31.7.08




30.7.08

O Último Playboy


No fim da semana passada eu recebi uma notícia bem triste. No dia 07.07.2008 eu escrevi um post sobre o livro A Lição Final e seu autor, o professor Randy Pausch. Ele sofria de câncer e deu uma aula de despedida que foi uma verdadeira lição de vida. O resultado dessa palestra virou um tremendo sucesso na internet, inspirando a vida de muitos. O câncer de pâncreas levou aquele, cujo legado me inspirou profundamente. E quando alguém deixa boas lições, histórias sinceras e impactantes, que comovem e transformam a vida de terceiros, o corpo se desfaz, mas a alma dele permanece impregnada, como agente da transformação, da motivação e da alegria. Gosto muito disso.

A partida de Randy me fez pensar em despedida. Então me lembrei de uma matéria antiga que fiz com o Jorginho Guinle. Possivelmente, a sua última entrevista como personagem principal de sua própria história e não parte da vida e da festa de alguém.

O ano era 2003. O maior playboy brasileiro tinha passado por uma séria internação. Herdeiro de uma das mais abastadas famílias brasileiras, ele estava pobre. Contava com a generosidade de um “mecenas” secreto e de uma amiga, que cedeu seu apartamento para que ele pudesse se restabelecer em um lugar com um pouco mais de conforto e glamour (que ele pronunciava glã-mour, com ênfase no a). Ironia das Ironias, o prédio tinha vista para os fundos do Copacabana Palace, lugar onde Jorginho cresceu e morreu (eu também fiz a matéria de seu funeral e citei que ele havia partido devidamente acomodado em uma das suítes do hotel). Ele olha a vista com carinho. Outra curiosidade é que usava sapato social com salto, para disfarçar de leve a baixa estatura. Era sempre cavalheiro, elegante, de fino trato. Falava em um tom agradável e gostava de rir, contando suas histórias. Ele parecia viajar no tempo. Voltou ao mundo real quando tocamos no assunto paquera. Daí, ele fixou aqueles olhos azuis clarinhos, vivos, nos meus. Falou de mulheres deusas, mas sem entregar as intimidades. E disse que ainda gostava de namorar, ajudado pelo Viagra. E me deu uma cutucadinha marota. Pensei: "meu Deus, ele está mesmo me paquerando?" Eu lembro de ter rido do galanteio. E era mesmo para me sentir lisonjeada, sendo aquilo força do hábito ou não. Lembro também que no enterro me aproximei bastante de sua filha, a Georgiana. Dias depois, ela me pediu uma cópia dessa matéria. Disse que seu pai havia ficado muito honrado e feliz com o resultado da entrevista. Eram palavras de carinho.

Resolvi reproduzir aqui um pedaço daquele dia; uma parte dessa entrevista.


Aos 87 anos, Jorginho Guinle anda filosófico. Recuperando-se de um aneurisma na aorta, hospedado no tríplex da amiga Ruth Almeida Prado, em Copacabana, no Rio, o mais famoso playboy brasileiro reflete sobre vida, morte, lembranças e prazeres. Titular de um currículo que justifica a fama, ele define-se como um “eterno admirador de mulheres” e deixa escapar que o Viagra é ainda um bom e fiel companheiro. Do seu tranqüilo refúgio, Jorginho, enquanto fala, vê da janela o contorno inconfundível do Copacabana Palace, o hotel que pertenceu à sua família e que foi palco dos mais excitantes capítulos da sua trajetória de bon vivant, na mais pura expressão do termo.

Passado o susto, como vai a sua saúde?
Pode-se dizer que fiquei entre a vida e a morte. Tive um aneurisma da aorta e fui operado no dia 5 de abril.

Você teve medo de morrer?
Não. A morte é a nossa única certeza, não me assusta, é natural.

O que é a vida para você?
Tem sido a realização dos meus valores. Sempre quis estar nos melhores lugares, no tempo certo e conhecendo as pessoas mais importantes. Esses contatos me levaram a 20 cerimônias do Oscar. Eu sentado na primeira fila e a Elizabeth Taylor, na terceira. Isso hoje seria impossível!

Para você, foi fácil conquistar divas como Rita Hayworth, Kim Novak e Marilyn Monroe?
Naquela época os namoros eram muito fáceis. Champagne, cheek to cheek e body to body, pronto! Assim o par se formava e não era preciso cantar a mulher. Algumas estrelas me marcaram, por outras fiquei deslumbrado. Se você saía com a Marilyn Monroe ou a Rita Hayworth tinha que se deslumbrar.

Você ainda se apaixonaria?
Tenho que ser realista, não encararia um amor nessa etapa da vida. Mas se pintar alguma coisa, estamos aí. Ainda sou um admirador das mulheres. E vou continuar assim, apoiado pelo Viagra.

E Jorginho Guinle terá um sucessor à altura?
Herdávamos milhões e a ordem era não trabalhar, não casar e não ser exibicionista. Há candidatos, mas não preenchem os pré-requisitos. Por isso, me considero o último playboy brasileiro.


Blog Melhor / Mundo Melhor


Ando com a mente fervilhando de idéias. Sabe aquele “filminho” que coloquei no post HUM? Foi uma idéia descaradamente chupada do meu blog-inspirador, o da sensacional Marina W. É redundante, mas importante, dizer que trata-se de uma seqüencia com Janet Leigh do filme Psicose, de Alfred Hitchcock, filmado em preto e branco no ano de 1960. Uma das obras-primas do mestre do suspense.

Namorando as páginas do bibidebicicleta pela centésima vez, fiquei com muita vontade de criar vários desses “filminhos” fotográficos. Um presentinho para quem gosta da união da foto com o texto, qualidade diversas vezes destacadas como um dos trunfos do blog. Falta tempo para me dedicar com sinceridade à questão, embora eu tenha um vasto material fotográfico à minha disposição. Também tenho que tomar cuidado para não me tornar repetitiva (preocupação constante), já que sou daquelas que quando gosta de alguma coisa, dedica-se a ela até o último pingo de energia e saco. Isso é com gente, músicas, lugares, tarefas, filmes, lojas, autores. Quase tudo. E é sabido que normalmente o exagero leva a ojeriza.

Acho que vou tentar montar uma espécie de HQ. Isso me toma bastante tempo de dedicação e eu tenho sentido falta de tempo para simplesmente descansar. O lado bom é que tenho descoberto meios de despertar o lado criativo do meu cérebro e ele me inspira, me encanta e me satisfaz. E a tríade: inspiração, encantamento e satisfação anda em falta no alojamento de energia que ajuda a sustentar as ações e estímulos ao corpo físico. Estou empolgada com a história da historinha!!! Por outro lado, minhas tarefas me perseguem como aqueles mosquitos que ficam zumbindo insistentemente no seu ouvido numa noite de muito sono.

