10.7.10

Aceito pela sociedade



Está cada vez mais difícil dar uma opinião sobre um assunto, porque hoje em dias as pessoas passaram a aceitar a relativização das coisas. Até ai, acho que tudo bem. A coisa começa a piorar e a mudar de figura, quando você não pode mais se dar ao direito de sustentar a sua própria opinião sobre um assunto, quando ela não está na "moda" ou dentro do que ainda é o aceitável "gosto popular". A resposta é "pau em cima".

São tantos os assuntos que acho até chato ficar inumerando. O homossexual, a separada, o libertino, a solteirona, o solteirão, a empregadinha, o corno, a dadeira... estereótipos de todos as estampas, fins e 'desprivilégios' que foram se alterando ao longo do tempo no quesito aceitação pessoal.

E tem também as questões que tangem os relacionamentos, que vão se alterando com o tempo e a maturidade, que certamente alteram a nossa visão em relação aos acontecimentos da vida. Eu ainda acredito que existam certas questões que são inegociáveis. Mas, veja bem, a minha visão tem que trabalhar no âmbito pessoal e ser restrita ao meu campo de atuação, porque o mote social hoje é a aceitação - obviamente até que opção do outro não venha a te ferir (física, moral ou psicologicamente).

Estou levantando essa questão e função da entrevista que a Carolina Dieckmann deu à revista "Isto É Gente", na qual fez as seguintes afirmações:


"existem coisas que você não pode viver com seu parceiro mas, ao mesmo tempo, seu relacionamento é tão mais importante que não vale a pena jogar tudo fora por causa de uma escapada... A lealdade é o bem mais precioso que podemos dar para uma pessoa. Então, a traição pode ser perdoável, possível e até necessária, desde que não quebre a lealdade, não exponha o parceiro nem interfira no casamento... Se a traição for motivada apenas pela necessidade de expandir a imaginação, algo que seja desculpável por você mesmo e que não quebre o compromisso na relação, você só está resolvendo um problema seu... Não é justo atrapalhar uma relação por causa de um desejo latente, que não cabe no sexo do casal. A gente fala que em quatro paredes vale tudo, mas quem disse que a gente tem coragem de satisfazer todas as nossas vontades? Às vezes existem coisas que você não pode viver com seu parceiro mas, ao mesmo tempo, seu relacionamento é tão mais importante que não vale a pena jogar tudo fora por causa de uma escapada... Em determinados casos, a traição pode salvar o relacionamento da pessoa, que está arrumando uma maneira de continuar junto e ser feliz, sem culpa. Mas tem que ser leal. Não acho legal quando o cara tem uma amante de quem realmente gosta e com quem vive uma relação paralela".

Quando eu era mais nova, eu achava que nunca perdoaria uma traição. Hoje, a minha visão sobre traição é completamente diferente, envolve outros aspectos que antes eu nem cogitava pensar. Ainda hoje eu não sei se perdoaria uma traição, mas já digo não sei... Só sei que sairia muito, muito machucada. E quem o faz não pensa no outro, mas só em dar vazão a um desejo particular. Sei que me machucaria mortalmente e sendo essas feridas mortais, muito profundas, não sei se o outro conseguiria viver com aquela nova pessoa que ele ajudou a transformar... Tudo hipotético, é claro.

A questão é: o nível dos relacionamentos mudou muito. Li esse depoimento da Carolina e fiquei me perguntando a quantas andam as relações de hoje em dia. E por mais que a sentença me pareça estranha, eu não posso sentenciar a pessoa que acredita que o pensamento é possível dentro da relação que ela leva. O que me dá medo, e nisso eu volto a repetir a bola que levantei na abertura desse texto, é que as pessoas passem a acreditar que essas máximas passam a valer para todos e deixem de levar em conta o desejo de gente - como eu - que sonham em construir relacionamentos onde a lealdade possa andar de mãos dadas com a fidelidade e isso seja um fato natural e não forçado. Não deixa de ser uma escolha que a gente pesa e faz a cada dia.

O que você acha?

14 comentários:

joseluis disse...

eu continuo careta
não perdoo uma traição
acho que o casal perde a cumplicidade

Glauber disse...

Algumas relativizações são só aparentes. Como você bem diz, a moda é o que dita a validade das opiniões, isso por si só nega qualquer possibilidade de relativização.

fernando disse...

Na boa, não há individualidade em algumas questões, pois somos o que somos, porque o aprendemos a ser em sociedade, sociedade que nos incutiu alguns valores, os quais só são superados com muito tempo de terapia.
Há fantasias e há a realidade, algumas fantasias dão combustível para a realidade desde que nunca se concretizem, pois aí podem se tornar problemas, os quais se somarão aos que já temos.
Quanto a traição, relacionamentos abertos, este é um problema dos que assumem um discurso do chamado pós-modernismo apenas para se sentirem IN.

STAP TOPS TO BE disse...

Tanto a comentar, mas tentarei se objetiva. já perdoei uma traição, e nao me arrependi. Ocorre que isto ME mudou completamente, fiquei menos sensível e menos preocupada com este fatos. se é ruim ou não, não sei. Percebo porém que a traição é mais fácil ser perdoada se não foi planejada. Além disso, não saber de uma traição, para mim, é a pior traição.

