2.5.11

"No Cafofo Do Osama"

Abril de 2002 - Ground Zero
Em frente ao painel em homenagem aos mortos em 11 de Setembro

Não queria falar sobre a morte de um terrorista internacional. O que de novo eu poderia fornecer, se todos os sites e portais do MUNDO estão tratando do assunto? Apenas o meu ponto de vista, a visão pessoal dos acontecimentos que me são passados por terceiros.

Conversando com o Professor Xéu cheguei ao seguinte pensamento: não se pode dar as costas para um fato que é parte da história. Talvez eu me lembre do dia de hoje da mesma forma que me recordo exatamente onde estava quando me contaram sobre o ataque às Torres Gêmeas em NY ou quando soube e acompanhei chocada pela TV o sequestro do ônibus 174, no Jardim Botânico, Rio. A mesma coisa deve acontecer com uma geração anterior, que deve se lembrar sobre a chegada do homem à lua ou onde estava quando soube do suicídio de Getúlio Vargas (ou do assassinato de Lennon, do acidente e morte de Ayrton Senna, do erro fatal que levou à derrubada do avião e o desaparecimento dos Mamonas Assassinas, o tiro de JFK. Cada um lembra do que é lhe é afetivamente relevante...).

Não falar sobre a morte de Osama Bin Laden me faz lembrar de uma história curiosa de um passado recente. Um portal brasileiro combinou com seus leitores que o dia seguinte ia ser apenas de boas notícias. Na expectativa de fazer Um Dia Feliz, só o que fosse positivamente relevante seria noticiado. Compromisso selado. Sabe que dia era? 11 de setembro de 2001. O dia que o personagem desse post mudou a configuração geopolíticafetiva do mundo. Um Dia de Boas Notícias nunca mais foi cogitado. A ideia também capitulou frente ao terror.

No final das contas, quero deixar registrado alguns pensamentos:
* Devo celebrar a sua morte ou temer represálias sem fim?
* Por que pegaram o cara justamente quando a popularidade de Obama ia de mal a pior?
* Por que, raios, se desfizeram do corpo do cara, prova cabal e incontestável do sucesso da missão? (e sossega leão de qualquer dúvida)
* Por que não aprender com as falhas deixadas no caso JFK e tentar minimizar as consequentes teorias conspiratórias que vão pipocar pela vida afora?
* Até o o insensato que atirou nas crianças da escola de Realengo deixou claro poe carta que sabia como era um ritual de enterro mulçumano. Como os estrategistas dizem que jogar um corpo ao mar faz parte de qualquer rito religioso seguido pelos extremistas Islâmicos?
* Gostava da teoria humorística do Casseta & Planeta que dizia que Osama estava num cafofo em uma favela carioca, no quadro "No Cafofo Do Osama". E no fim, nem no cafofo, nem nas cavernas que por anos procuraram, mas numa casa cheia de luxo e regalias. Prisioneiro sim da própria sorte, mas bem melhor acomodado que muitos de seus companheiros capturados com vida.

Não sei se vou deixar esse post ai. Amanhã eu dou outra lida. A questão me fala muito ao espírito, porque eu fui morar em NY em abril de 2002. Senti de perto os efeitos físicos e psicológicos daquela insanidade. Toquei em fotos, cartazes, flores e recados deixados por parentes das vitimas. Tudo muito triste, tudo muito estranho. E sabem qual a sensação que fica? De que isso tudo ainda não chegou ao fim... Queira Deus eu esteja errada. Essa é a minha oração.

3 comentários:

Saulo disse...

As imagens do "cafofo" não me surpreenderam. Infelizmente, devemos admitir que ele colheu o que plantou e viveu como decidiu. Vai tarde!

Bibi disse...

Acho que ele plantou muito mais que colheu. Vivia propagando a glória de morrer lutando contra o inimigo e na hora de enfrentar frente a frente a hora decisiva, colocou uma mulher na sua frente, como escudo humano...

Arthur Gesteira disse...

Duvido muito que tenha sido verdade, aposto que o segurança particular o matou antes, como ele ja tinha decidido que fosse feito assim que não houvesse mais forma de fugir, e como os norte americanos são tão filhos da puta, devem ter matado a mulher de raiva ou pq testemunhou que nao foi eles que o mataram.