Tem um tempo também que não faço crônicas sobre o cotidiano. As últimas versaram sobre histórias de família. No fundo, todo escritor coloca suas vivências nas narrativas e, na maioria das vezes, prefere esconder os fatos através de pseudônimos. Estou ainda presa no meio da estrada que separa o território da jornalista com a fronteira da escritora. Essa escritora está sendo moldada pela vida, pelas percepções, pela curiosidade e também pela oportunidade de encontrar gente que esteja disposta a ouvir/ler. Os casos que revelam a nossa intimidade acabam sendo de enredo mais fácil e de redação mais difícil, porque tenho que encontrar os fatos dentro de mim. Embora minhas relações sejam baseadas na honestidade com os sentimentos, na verdade dos atos, trazê-los à tona nem sempre é fácil. Não por dor ou saudosismo, mas por exposição do que me é caro e raro. Só que as nossas histórias são material rico para fazer a diferença na vida de muitas pessoas e eu não vou me furtar a inspirar a quem quer que seja na busca pela felicidade. Talvez essa seja a minha pequena contribuição para o tal do mundo melhor que todo mundo almeja, mas pouco faz.

29.7.08

3 X Madonna


"Você não pode sentar e se preocupar pelo fato das pessoas não gostarem de você, pois elas não vão mudar de opinião, isso não pode te parar."




"Eu percebi que era diferente com cinco anos. Meu pai me criou para ser competitiva, eu fui encorajada a aspirar o ponto mais alto."


"Você acha mesmo que eu sou uma garota materialista? Pois eu não sou. Não preciso de dinheiro, eu preciso de amor."



27.7.08

black friday

Acredito que tombos fazem parte da trajetória da vida. Uma derrota nos ensina muito mais que uma simples conquista ao acaso, porque a dimensão dela dentro da gente tem raízes muito mais profundas. Tive a minha dose da black friday. Fiquei com um gosto bem amargo, com o peito apertado e um nó na garganta marrado pela corda da injustiça. Uma bomba muito difícil de digerir. Porém, certas coisas que a gente tem que lidar na área do business são fundamentais para você avaliar o seu momento, o peso real que você dá a cada etapa da sua vida - ou nas funções que você tem que exercer para cumprir tal etapa.

Resumo: estou cansada.

Quando seu coração não está mais em um lugar é mister você partir para outro. Se você retarda essa decisão, o tempo te cobra com juros e correções. Estou pagando esse extrato extra e a dívida está mais pesada que eu imaginei. Como adultos, somos responsáveis por arcar com as conseqüências das nossas ações e omissões. E quando você se omite, você paga uma conta em branco. Perigo!

O meu coração pirata toma tudo pela frente
Mas a alma adivinha
O preço que cobram da gente
E fica sozinha...
Levo a vida como eu quero
Estou sempre com a razão
Eu jamais me desespero
Sou dono do meu coração
Ah! O espelho me disse
Você não mudou...
Sou amante do sucesso
Nele eu mando, nunca peço
Eu compro o que a infância sonhou
Se errar, eu não confesso
Eu sei bem quem eu sou
E nunca me dou!
...
Eu não me permito chorar
(Já não vai adiantar)
E recomeço do nada sem reclamar
As pessoas se convencem
De que a sorte me ajudou
Mas plantei cada semente
Que o meu coração desejou...

Foto: Reprodução

O fato curioso da black friday é que Mick Jagger completou exatamente 65 anos justamente nesse dia. Agora ele é oficialmente considerado aposentado pelo governo britânico. Acho até engraçado ouvir uma coisa dessas, quando se trata da figura lendária - e mitológica - de Mr. Jagger. Acho sua biografia distinta de similaridade de qualquer história que já tenha ouvido. E como toda boa história - certa ou às avessas - me chama a atenção por suas linhas únicas e traços contraditórios.

Mick Jagger também é uma espécie de "muso" do bibidebicicleta. Não por seu charme e beleza, mas definitivamente pelo encanto que me causou em 2006. Eu era uma das milhares de pessoas presentes à Praia de Copacabana para o show histórico dos Stones na Princesinha do Mar. For Free to be happy. Primeiro mega evento que me aventuro a ir sem lenço nem documento - mas para a área vip. O resultado? Primeiro post com história do blog - Start Me Up. E olha que naquela época eu pouco escrevia!

Nunca estive face to face com o Mick, embora tenha assistido ao show literalmente colada ao palco, segunda fileira de cabeças pulantes. Porém, já tive a chance de entrevistar a filha dele, Lizzy Jagger. Ela também, uma modelo rock'n'roll que vinha desfilar no Fashion Rio. Cada repórter tinha direito a duas perguntas. Ela me deixou fazer 6. Praticamente amigas de infância! Mas o que foram as seis perguntas de Lizzy, comparadas ao prazer inenarrável que o pai dela me deu naquela noite de show? Além das músicas incríveis, eu dancei Satisfaction com Cauã Reymond. Ele, na areia com eu, virou-se para mim e dançamos jump to jump. Dois anos depois eu tive a chance de contar essa história para ele. Rimos juntos. Não é o máximo?

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
I try and I try and I try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information
Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what I say
I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try and I
try
I can't get no, I can't get no

24.7.08

Hum












HUMMMMMMMMMMM

Ando sentindo muita falta dos meus amigos comentadores. Sei que tem muita gente que lê e não comenta. Como que eu sei? Porque elas comentam ao vivo ou deixam escapar algo que escrevi anteriormente.
Sei que a turma de leitores nem é tão grande assim! Sou modesta (hehe)! Porém, quando os comentários passar a ficar restritos a um ou dois, todos os meus alarmes disparam. Carência? Vamos chamar de carência de letras, de atenção... Bem, pode significar também que eu não estou escrevendo nada assim tão empolgante, que faça o dileto leitor perder cinco minutos para deixar um registro de sua passagem...
Pombas! Já apelei para texto pessoal, texto meloso, texto raivoso, texto jocoso, poesia, foto de mulher pelada e homem safado, famoso e bonito. Pura apelação!
O que será que está faltando? Hummmmm
MISTÉRIO!
Vou continuar escrevendo assim mesmo!!!
Alguém sabe como eu faço para colocar um contador de visitas aqui no blogspot?
Alguém? Alguém? Alguém?
Oi!?

GC


Voltei à minha fase fotográfica. Tinha parado de postar muitas fotos aqui no bibidebicicleta, como fazia nos primórdios, pura e simplesmente porque o computador começou a ter um "siricutico". Estava levando uma eternidade para entrar em sites como esse e mais difícil ainda era o ato de postar fotos. Dava erro. O problema técnico ainda não foi totalmente resolvido, mas, assim como a maioria de nós, os computadores também parecem dotados de "humores". Hoje, o meu está bonzinho. Eba! Então voltei com tudo à busca da imagem perfeita para ilustrar o dia.
George Clooney já foi "muso" do blog. Volta hoje, com esses sorriso de parar o trânsito! Ok, como eu não dirijo, com sorriso de me tirar de órbita! Sou louca por ele! Há pouco tempo ensaiei um affair com um cara que me lembrava demais o GC. O cabelo grisalho, a maneira de sorrir, sei lá, tinha uma levada Clooneyiana que capturou a minha atenção. Ficava olhando o moço e pensando: "hum, tá muito enredo de filme...". E não é que a história foi mesmo digna de um script? Um curta metragem, eu diria (hohoho). Ao invés de viver Um Dia Especial (um longa em que GC está especialmente encantador), acabei vivendo E O Vento Levou. PUMF! Eu podia ao menos ter levado um Oscar para casa, né? Mas nem isso... Sonhos de Uma Noite de Verão.
O que que eu fiz então? Comprei três vestidos novos, lindos, curtinhos e botei o bloco na rua. Pensei: "arrasa, linda! Olha para a sorte, deixa cair um sorriso e vai!" Fui à casa da Onça e bolei uma divertida sessão de fotos caseiras. Um ode à mim mesma - hahaha - e a vida que quero ter. Melhor que estar ao lado de um George Clooney slowmotion, é ter satisfação em estar comigo mesma. O resto é conseqüência, baby. Ainda penso na levada Clooneyiana, como esses filmes bons, que a gente já viu, mas que não se importa de lembrar com doçura. Fracasso não é não conseguir um objetivo, é não tentar!
Estou achando uma delícia olhar essa foto. Vou parar de escrever para ficar admirando o atual muso do bibidebicicleta! Ô, delícia!

