9.4.10

O casaco da Fátima Bernardes


ESCREVI ONTEM, MAS NÃO CONSEGUI PUBLICAR. VAI HOJE, COMO MARMITA!


Que saudade da eu de antes...

Com sono, mas tão agitada que está complicado ir dormir. Já estou ao ponto de contar gatinhos pulando a cerca. Deve ser justamente por isso que está complicado dormir.

Não raro sinto saudade daquilo que nunca tive.

O drama entorpece e paralisa o corpo e a alma: de quem sofre e de quem ouve e se envolve, mesmo involuntariamente.

Sobreviver a calamidades, a fatalidades é um módulo da faculdade da vida.

Achei o diretor do IML um tipo interessante. Fiquei pensando sobre a namorada/mulher/caso de um sujeito assim. Ao ser perguntada: "o que seu amor faz?". "Ele é diretor do IML...". Achei estranho. Fiquei pensando a respeito das mulheres de donos de funerárias, necrotérios, puteiros e afins. Complicado. A mãe de uma amiga se casou com um padre. Obviamente ele deixou de sê-lo após o fato. "Meu marido é ginecologista". Essa seria uma frase complicada para mim. Acho moderna a mulher que é casada com um e acha isso o máximo (de verdade. Porque deve haver aquelas que fingem que não ligam).

Hoje um repórter de um site falou que ter um microfone da Rede Globo é melhor que ter uma lanterna ou um cartão de crédito: com ele empunho, você tem acesso e desvenda todos os caminhos. VERDADE!

Fiz uma entrevista com uma mulher que me disse que não tem sonhos a longo prazo. Quando ela quer alguma coisa, ela começa a batalhar por esse algo no dia seguinte e não desiste até conseguir. Sonho vira projeto e projeto vira realização. Tenho loucura com gente obstinada! Eu flerto demais com o imponderável...

O ato de se ter respeito pelo outro é uma lição interna de utilização externa. Coisa rara. A vida ensina essa lição com sutileza, mas poucos se empenham em aprender. O ser humano a cada dia mais assume o seu arquétipo de egoísta e sofre penosamente a maior consequencia do abandono dessas pequenezas de suma importância: a solidão.

A Bel (filha do ) reparou e eu choquei: Fátima Bernardes usava um casaquinho (estilo capa de chuva) da Burberry em pleno lixão - que veio abaixo com a chuva em Niterói, estado do Rio... Imagino o precinho da peça! Quanto vale o show Lombardi? (Meu chefe disse e é verdade que muito mais dramático seria ela de botas no meio da lama como os outros repórteres. Jornalismo verdade). PS: No dia seguinte (hoje) só se falava nesse casaquinho da Fátima.

Agora que eu já falei um monte de besteiras; que já fiz a minha reflexão e que já testei positivamente o wireless que o meu irmão instalou aqui em casa; enfim, posso ir dormir. Já estou calminha. Beijos Ciclistas

6 comentários:

Isabela Candeloro Campoi, disse...

É mesmo triste. Eu soube de tudo pela internet e teve até uma matéria da TV daqui. Quando aconteceu a tragédia no Haiti, eu me imunizei ignorando, sabe... fazendo vista grossa na medida do possível e tentar näo sofrer. Egoismo? Talvez, mas me sinto de mäos atadas: a vida engole a gente!
Beijos e fica bem...

Bibi disse...

Nossa, Isabela, a notícia chegou à TV dai? A gente nunca, nunca tem noção do tamanho dessa coisa toda... Não é bem noção do tamanho, mas a dimensão que se faz, que alcança.

Não a culpo por se proteger. Não a julgo de maneira alguma. Eu, mesmo sendo jornalista, me eximi de muita coisa que estava rolando no Haiti. Sou humana, sou afetada pelas circunstância. Sou sensível, para piorar.

Entrei na cobertura das chuvas fria. Funcionei apenas como canal, porque é muito,muito fácil se comover com o drama das pessoas. Melhor, se envolver. E você vai até elas com uma missão que tem que cumprir: dar voz às suas histórias, para que sejam fatos e não apenas números. dar cara à tragédia não é se deliciar com a dor alheia, mas dimensionar. E voltamos ao primeiro parágrafo.

Muitas vezes, se poteger não é se tornar insensível ao outro, mas sensível a você mesma. Think about it! Beijo

joseluis disse...

em contraponto aos cabelos desalinhados e camisa social encharcada da Ana Paula Padrão, no mesmo lixão

Bibi disse...

Nem vi a Ana Paula Padrão. Mas acho que o estilo galocha na lama e cabelos desalinhados é muito mais interessante. APP gosta de fazer matérias áridas. Deve ter sentido a falta do esquema da Globo, né? Meu editor reafirmou que nem o cabelo da Fátima saiu do lugar... Uia!

Vivianne disse...

O cabelo da Fátima não deve mesmo sair do lugar rs E o casaquinho deve ser o suficiente para alimentar boa parte das famílias por um mês, considerando que no outlet por aqui uma bolsinha safada da Burberry custa 800 dólares. Tenho até medo de encostar em uma rs

Mudando de assunto, mas continuando nas grifes e na miséria, essa estória me lembrou um mendigo que me abordou no Rio para pedir comida. O pobre vestia uma camisa da Lacoste, que obviamente foi doada por alguém. Eu fiquei pensando: muitas vezes, uma blusinha nossa alimentaria uma família por um mês ou mais. Oh, desigualdade...

Bibi disse...

Caraca Vivi! Trouxe mais realidade à notinha! Eu achava que no outlet o casaco custaria mil dolares. Vejo que estava enganada! Rindo muito com a história do mendigo fashion!