16.5.10

Eu Sou o Mar


"De todo modo, se a vida for mesmo um movimento de marés, vou logo avisando: eu sou o mar."



Achei a frase acima muito especial. Coisa arrebatadora. O autor o é e eu nem havia me dado conta... Mera distração. Suas palavras me ganharam instantaneamente, na certeza do acaso. E talvez justamente por isso. Gosto dos acasos. Polaróides da vida. Instantâneos da ocasião. E só para contextualizar tanta linguagem poética, vai a informação:


Essa frase é do Arnaldo Bloch. Ele é colunista do jornal "O Globo", jornalista como eu (sem trocadilhos, por favor) e amigo de um monte de amigos meus. Nunca o tinha visto. Dava pouca bola para a sua coluna.

Os colunistas, muitas vezes, funcionam para mim como um monte de livros na estante. Se você conhece ou tem identificação com o autor, você acaba lendo, porque já tem interesse pela sua visão de vida (ponto de vista). Noutras vezes é o título da obra que te arrebata. E você toma gosto pela coisa. Vou seguir "com fé" agora...

Hoje eu entrei no Facebook - que para mim é como aquela casa de praia que você nunca tem muito tempo ou interesse de ir e acaba dando uma passada por necessidade - e havia um pedido de amizade do Arnaldo. Surpresa (além de ver que temos 34 amigos em comum. By the way: não aceito ninguém que eu não conheça e outro dia fiz uma faxina que causou estresse). E mais surpresa ainda fiquei ao buscar suas letras e encontrar tanta coisa genial.


A frase que abre o post é um exemplo. Ela está descontextualizada, porque vai parecer que ele é extremamente poético, o que não é necessariamente verdade. É um cara do nosso tempo, com cultura por vocação (literária e pessoal também) e um despudor para dizer o que pensa sobre si, que me causa inveja. Melhor que a palavra inveja até... Que me causa simplesmente.


Por causa do Arnaldo Bloch escrevi sobre bunda e depilação no post anterior. (Ins)piração. Correndo o risco de falarem a respeito (que o digam, oras), mas exercendo meu direito à liberdade de pensamento e ação dentro daquele código de conduta natural que me rege. Todos temos bunda e muitos têm vergonha de falar sobre ela. Bobagem. Melhor falar sobre a bunda que ficar me sentindo bundona por não falar dela. E tenho dito!
***
PS: Depois que escrevi, fiquei achando que começar elogiando o Arnaldo e terminar falando em bunda não seria lá uma coisa muito interessante no sentido de exaltar uma pessoa, né? Mas a bunda é do outro post. Nesse aqui faço só referência ao despudor e, obviamente, à coragem que encontrei em suas palavras para escrever sobre qualquer assunto.
Ele me escreveu de volta: "Lisonjeadíssimo". Sinal de que o assunto "bunda" não deu uma caída no (con)texto. hehehe

4 comentários:

LuisPaulo disse...

Linda Imagem-texto!

Bibi disse...

LP: Valeu morenoooo! Conto contigo aqui! :)

Lívia disse...

Adoro os textos do Arnaldo! Ele foi um dos primeiros a ter um blog no Globonline. Sou fã desde então! bjo

Bibi disse...

A vida provoca Livinha! As vezes eu ando desatente e então: tum! Como vc tá?