23.7.08

A bunda...

Foto de Patrick Demarchelier


Gosto de ler o blog dos amigos, assim como gostaria que fizessem com o bibidebicicleta. Sempre encontro um ponto interessante, uma inspiração, algo que me leve à reflexão ou um passa-tempo inteligente e divertido. A mente humano é de uma capacidade e de uma diversidade inesgotável. Passando pelo Macaquinhos no Sótão - by the way, sótão é uma palavra muito Silvio Santos, não é não? só-tã-um, ooooi! Já vejo ele pronunciando letra po letra, naquela cadência inconfundível, com a boca meio larga e tudo... hahaha... adoro! - vi que a Bia Bug disse que aprecia poesias. Já fui muito de escrevê-las, mas confesso que a inspiração se desfez na mesma medida que meus sonhos adolescentes. Contudo, tem versos prontos que me encantam demais. Gosta da fôrma e forma, de rimas ricas e tropeços enebriantes, da graça e da melancolia; mas principalmente me encantam as entrelinhas, imaginar a alma do poeta naquele sublime momento.

Encantada com a possiblidade de voltar a dar um tom lírico ao bibidebicicleta, pus-me à procura da obra de alguém que me encantasse. Claro, salvei alguns versos de Cecília Moraes, mas... a poesia que representa o dia de hoje é de Carlos Drummond de Andrade, que, assim como eu...

"encontrava encanto em todo canto. Sabia
que a vida, para ser bem vivida, tem que ser absorvida com emoção. E que os
fatos, tanto quanto os atos, devem trazer em seus relatos muita diversão. E o
canto, como a dor que embala o pranto, trás em si
disposição." (
Bibi de Bicicleta)


A BUNDA, QUE ENGRAÇADA
Carlos Drummond de Andrade

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio.
Anda por sina cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas avolumam-se, descem.
Ondas batendo numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda

PS: Isso muito me faz lembrar de um e-mail que chegou aqui em um passado recente. Estavam oferecendo um novo lançamento literário. Achei que o tema combinava com a bunda do Drummond. Resolvi compartilhar com vocês...

Livro mostra que para saber como está seu organismo basta olhar para o vaso sanitário

O que seu cocô está dizendo a você? apresenta de um jeito divertido questões importantes sobre a saúde

Já reparou que, cada vez que você vai ao banheiro, o famoso “número 2” sai de um jeito diferente? Para explicar o que anda acontecendo no seu trato digestivo e ainda elucidar diversas outras dúvidas sobre o assunto está sendo lançado O Que Seu Cocô Está Dizendo a Você? Montes de fatos importantes sobre a sua saúde (Matrix Editora, 96 páginas).


O livro mostra o que cada formato diferenciado tem a ver com o nosso tipo de alimentação e tempo disponível para estar no banheiro, entre outros fatores. Revela também por que os banheiros dos locais de trabalho sempre ficam lotados logo depois da hora do almoço; explica o que faz o cocô flutuar; diz se é normal ir ao banheiro três vezes por dia; quais os alimentos mais gordurosos; quais os que causam mais gases. Tudo de uma maneira bem-humorada e muito informativa.

O Jorge me mandou um e-mail com a tal pergunta e sua excelente resposta:
O Que Seu Cocô Está Dizendo a Você?
Resposta do Jorge: Jorge, você está MARA!
Resposta da Bibi: E lávoueu! Lá-Vou-Eu!
Resposta (hipotética) do meu pai: Tem algo de muito podre aí dentro!
Resposta (hipotética) da minha mãe: Ufa! Ruim de roda você, heim!?
Resposta (hipotética) do meu irmão em sol maior: Não sei se vou ou se fico, não, não...

22.7.08

Kill Bill


E assim estava eu, trabalhando e pensando na música da Simone, a do post anterior, sem nem poder cantarolar. O dia foi bem puxado. No fim da tarde, minha colega de baia começa a cantar alto uma outra música imortalizada na voz dela, de autoria de José Augusto e Paulo Sérgio Valle. Vou me apropriar de um pedaço específico da canção dor-de-cotovelo (linda, linda, linda), para ilustrar o astral do escritório:
... De coração
Eu só queria que você fosse feliz
Que outra consiga te fazer o que eu não fiz
Que você tenha tudo aquilo que sonhou
Mas vai embora
Antes que a dor machuque mais meu coração
Antes que eu morra me humilhando de paixão
Te implorando de joelhos prá ficar comigo
Não diga nada
A dor é minha eu me aguento pode crer
Mesmo que eu tenha que chorar prá aprender
Como esquecer você...
Maldita TPM! Por que uma vez por mês a gente tem que ficar assim, chupando limão e chutando lata pela rua? (Eu queria dizer chutando cachorro morto, mas acho muita crueldade com os bichinhos, mesmo estando morto. Sou pró-animais). A gente pode ter saudade de algo que não existe? Enfim, ainda bem que mesmo com os nervos à flor da pele, eu mantenho o meu bom humor e a minha vontade sem fim de sorrir. Mas... O Ministério da Saúde Adverte: não alimente os animais, ou seja, não dê motivos para eu soltar as minhas feras! Por enquanto eu sou do time dos Gremlins bonzinhos... hehehe.

Letra & Música


Certos dias uma música me invade, vinda de não sei onde. Hoje foi essa. Forte, direta, cheia de desejos e intenções. Gosto da letra e da música. Quero ser como essa mulher...


Que venha essa nova mulher de dentro de mim,
Com olhos felinos felizes e mãos de cetim
E venha sem medo das sombras, que rondam o meu coração,
E ponha nos sonhos dos homens
A sede voraz, da paixão
Que venha de dentro de mim, ou de onde vier,
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das onças e lute com todas as forças,
Conquiste o direito de ser uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor...
Quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades
E dona de mim
Livre, livre, livre para o amor
Quero ser assim, quero ser assim,
Senhora das minha vontades e dona de mim....
Que venha de dentro de mim, ou de onde vier,
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das corças e lute com todas as forças,
Conquiste o direito de ser uma nova mulher

21.7.08

Meu Amigo Carecone

"O prazer dos banquetes não está nos pratos, mas nos amigos que nos acompanham à mesa."


No post anterior, coloquei uma foto bastante antiga, mais cheia de significado, e uma mais recente, que considero bem divertida, como eu me sinto quando estou com os meus amigos: shine happy people. Achei que o Dia do Amigo fosse se resumir a troca de mensagens carinhosas. O que, aliás, teve bastante, graças a Deus!