Bibi disse...

Zé: penso assim também. Esse para mim é um tema tão delicado, que é mesmo como se algo se rompesse.

Bibi disse...

Glauber: Como as pessoas podem ser guiadas pela moda apenas, se estão lá exercendo aus prática? Como é que ficaria então? Passa gourmet que passa? Tipo assim? Tem gente que acredita fielmente que traição é parte de uma relação e eu fico me perguntando como, sem julgar, mas por curiosidade legítima...

Bibi disse...

Fernando: a sociedade nos incutiu a questão da monogamia então? Fantasias ninguém está livre, eu creio, mas nem tudo o que a gente pensa e sente é cabível, certo? (tipo quando você está morto de raiva de alguém e quer "matá-lo"). Verdade que a fantasia pode mesmo se tornar problema se ela não vor avaliada em todos os sentidos quando rolar a intenção de passar para a prática. Talvez seja isso o que vc corrobora aqui.

Pois é, talvez para ser in vc tenha que ser muito OUTsider... MAYBE. Estou sendo bem careta, mas é assim que sou. Só queria entender quem diz que o contrário é válido. Só entender mesmo.

Bibi disse...

Aline, não sei se é uma coisa social - e espero que não esteja sendo machista - mas perdoar é uma coisa divina e nós mulheres temos essa propensão em estágio maior. Cada caso é um caso. MESSSSSSSMO. Não dá para se ter julgamento. O que eu coloquei em questão foi o fato de alguém levantar a traição como algo até necessário. No modo pelo qual eu escolhi viver, não é. Mas se eu vivo num "conto de fadas", sei que não vivo sozinha.

MENEZES disse...

"Bibi disse...

Cidadania é exercer o seu direito de cidadão. Nem mais e nem menos!
12 de julho de 2010 20:29"

Esse foi um gool de BIBI CICLETA! BJS

Bibi disse...

Menezes: Obrigada por me seguir! Vc bateu a meta!

MENEZES disse...

Existe uma palavrinha que considero uma das mais, senão a mais importante do vocabulário em todas as línguas. O RESPEITO, se observarmos, é o elemento de equilíbrio em qualquer de nossas atividades. Em família, no trabalho, entre amigos, e no amor considero que seja o principal pilar de sustentação do mesmo. Atrelada ao respeito, está a credibilidade, não se pode ter um sem o outro. E longe de querer ser conservador, coisa que não pretendo, acredito que o que falta hoje em dia é uma boa dose de respeito, sem ele nada, absolutamente nada funciona a contento!

Glauber disse...

A moda não só faz as pessoas como também é feita por elas.

Se torna-se moda trair, se isso dá estilo ao relacionamento, é porque as pessoas aceitam isso e concordam com esta ideia, ninguém é coitado por isso. Eu acredito que a personalidade possa fazer a diferença, tem gente que não tem noção de compromisso, quanto mais de respeito, esses ai aderem fácil fácil à moda.

Dê Kelen disse...

Bibi, atrasada mas presente..rs
Talvez eu seja bem radical, ok? Não chego ao ponto de achar necessário, mas,sim, normal.
E não falo isso sem embasamento nenhum nãooooo. Falo, infelizmente ou não com certa propriedade... com experiência mardita, doída, sofrida mesmo, de quem já viveu uma traição, perdoou, viveu de novo e até desistiu de um casamento.. que 'cousa'.
Nada fácil e orgulhoso, mas por isso, digo agora que, pra mim, não é mais novidade.
Depois disso,parei de pensar se é certo ou errado. Tentei ser prática pra sofrer menos ou não sofrer mais por esse motivo.
As pessoas têm o direito de ser feliz, de sentir prazer, de viver em busca disso? Ok. Aceito!
É assim que penso hoje, que vejo a minha história com um ex que ainda faz parte da minha vida como alguem que especial durante mais de oito anos.
Nada de mágoas, juro!
Ele foi em busca daquilo que não tínhamos.
Concordo com a questão da lealdade porque talvez ele tenha me machucado da pior forma: além de trair, sustentou.
Já me disseram que o problema maior da traição é o CIRCO ARMADO. É tudo que se faz para trair.. concordo com CarolD: é deixar a 'cama' atrapalhar um relacionamento duradouro. Agora, se a coisa que no início era só pele, durou dias, semanas,meses.. se a cama virou sentimento, acho que a pessoa tem o direito sim de tentar ser feliz com outro alguém. Repito- tentando fazer isso da melhor maneira.. se é que é possível. Mas acho que é sim.
Se me permite, não me considero mais uma moradora desse conto de fadas. Felizmente ou não, passei pro outro lado.. digo que tive acesso ao mundo real.
E acredite: não sei se quero que as pessoas conheçam esse mundo. Não sei, por exemplo, se contaria uma traição. É uma dor quase insuportável. Fica aí mais uma questão....

Bibi disse...

DeK: Resposta em forma de post.

Fique na dívida com Menezes e Glauber, mas estou descondfiada que sempre vou gostar do que o G escrever :)