevalecer diante da força dos acontecimentos em contrário. Respeitar o outro é respeitar a si mesmo e vice-versa. E nesse respeito cabem todas as questões que regem o código da sua vida. Ninguém é igual, mas você tem que ser você essencialmente. E não abrir mão disso! Mas estar aberta para avaliar novas possibilidades, podendo dizer sim ou não. E quando a gente descobre que pode dizer NÃO... Ah, essa é uma descoberta fabulosa também!

Perdoar é algo tão transcendente. Eu tenho a maior facilidade de desculpar, mas cismo de não esquecer com tanta facilidade. Uma característica, eu diria. Traição (de laços romântico-afetivos) não é novidade mesmo... Mas reitero a ideia que a gente só deve aceitar o fato se vier mesmo do coração e não daquela razão que nos aproxima de um fato generalizado.

Gosto quando você usa a frase: “Tentei ser prática pra sofrer menos ou não sofrer mais por esse motivo”. Eu tento sistematicamente sofrer menos pelas coisas. É então que começa um treino enorme de mente e coração. Mas não quero crer que para sofrer menos eu tenha que abrir mão de sentir, de ser espontânea, profunda, coerente e fiel ao outro e aos meus princípios. E mesmo pensando dessa forma, não me coloco no pedestal do Olimpo (Όλυμπος) daqueles que estão livres de maus passos. Mas quero crer que estarei sempre disposta a voltar para a estrada que considero a certa, a minha.

Não sei bem se moro em “Contos de Fadas” como muitos acham e eu escrevi; não quero crer que viva em um laboratório de condições ideais de temperaturas e pressões controladas... Só quero ser personagem da minha história e não daquelas contadas por outros.

Kyra Gracie

Kyra Gracie na praia do Recreio, Rio. Foto: Selmy Yassuda 

Essa foi uma daquelas matérias muito boas de se fazer (e você pode encontrar no Delas). A Kyra Gracie é um assombro no tatame: tetracampeã mundial de jiu-jitsu. E se lutando ela é uma fera de garras rosas afiadas, no trato one-o-one ela é uma pessoa doce e bastante tímida. Nos encontramos na casa dela e foi um dia frio no clima (eu fui para a praia de botas e casaco de lã e ainda morri de frio, enquanto a moça posava em clima de alto verão com sorriso no rosto), mas com um calor de um bom encontro. A entrevista começou meio tensa, mas virou um grande bate papo. No final ela disse: "foi a melhor entrevista que já dei". Isso me faz bem. Espero que vocês gostem :)

18.7.10

A Sala de Espera




Perguntei nesse post assuntos sobre os quais os Ciclistas poderiam se interessar. Talvez fosse uma tentativa de voltar a fazer crônicas que não necessariamente tivessem a ver comigo. Mas sabe de uma coisa? Viver também é contar histórias: aquelas que a gente vai experimentando, por estar mais atenta a um tema, ou aquelas que passaram e por um dado de realidade acabam por voltar à memória.


Pois bem... Nesse post a Aline (Step Tops To Be) levanta todo um questionamento sobre solidariedade. O desafio do tema é bom, porque eu gosto de alterar a lente da percepção do lugar comum... Ela queria que eu abordasse todo um questionamento amplo sobre a palavra. Não pude, no entanto. Sabe por quê? Esse blog não tem a pretensão de elaborar conceitos e questionamentos distantes ou inventar histórias que não sejam as acontecidas de alguma forma. O mais legal é que a vida está mesmo aí para provar que todo tema cabe, é viável e é possível, basta estar atento.

A última sexta-feira foi um dia bem atípico. Acordei bem mais cedo que o normal e fui fazer um exame chato. Precisava de um tempo curtinho de internação, sedação, exame e fim. Estava agitada demais, só que internamente. Por fora parecia calma e até sonolenta. A sala de espera estava cheia de gente. Pensei que fosse ser aquele calvário até chegar a minha hora... Daí vem a vida ensinar, que ser solidário é também dar chances à história do outro. Ouvi vários relatos de tanta gente interessante, que o tempo passou menos opressivo:

Um senhor de luva – achei a roupa estranha, mas ele contava que era diabético e que estava ali também para fazer hemodiálise. Era um cara divertido, apesar das agruras. Contava casos e dizia que não precisava de muito dinheiro, que ser feliz era só uma questão de fazer as escolhas certas.

A senhorinha – Já estava ali sentadinha quando eu cheguei. Falava pouco e baixo. Tinha o corpo muito magrinho, era toda miudinha. Quando a paciente gorda saiu da sala de exame, trôpega, ainda trocando as pernas, elas se sentaram lado a lado. A senhoria então falou pela primeira vez:

Senhorinha: Você está se sentindo bem?

Gorda: Estou sim, só um pouco tonta.

Bibi: A senhora está com medo do exame? Fica não, é simples...


Senhorinha: Não, minha filha. Eu já sou freguesa desse exame! Só achei que ela estava muito frágil e estou tentando ajudar...

E tentando ajudar, ela contou que tem 80 anos e que tem alguma coisa na coluna, algum tipo de hérnia, que se ela operar tem grandes chances de não mais voltar a andar. E ela contava, então, que ia vivendo como Deus queria, seguindo um tratamento que começou aos 40 anos de idade. Foi então que olhei para ela e vi tanta doçura em ajudar a outra; ela, tão mais frágil, que aquela a quem ela chamava de frágil...