"Amigos são como sutiãs: perto de seu
coração e lá para
apoiar".


Gosto de um pedaço de letra de música que diz: “Que o dia está nascendo e nos chamando para curtir com ele”. A minha versão é que enquanto o dia não termina, ele está sempre te chamando para curtir com ele. Assim, o meu Domingão do Amigão começou, na verdade, às 17 horas.

"Viver sem amigos é como tentar tirar leite de um urso para o café da manhã. Dá muito trabalho e não vale à pena." (Zora Neale Hurston)


Toca o celular. Eu lanço um olhar de tensão para ele. Eu tinha saído do banho a menos de cinco minutos. Estava meio seca, meio molhada, meio vestida, meio pelada, o cabelo escovado para trás, mas mega molhado. Sorte que tenho poucos fios. Atendi, era ele: o Franitos, mais conhecido como Doutor Carecone...



"Um amigo é alguém que sabe a canção de seu coração e pode cantá-la quando você tiver esquecido a letra."


FLASHBACK


Franitos e eu nos conhecemos há uns dois anos e meio. Desde então, nos vemos quase todos os finais de semana. Um dia ou dois, pelo menos, e parece nunca ser demais. Ele é como eu: gosta de ajudar as pessoas, ri de tudo e qualquer coisa – e tem uma gargalhada que te faz rir dele e com ele – tem um humor inteligente, muito mais mordaz que o meu, é descolado, gosta de lugares simples com gente bacana, mas sabe apreciar as coisas que são um pouco mais elaboradas. Animado que só! E foi arrumar uma namorada que é igual a ele – guardadas as suas devidas diferenças e proporções, claro.

"Amigos são aquelas pessoas raras que nos perguntam como estamos e depois ficam à espera da resposta".(E.Crinningham)


Um dia, ele fez o convite mais mortal que alguém pode me fazer: vou passar na sua casa às oito da manhã de domingo, para você me ajudar a entregar uns cartazes. Era para eu dar na cara dele, não é? Que nada, levantei com olheiras e sorrisos e fui! Pegamos mais dois amigos e fizemos um périplo por lindas paisagens nas favelas da zona norte carioca. Foi lá que comi o melhor café e pão com manteiga na chapa dos últimos tempos. Cachorro solto, criança correndo com pé no chão, guardanapo daqueles de papel grosso de forrar a mesa, local com vista para a linha do trem lá longe, a Onça de salto alto tentando se equilibrar no chão irregular do caminho. Muita gente dando bom dia e com sorriso no rosto. Foi um dia especial. E ao final dele, o Carecone solta a frase que marcou o nosso evento: “Eu fico aqui pensando em como estaremos daqui há dez anos. Se já estaremos casados, se teremos família ou bom emprego. Só sei que daqui há dez anos quero estar com vocês, ter esses mesmos amigos, lembrar de momentos assim”. Bom, pelas minhas contas, essa frase tem exatamente um ano. Outras pessoas tiveram a missão de entregar cartazes domingo de manhã. E nós permanecemos juntos.

FIM DO FLASHBACK

"Depois de algum tempo você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida." (Shakespeare)



Eu não estava pronta, mas atendi o celular.
Franitos Estou aqui em baixo, desce!
Bibi Já vou...

"A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro". (Platão)


Saí despenteada, com a calça mais larga na cintura (estou mais magra EEEEE), cabelo penteado para trás e carregando a bolsa no pescoço, enquanto acabava de amarrar o tênis. Ganhei dois ingressos para o camarote vip da Placar no Maracanã. Chamei o Franitos para dividir o momento comigo. O jogo era Flamengo e Vitória. Voltei a usar uma camisa que já estava com cheiro de guardada. O futebol voltou de vez à minha vida! UHU!

"A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você". (Ralph Waldo Emerson)


Perto do estádio, fizemos uma pequena caminhada. Vimos um guardador com um cinto preto transpassado pela camisa branca. Tomamos um susto! Caramba, o guardador é Vascaíno, que louco! Ao chegar mais perto, percebemos o equívoco, ainda assim a gente acho que a qualquer momento aquele mané ia apanhar sem motivo. Entramos no templo do futebol, sem fila, uma hora antes da partida. O camarote ficava do lado oposto ao que entramos e andamos, andamos, andamos com a torcida gritando, animada. Ele quis correr para chegar logo. Mas só depois daquela caminhada é que tivemos noção de como o Maraca é grande! O Franitos ainda falou: “Se a Bibi estivesse de bicicleta”. Hohoho

"A amizade é um amor que nunca morre". (Mário Quintana)



A nossa posição era exatamente em cima da Raça Fla, a torcida mais animada que já vi na vida! Ao ouvir as novas canções (para mim são novas, porque a minha história com o futebol teve um hiato de mais de cinco anos), ao ver as coreografias, a galera animada, o ambiente descontraído, fiquei totalmente em transe! Arrepiante! Quantas mulheres voltaram a freqüentar as arquibancadas, uma beleza! Gritaram o nome do Obina no fim do primeiro tempo e eu falei alto: “por que ele não está jogando?”. Um guri de sete anos vira-se para mim com autoridade e diz: “porque o Obina só joga no segundo tempo, oras!”. Eu fiquei com cara de ignorante, olhando a marra daquele tampinha. Que coisa linda é uma partida de Futebol!

"Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos".


O Fla perdeu. Fez um gol que celebramos pulando, mas foi anulado em seguida. Ficamos no quase. Voltamos tranqüilos para o ponto de encontro. Passou o ônibus, mas corremos atrás dele. Mais rápido, mais rápido, pela rua. Eu olhando a cena e rindo de mim mesma. E segurando a calça, que teimava em cair.

"Amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz". (George Eliot)



Depois do jogo, nos encontramos com a namorada do Doutor Carecone, a Bia Bug, e jantamos num lugar bacaninha, para finalizar a noite do Dia do Amigo. Fizemos o brinde dos famosos (que termina com uma gargalhada forte e sem nexo, cena de novela). Também brindamos a novos projetos, sonhos, datas comemorativas e ao fato da gente se amarrar em ficar junto.

"Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação : amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não
exista". (Marcelo Batalha)

20.7.08

FELIZ DIA DO AMIGO

Esse foi e é o primeiro amigo que tive na vida. Há 16 anos não nos vemos. Há cerca de três semanas nos falamos. Foi como se o tempo não tivesse passado... Amizades deixam marcas indeléveis, inexprimíveis, indivisíveis, inestimáveis.

17.7.08

Tia Coleguinha



Não é por nada não, mas hoje eu estou me sentindo! Segura a mulher, senão ela sai voando pela janela! Coisinha miúda, mas que me preenche tanto...

Sabe aquele post que falava sobre Futebol? Ganhei um elogio tão bacana! Tenho uma coleguinha de profissão que é parceira, guerreira, a pessoa mais gostosa de se estar perto em qualquer situação. Acho ela uma pessoa super descolada e inteligente. A Sambeira tem um blog também. Passou lá no meu texto sobre a final da Taça Libertadores e disse:

- Vc me fez lembrar a Cora Ronai que também fez a crônica dela sobre a ida ao jogo do fluminense.


Oi? Como assim você me fez lembrar a Cora Ronai? A Cora é a colunista de O Globo mais fofa, mais simpática, mais tude-de-bom. Mãe da minha amiga Bia e fã dos gatos (os felinos, tá?). Amo encontrar a Cora nos eventos!



Sobre ela, dizem:
Cora Rónai é editora do caderno "Info etc." e colunista do jornal O Globo. Pioneira do jornalismo de tecnologia, Cora lançou, em 1987, no JB, a primeira coluna sobre computação da grande imprensa brasileira. Usuária de PC desde 1986, tinha, já então, o estilo de escrita coloquial que caracteriza o seu trabalho na área cultural ou tecnológica.
Foi a primeira jornalista brasileira a criar um blog e primeira a dedicar-se à fotografia digital como ferramenta de comunicação. Nos primórdios do Fotolog, a página que ilustrava com fotos do Rio de Janeiro e de suas viagens chegou a ser a mais visitada do mundo. Também foi pioneira no uso dos celulares com câmera lançando o livro Fala Foto, uma seleção de imagens realizadas ao longo de cinco anos com mais de uma dezena de diferentes aparelhos. Parte desse material foi exibido em uma galeria de arte , feito inédito para instantâneos de celulares. É conhecida também pela defesa incondicional do Rio de Janeiro, dos animais e do meio-ambiente.

Para mim, ela sempre será aquela espécie de tia, que te ganha com um sorriso. Aquela da turmo do : "me dá um abraço?" Sempre tem boas histórias para te contar e te deixa super a vontade. Vez ou outra, quando eu fazia referência a qualquer assunto irrilevante, acabava vendo a mesma cena intrigante: ela sacar da bolsa um celular mega-power e mostrar uma foto ou simplesmente fazer uma combinação de dígitos que deixaria até ilusionista confuso. Cora tem sempre uma referência, pode acreditar!

Sambeira!!!! Assim você me deixa boba! rs
Um beijo!

Livros!


Outra coisa gostosa da semana que esqueci de contar. Na quinta-feira à noite eu liguei para a minha amiga Amelie Poulain - a xerox - para pedir autorização sobre uma foto aqui do bibidebicicleta. A gente estava há muito tempo sem se ver. No dia seguinte, marcamos uma almoço. Sabe aquele esquema: partiu!? Eu parti ao seu encontro, sem nem mesmo tomar muito fôlego. Nos encontramos, aquele abraço tão gostoso. Ela me olhando e me achando fashion; eu a olhando e pensando: "hummmm queria ser petit assim para ficar tão bem nesse estilo clássico e delicado na medida certa". Amo minha amiga de frente, verso, do avesso e de cabeça para baixo dançando Kara-karamba-kara-karaô. Ou melhor, no nosso caso, dançando "Ciaco" eu tô em cima, eu tô em baixo... (a gente entrevistou um cara de sobrenome Ciaco numa festa elegante e travada e foi inevitável não pensar nessa canção. Cada uma ficou de um lado da sala. Eu, no canto, ficava fazendo essa "dancinha" para ela rir do outro lado...Tempos difíceis, mas divertidos).

Almoçamos em um japonês. OOOOOOOOOOO delícia! Experimentei, pela primeira vez, uma massa chamada Guioza (não ria de mim, eu tenho amor e pavor pela culinária nipônica). ADOREI, mas preferi nem saber do que é feita. Papo vai, papo vem, eu abri a bolsa e dei de cara com o livro A Lição Final. Lembra que já falei dele aqui? Já tinha elogiado a obra à mesa também e senti no meu coração que o livro precisava dela. Assim mesmo, o livro tinha que sair da minha bolsa e ir passear na vida dela. Eu já tinha programado relê-lo para colocar algumas citações aqui, mas a vida tem desses impulsos. E eu procuro escutar cada um deles.

No mesmo dia, fomos visitar a Lojas Americanas. Era o nosso point certo pós-almoço em tempos antigos. Não é que encontrei o filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain em promoção? Eu sempre me refiro a ela dessa forma, mas nunca havia passado da capa do DVD. Comprei e só vi um pedacinho. Mestre Honey no mesmo dia me disse que havia pedido esse filme para a aula que ele estava preparando. Sinais, sinais... Tão soltos por ai... Tão complexos de serem capitados. --Alô além?

Na segunda-feira a LCB me manda um e-mail falando sobre um novo livro, cujo título me chamou mais a atenção que letreiro em néon piscante: As 10 mulheres que você vai ser antes dos 35 by Alison James. Não é sensacional? Ai que fase mais maravilhosa é essa!? Melhor que tomar Prozac. Ou tão bom quanto... hehehehe. E a LCB não deu um jeito de me enviar o livro, mesmo com a greve dos Correios? Subverteu qualquer tentativa empresarial de atrapalhar o sistema, mostrando-se uma ninja dos estratagemas! ADOREI! Chegou ontem, mas ainda não comecei a ler, já que tenho várias matérias para entregar. Porém ele já está aqui na minha bolsa (me olhando, só me cercando), bem no lugar do outro, que deve estar fazendo um bem danado a minha XUXU Amelie Poulain.

A "sinopse" da obra começa assim:

Ganhe dinheiro!
Seja corajosa e ativa!
Construa uma carreira!
Case-se!
Seja doce e feminina!

Com tantos papéis para desempenhar, não é de admirar que as mulheres tenham a sensação de já terem vivido muitas vidas até completar 35 anos... blablabla blablabla whiskas sachê blablabla blablabla.



AMEI!
E, claro, esperem inspirações, identificações, citações...
Ou não, como diria Caetano Veloso.

Penso, logo existo
Amo, logo existo
Abraço, logo existo
Beijo, logo existo... Um beijo!

Beijo, logo existo


Sorry! A semana está frenética e eu não estou nem conseguindo contar os meus dias! Isso faz com que eu me ausente daqui por mais tempo que gostaria. Por mim, seria todo dia sem sair de cima... do teclado! Mas a tal da modernidade veio facilitar e complicar um pouquinho mais a nossa existência.

Passei para esse oi básico e para compartilhar com vocês uma mensagem linda que o Luke me mandou no começo da semana.


Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia


Coisa mais linda essa letra de música! Coisa mais linda é esse amor que nos une em uma outra dimensão. Bem que já ouvi a frase que diz que amizade é como o amor verdadeiro sem a necessidade do sexo. Eu não tenho um amor pra chamar de meu, mas tenho muita gente que eu não quero sair de perto. E perto não significa grudado ou acorrentado, é uma liberdade de ir e vir, de se estar longe e mesmo assim sentir-se ao lado.

Essa semana o Paulo Vilhena me disse uma frase linda, com a qual vou terminar esse post:


"O amor demora um pouco a acontecer, porque às vezes ele
demora a se reconhecer no outro."

Então:
Penso, logo existo
Amo, logo existo
Abraço, logo existo
Beijo, logo existo... Um beijo!

13.7.08

Quer um pedaço de mim?