O Pai – Não era o meu pai, que estava lá comigo, mas um pai como tantos outros que tem por ai (ainda bem). Devia ter quarenta e poucos anos, negro, atlético, simpático e contava estar arrepiado com a nova fase da filha: uma adolescente de 14 anos.

- Eu pergunto para ela se ela é bv (boca virgem) e ela ri na minha cara!

Ele contava isso com muito humor, mostrando que tentava encarar os novos dias. Disse que gostaria que ela fosse como antes, quando era toda agarrada com ele...

Bibi: E quando foi esse antes?


O Pai: Quando ela tinha cinco anos.


Hahaha
Disse a ele que crescer era inevitável. O óbvio, mas ele precisava ouvir. Disse que quando a gente é adolescente, os amigos passam a ter uma importância vital no nosso cotidiano, então, era natural ela trocar a família pelos amigos nos programas. A tendência era ela voltar quando a fase passasse. Pelo menos eu fui assim: me voltei mais para a família quando vi nascer em mim a necessidade e o desejo de formar uma.

A Mãe – Enquanto O Pai dava o seu depoimento, A Mãe se aproximou para trazer a tona a sua história também. Uma mulher bonita, 38 anos e três filhos: de sete, cinco e dez meses. O tipo de mulher que nasceu mesmo para ser mãe. Acredito em mulheres que tragam essa característica dominante em seu “DNA”. Ela não falava de problemas especificamente, mas falava de amor e levantava questões. Achava que a gastrite dela era em função dos três filhos pequenos. Também dizia, que quando o mais velho falava para ela “você é a minha princesa mais linda”, o mundo parecia parar. Eu pude experimentar um pouquinho da sensação pelos olhos dela. Ela dizia que tinha medo de vê-los crescer e que tinha a impressão de que ia pirar quando o mais velho começasse a namorar. Pensei que fazer projeções com filhos ainda pequenos angustia mesmo, porque à medida que eles vão crescendo, você vai experimentando e acomodando essas novas sensações de maneira mais palpável e real. Tudo que é hipotético demais soa mais complicado. Eu falei algo parecido a ela e acrescentei:


- Comecei a sair de casa sozinha, pegando ônibus para outro bairro, atravessando ruas e passarelas com 10 anos. A namorar sério aos 14 anos...


Ela ficou meio tensa, claro. Contudo, mostrei para ela que cada qual tem o seu tempo e que nem por isso eu havia me tornado alguém diferente, ruim, desgarrada, sei lá o que as mães pensam. Ela perguntou para o meu pai:


A Mãe: E o senhor deixava?


Pai: Eu nunca proibi meus filhos de fazerem nada, porque neles eu encontrava confiança de sobra.

Eu amei ouvir isso do meu Pai. Porque é parte da história da minha formação. Mesmo com tantos erros e acertos, acho essa uma característica tão bacana de dentro de casa: o poder da decisão com a orientação devida. E se algum dia eu quebrasse a cara ou estivesse “em vias de”, não rolava um “eu te avisei” ou “a culpa é sua”; pelo contrário, o consolo sempre esteve presente na minha relação com o meu Pai. E acho que isso foi determinante para que eu também desenvolvesse essa característica na minha vida. A solidariedade é característica latente no meu lar e na minha formação.

Então fui chamada para o exame. Estava agitada e a anestesia não pegava direito. A enfermeira começou a conversar comigo. Como isso não estava propriamente resolvendo, ela começou a afagar a minha cabeça e eu fui relaxando. Depois ela pegou a minha mão e eu não quis mais soltar.


Sempre foi disso o que precisei para enfrentar os problemas da vida: solidariedade, um bom papo, o afago que conforta e uma mão que me desse a firmeza de uma presença amiga.

16.7.10

Tua mão em mim


Tua mão em mim
Assim
como quem nada quer
Como quem tudo pede
E recebe
Territórios hostis
Me faz feliz
Conquista enfim
Me faz mulher
Tua mão em mim
Me toma inteira
Me invade
Me deseja
Me beija
Me deixa nua
Me leva à lua
E reage
Ao meu olhar
Ao meu encanto
Ao som suave
Do meu canto
Do meu gemido
No seu ouvido
Por seu tocar
Tua mão em mim
Me incendeia
É arrepio quente
É o momento ardente
É o pedido clemente
De quem anseia
Por um momento a mais
Por uma intenção além
Que me tire essa paz
Que a mim não convém

14.7.10

Quest




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101



Gente!
Já temos 101 Ciclistas Oficiais antes mesmo de batermos a meta de 50 mil visitas!
UHU!
Mandei um e-mail para conhecer a leitora one-o-one e espero por uma resposta!
Tô feliz assim mesmo :)

***
Amando fazer matérias de comportamento!

***
Amando o bom humor recente, mesmo em meio às adversidades...

***
Amando ligar para as minhas amigas e tendo um prazer absurdo em falar com elas!

***
Amando acordar cedo com tranquilidade e sem pressões internas ou externas e sem o "crows" dos pombos.

***
Amando saber que existem escritoras lendo o blog; que existem coleguinhas novas que já ouviram falar no BibideBicicleta; que existe aquele que acredita que um dia eu vou me tornar uma escritora em definitivo.

***
Amando me amar um pouquinho :)