Nos últimos tempos, tenho encontrado algumas pessoas de um passado não tão distante. A pergunta do scrip é inevitável: “E as novidades?”; “O que você tem feito?”. Ela me apavora! Sinto-me na expectativa de contar fatos incríveis para uma vida que considero extremamente comum – que, quase sempre, faz sentido para mim, oras! [risos]. Sinto falta de ter as tais novidades para dar à minha existência uma característica fantástica e irresistível que os outros – e eu mesma – esperam. Eu nunca fui óbvia ou me adequei a rótulos. E na falta de vontade de narrar um enredo em que eu seja a protagonista, tenho dito: “Já leu o meu blog?” Isso me ajuda a por em prática uma das frases que estão intimamente ligadas à minha filosofia:

“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade.” (Paulo Francis).

E no trabalho de escrever sobre a minha vida e os meus pensamentos aqui, acabo fazendo desse espaço um local ideal para que saibam de mim e não sobre mim.

Sabe o que rola? Estou numa fase de pensamentos profundos e quando isso acontece, você deixa de dar atenção a algumas coisas do mundo exterior e passa a se concentrar um pouco mais nas questões que dão base ao seu pensamento. E, quase sempre, o conjuntos de regras que formatam o seu interior é que te fazem enxergar [e decodificar] de uma forma específica o que acontece lá fora. Eu chamaria isso talvez de “a verdade de cada um” ou simplesmente de "ponto de vista". É um equívocoacreditar que filosofia é estagnação. Grandes movimentos geralmente são precedidos de profunda análise. Estou fazendo uma faxina no tempo regulamentar da minha existência ao desviar o foco de toda uma vida, para tentar enxergá-la por um outro ângulo. Um novo, maybe. [Quem pode dizer?]. Pode ser que eu chegue às mesma conclusões de outrora; pode ser que encontre novos espaços, outros caminhos. Todos nós estamos livres às experimentações e somos livres também para agregá-las ou simplesmente descartá-las sem que isso signifique derrota ou retrocesso. Daí, penso em outra ótima frase de Paulo Francis:


“Apenas os idiotas não se contradizem.”

Gosto de pensar que somos responsáveis pela renovação das nossas mentes. Gosto de acreditar que todos nós temos o direito de mudar de idéia. Aprecio ainda mais reconhecer que temos o direito e o dever de pedir desculpas, de assumirmos com sinceridade os nossos erros, vacilos, palavras ditas em um momento de impulso. Já fui muito partidária do “pra frente é que se anda”, do “render-se nunca, retroceder-se jamais”. Até que me lembro de Michel de Montaigne :

“À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás”.

Baseada nesse contexto, procuro encontrar sentido numa súbita vontade de percorrer antigas estradas, agora dotada de novas idéias e experimentações. É o tal do passo para trás que tem me chamado à razão de uma existência. Sei que pode estar difícil de entender, mas para algumas pessoas esse texto fará todo sentido. O medo paralisa. A ironia é que tenho medo de ser dominada por esse medo. Porque muitas vezes, à beira do precipício, você tem que dar um passo para trás para analisar a sua real condição de se atirar nele e se sair bem nessa aparente missão de risco. Já sei que não sou dada a estagnação, embora aprecie uma rotina sem regras. O bom é que tenho encontrado em mim a tranquilidade necessária para ser ousada na medida certa.

“Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. A toda hora, a todo momento. De dentro pra fora, de fora para dentro”.

Sei que meus últimos textos estão parecendo um ensaio para um livro na linha “confissões das mulheres de trinta”, mas, oba, cheguei lá e com a corda toda! Assumindo as minhas diferenças, peculiaridades, fraquezas e necessidades. Aceitei o fato de que gosto da teoria, do pensamento, tanto quanto da prática. Gosto de imaginar qual é o meu papel na sociedade em que vivo. Não vejo esse desempenho de uma maneira macro, mas sim através dos pequenos grupos sociais dos quais faço parte. É nesse nicho que tenho a oportunidade de ver a consequência imediata dos meus atos refletidos na vida das pessoas. Eu não tenho a pretensão e nem a vocação de mudar o mundo, mas posso fazer a diferença naquilo que alcanço e isso inclui a mim mesma.

Há pouco tempo escrevi para uma amiga, a Morena:

"Porque tudo na vida está contido nessa relação: causa e efeito; ação e consequência. A não escolha é em si mesma uma escolha. É deixar de escolher e você paga por isso também – paga-se muito pela escolha que outros fizeram por você, e ai, não dá mesmo para reclamar ou tentar entender a profundidade da opção, não é? Se a vida é dom de Deus, a gente não pode desperdiçá-lo. Não podemos deixar para ser feliz outro dia, outra hora, em outro lugar. E não podemos acreditar que viver plenamente é ser feliz sempre, todos os dias, a cada minuto. Deus me concedeu fôlego, inteligência e preparo para eu fazer o melhor que posso com a minha vida, as minhas escolhas, os meus dons e as minhas experiências."

Queria que a vida tivesse gosto de sorvete: que até quando é ruim, é bom. Mas mesmo ela tendo sabores distintos, eu não quero deixar de prová-los, de saborear todos aqueles que me são disponíveis e me causam empatia. Quer um pedaço de mim?

10.7.08

Sweet Child O' Mine


PARTE 1

Houve um tempo em que eu tinha uma fórmula certa para afastar o baixo astral: brincar com crianças. Naquele tempo, eu vivia rodeada por um monte delas, de várias idades, raças, classes sociais. Meu instinto maternal foi despertado muito cedo e o mais engraçado é que pouco brinquei de boneca, o que poderia justificar tal despertar. Mas não, eu era menina da rua, da corrida, da bola, da piscina, da pipa, do jogo de queimado, do brincar de faz de conta. O fato é que sempre gostei de gente, não é novidade, e as crianças sempre gostaram de mim.

Pelas tais circunstâncias da vida, acabei me afastando desse nicho. Vê-las passar correndo e gritando já não me emocionava tanto quanto na época em que um sorriso diferente, um bilhete, já me levava às lágrimas. De alegria e encantamento. Fiquei um tempo cuidando mais de mim, vivendo outras e pensando outras questões. Eu mesma precisava crescer e foi bem na época da entrada no mercado de trabalho. O mais legal de você trabalhar com comunicação, do ponto de vista da interação social de seus pares – os coleguinhas – é que nesse meio você acaba esbarrando em seus amigos, gente que você gosta, a cada “esquina”. E tanto quanto a evolução profissional, você também acompanha o desenvolvimento da vida particular dos que lhe são mais chegados.
Estou apaixonada pela Laura. Quero uma igual!


PARTE 2

Quando eu conheci a VanLoz ela era estagiária e começava a namorar o C. Os nossos caminhos foram tomando rumos semelhantes, ficamos sempre perto uma da outra, a ponto de eu ocupar a vaga que ela estava deixando. Ela ia para outro estado morar com o C, que havia sido transferido. Visitei seu apartamento em uma única oportunidade e fiquei radiante de ver seu novo status. Um dia, ela me liga. A notícia era boa: “estou grávida!”, ela disse. Eu fiquei tão feliz, que não pude conter as lágrimas. Chorei, feito criança, absurdamente emocionada com mais aquela conquista. E ela ria do outro lado da linha. Vi seu “barrigão redondinho” apenas uma vez. Estava linda, magra como sempre, só barriga. E ontem eu finalmente conheci a Laura. Ela veio com a mamãe visitar o escritório e me encantou com suas bochechas gostosas, seu mini pé tão delicadinho, os olhos expressivos e principalmente por seus sorrisos constantes. A Laura te observa por uns segundos e depois ri para você. Tem como não amar uma menina de apenas 4 meses e já tão cheia de charme e simpatia? Estou absolutamente encantada e já pedi a Deus uma bem parecida.





Conheci a Lali do tamanho do Deco

Cerca de um ano antes, aconteceu a mesma coisa com a Ju e a Sofia, como já contei em um post anterior. E assim, vou fortalecendo os meus laços com pessoas tão queridas, vendo seus filhos chegarem, crescerem, transformarem o ambiente à sua volta. A primeira filha de amiga que conheci nessa circunstância foi a Lali, filha da Carol. Ela usava fraldas, estava aprendendo a andar e foi capa da revista em que a gente trabalhava – era aniversário da publicação. Anos mais tarde, fui à casa da Carol e a Lali, vaidosa, me levou até o seu quarto, abriu o armário e começou a mostrar os seus sapatos. Um por um, calçados no pé! Eu ri demais. O nosso último encontro foi no casamento da Betosa, ela já moça, cabelos e unhas feitos, vestido longo e sapato de salto. Estava a cara da mãe! Não era mais aquele bebê que eu agarrei em meus braços – como agora é o seu irmãozinho Deco –, mas me deu a impressão real de que o tempo passou muito bem. Essa mesma sensação eu tive com a Suca, filha da Beloca. Quando a conheci, ela não tinha nem dois dígitos na idade, mas já tinha a maior marra. Estava sentada na mesa da mãe dela, com o CD de Sandy & Junior nas mãos. Perguntei: "você curte?" Ela disse: “minha mãe não gosta deles não, mas eu gosto e não estou nem aí. Comprei”. Eu ri, porque a mãe dela é uma das pessoas mais doces & geniosas que eu conheço. E a filha era igual! Hoje, a Suca está enorme, linda, mais ainda cheia de atitude. Ela foi escolhida para representar a escola dela na ONU. Com a mãe que tem e o gênio que sempre demonstrou, alguém duvida que essa menina vai longe? Com os filhos do Esmê eu tenho a sensação inversa, de que eles já haviam começado a trilhar a estrada do far far away quando conheci seu pai. Não os vi pequenos, mas ouvia algumas histórias. Outro dia, um deles veio visitar o Esmê. Estava de terno e gravata. Que menino lindo! Achei bem engraçado o filho de um amigo estar na categoria dos "pegáveis". Se eu gostasse dos tipo babies...

Princesa: cheia de graça!

PARTE 3

Uma gravidez que curti do começo ao fim foi a da Lady Di. Ela trabalhou até não poder mais e a gente adorava mimar aquela “barriga”. A mãe, descolada e desapegada de tudo, aprendeu a namorar aquela barriga e o fruto daquela gestação, a PrinCesa, pintou no pedaço dia 20/02/2002. Já chegou especial. Fui visitá-la ainda bebê e a Lady Di disse para mim a frase que mais me marcou nesse aspecto: "Você é totalmente maternal; tem mais instinto maternal que eu!" Estava com a PrinCesa no colo e ela parou de chorar. Foi o máximo! Essa gatinha aprendeu a identificar letras e números antes dos dois anos. É um gênio, mas ganha você pela sua espontaneidade, pelas tiradas e questionamentos inacreditáveis. Também acompanhei bem de pertinho a segunda gravidez da Neiva. Ela já era mãe de uma menina linda, minha xará, o que nos aproximou demais. Uma graça de garota, Trice, daquelas que gostam de ser criança, que ouvem e inventam as histórias mais mirabolantes. Depois nasceu um belo garotão, que em pouco tempo estava tão lindo quanto a irmã. Outra que já nasceu bela foi a filha do Xuxo. Loira e de olhos azuis, a Isa tinha uma foto que era uma graça: ela bebê, vestida com uma camisa ENORME do América, time do seu pai.

Thereco é filho da Amelie Poulain
Um “caso” super gostoso que acompanhei desde antes da concepção foi o da Leleu Schu. Lembro perfeitamente dela preocupada com o ritmo de trabalho que a gente levava, muitas horas trancadas na torre. Um dia, ela começou a procurar freneticamente um novo emprego, porque queria ser mãe. Ela tinha esse plano. Encontrou um novo lugar, mas ainda esperou pela tal estabilidade. Fomos almoçar juntas e ela me contou: estou grávida! Mais risos, mais lágrimas e dentro de mim ficou a certeza de que aquela criança estaria sempre muito bem cuidada por sua mamãe estilo Amelie Poulain. O Thereco é lindo demais, um bonequinho desenhado pela vida. Engraçado é que quem me surpreendeu mais já tinha nascido há algum tempo. Quando a Babu me disse que tinha uma filha, eu lembro de ter pensado: "caramba, ela já tem uma filha?" Depois veio a informação de que em breve a Deb faria 15 anos. Meu queixo caiu, mas eu segurei antes que rolasse pelo chão e alguém notasse. A Babu tem cara e espírito de menina, olhos expressivos de quem nunca perde a curiosidade em relação às coisas. Tai um fato que é característico de muitas crianças, mas uma delas me surpreendeu demais com sua curiosidade: a Laurinha, filha do SZ. Aos 10 anos, ela corrigiu um erro que viu na revista, em relação às três capitais da África do Sul (Pretória, Cidade do Cabo e Bloemfontein). Tinham falado apenas da Cidade do Cabo... Não fui eu que fiz a nota, mas fiquei chocada com a atenção dela.
Best Friends


PARTE 4

Quando você trabalha com alguém que está grávida, parece que a gestação passa voando (embora para a mãe, o inverso deva acontecer). Lembro da Claris anunciar, finalmente, que esperava um bebê, coisa que toda a empresa já torcia há tempos. Lembro do dia que ela levou o Gui para seu primeiro almoço com os amigos do trabalho da mamãe e aquele menino mostrava tanta paz, tanta calma, mesmo cercado por uma horda de mulheres admiradas; mesmo sendo despertado por aqueles olhares curiosos. A Betosa também teve a tal barriga companheira. Bastava ficar uma semana sem vê-la para notar a nítida diferença. As amigas torciam por um menino, porque ela já era mãe da Naty e tia da Rafa, mas me surpreendi com a alegria que ela anunciou que quem estava chegando era a MLu, para ser a melhor amiga da sua irmã mais velha. Com a Betosa achei até que a gestação passou voando, o que está demorando mesmo é a volta ao trabalho. Saudade.
Jorge e Trufinha

E a Trufinha? Custa a aparecer aqui, mas quando vem é aquela festa. A filha da é gostosa feito um bombonzinho. E os gêmeos da Camota? Essa duplinha já até virou nome de personagem de novela...

O personagem "Laritel Camilo" foi inspirado neles


E ainda tem gente nova para chegar! Uma barriga que transformou a vida de um homem. Não que ele precisasse mudar, mas ao saber que seria pai o Taba conseguiu alargar os espaços dentro dele. Como ele mesmo diz: "estou em outra vibe!" E como é lindo ver um homem apaixonado por uma barriga, por um ser que só existe "de verdade" dentro da mãe, mas que o pai espera com mais ansiedade que a final do campeonato do seu time, que a foto mais especial de toda uma carreira. E, na real, a Luiza será sempre o melhor trabalho do Taba. Ela chega dia 15 agora! E que venha com saúde e sorrisos para tornar esse lugar muito mais bonito e feliz.


A Luiza vem aí!


7.7.08

GOOOOOOOOOOOL



Podemos dizer que de tempos em tempos o ser humano passa por uma fase de reavaliação, o tal balanço. Pelo menos, deveria. Essa nova análise sobre os mesmos fatos pode ser desencadeada por uma série de fatores. Talvez a chegada dos 30 anos tenha me ajudado a entrar de cabeça nesse processo. E eu, que fugia da idade, hoje, gozo com prazer dos benefícios que começo a descobrir com a maturidade. Quais? Ter mais calma e tranqüilidade para lidar com os assuntos; Ter experiência e conhecimento suficientes para me safar de algumas situações; E, principalmente, mais que saber o que quero, é ter a condição de identificar aquilo que não quero para a minha vida e o que não me faz tão bem. Isso é bom pacas!

Junto a essa nova fase, vieram novas pessoas, novo trabalho, novas possibilidades. E, curiosamente, pude reavaliar aquilo que deixei para trás e que não foi bem uma opção minha, mas das circunstâncias. E foi assim que eu fui parar na Maracanã na final da Libertadores da América. Mesmo não sendo Tricolor. Você pode se perguntar: ah, então foi torcer contra
? Nada disso. Creia. Eu fui de coração aberto, disposta a participar de uma noite histórica, ao lado de gente especial. Sabe o que aconteceu? e acabei me apaixonando, outra vez, pelo futebol.

Meu pai amava jogar bola. Parou cedo de praticar o esporte por questões de saúde, mas até hoje é vidrado em um jogo. Para ele, está valendo assistir até a partida de Togo X Gana. Meus irmãos eram peladeiros de ocasião. Eu, ao contrário, sempre amei os jogos do Flamengo e da Seleção. Lembro da primeira vez que estive no Maraca para torcer pelo Mengão. Depois disso, comecei a jogar futebol em uma escolinha perto de casa. Todas as meninas saíram e eu fiquei um tempo treinando com a turminha dente de leite. Perdeu a graça. Sempre que a mulherada entrava em campo, em quadra, ok, sempre que a turma de descontroladas se aglomerava para correr atrás da bola, lá estava eu! Tentando mostrar alguma técnica, apanhei muito! Mas era uma delícia! Chorei com jogos ao vivo, chorei com jogos pela TV. Quando entrei na faculdade, peguei logo uma eletiva. Sabe qual? Sociologia do Futebol. Uma matéria incrível, com um professor não menos maravilhoso: Mauricio Murad. Inesquecível.

Até que um dia... Eu me liguei a alguém que odiava futebol. Em nome do sentimento, deixei o futebol totalmente de lado. Claro que os dias de jogos decisivos do Flamengo ou da Seleção, a paixão pelo game falava mais alto. Um dia, fui fazer uma entrevista com o Dejan Petkovic, na época jogando justamente pelo Fluminense. Sem o menor pudor, “pedi” para ele voltar para o meu time. Disse que o gol que ele fez na final do Campeonato Carioca de 2001 contra o Vasco – aos 43 três minutos do segundo tempo, garantindo a taça para o time da Gávea – me fez chorar como um bezerro desmamado. Ele riu e eu voltei da sua casa com uma matéria sensacional.

O amor pelo cara passou; mas o amor pelo futebol voltou a entrar em campo de uma maneira surpreendente, justamente durante o jogo do histórico do Flu. Eu estava acompanhada por um torcedor fanático, o que tornou a experiência mais intensa. Fiquei lá, observando a manifestação da torcida, o amor à camisa, a entrada das bandeiras, o ato de jogar o pó-de-arroz em seus semelhantes. Perguntei algumas coisas e continuei com o olhar atento e curioso. Em campo, os jogadores do tricolor carioca fizeram uma bela partida. O cenário era de guerra e seus combatentes agiram conforme o enredo. A cada gol, eu morria de rir com a reação da torcida. Os homens ficam fora de si! Teve gente se jogando no chão, se ajoelhando para agradecer, pulando, caindo da cadeira, derramando bebida, correndo sem rumo. Acho curioso observar homens que nunca se viram antes, se abraçarem com uma intimidade fora do comum, vibrando, rindo. No último gol, eu tive as duas mãos beijadas por um torcedor que estava no nosso grupo, mas que eu nunca tinha visto na vida. Sinal de que não “Sou Tricolor de Coração”, como diz o hino do clube composto pelo genial Lamartine Babo, mas “Tenho Amor ao Tricolor”. Naquele exato momento me lembrei das aulas de Sociologia do Futebol do Mauricio Murad e tive vontade de voltar a estudar sobre isso - pelo menos aqui eu posso escrever sobre isso. As relações humanas me interessam demais. Achei uma declaração perfeita do antigo mestre:

“Apesar de o futebol ser um conjunto de técnicas desportivas, físicas e corporais, ele é muito mais uma arte que um esporte, por traduzir uma simbologia humana: a vida e a morte. O que é a vida humana, do ponto de vista filosófico? Uma síntese que resulta em movimentos conflitantes, entre o construir e o destruir, entre o estar e o desaparecer. O futebol traduz isso porque a vitória de um é a derrota do outro; o gol, êxtase da alegria de um lado, simboliza a tristeza do outro; o grito de uns é o silêncio de outros; o desespero do goleiro em face à alegria do atacante. O futebol é muito imprevisível, portanto, como a própria vida, que você programa hoje e não sabe o que vai acontecer amanhã. Então, no caso brasileiro, ele ajuda a traduzir a exclusão social, os preconceitos de classe, os preconceitos de raça, os preconceitos contra gênero, contra a mulher. Afinal, futebol ainda é um ambiente muito masculino, tradutor da sociedade, que também é. Costumo dizer que esse esporte tende a mostrar apenas o positivo – “futebol é democrático”, “futebol permite que o pobre e o negro, que o baixinho e o alto joguem”, e isso é bom. Mas futebol também é opressão, é exclusão, futebol é exploração de marketing. O futebol é o grande tema, pois, porque ele é o tradutor da vida coletiva; um tradutor avançado, porque traduz a vida coletiva pelas suas contradições. E, do ponto de vista da sociologia, é o “fato social total”. O que seria um fato social total? É aquele fenômeno que consegue sintetizar toda a vida social, por isso ele traduz a idéia de coletividade.”

Uma arte, mais que um esporte, porque traduz uma simbologia humana. O que é a vida humana, do ponto de vista filosófico? Uma síntese que resulta em movimentos conflitantes entre o estar e o desaparecer. O futebol é muito imprevisível, portanto, como a própria vida, que você programa hoje e não sabe o que vai acontecer amanhã. Nunca um trecho me fez tanto sentido.
Programei uma noite incrível em parceria com o GClooney, mas vivi a história mais descabida dos últimos tempos, "algo entre o estar e o desaparecer", como teorizou Murad. A vida é mesmo imprevisível, o Flu perdeu nos pênaltis e eu perdi... O que foi mesmo que eu perdi? Ah, eu perdi a minha carona.
Não tem problema, arrumei outra em questão de minutos. E, ironia das ironias, fui para casa em um Gol.