4.2.10

histórias inteiras




Caracolhes; caracolhes duplos; caracolhes triplos!
MarinaW, "the muse", colocou um link do blowg para cá e a galera comprou a ideia!
Estou recebendo a delegação da ONU por aqui!
Gente de tudo que é canto do Brasil e do mundo está visitando o BibideBicicleta!
Que delicinha, fala sério!?
Se pelo menos 10% desse povo resolver ficar e pedalar será a alegria suprema!

***




Estou sem vontade de escrever, folks. Mas antes de ir dormir, preciso contar uma história que me aconteceu hoje pela manhã (again)...

Acordei atrasada, mais uma vez (eu sei), e tive que pegar um táxi para chegar no trabalho no horário regulamentar. Meu chefe é um santo, não reclama, mas eu não gosto de abusar da sorte, sabe como é... E quem acompanha sempre o BibideBicicleta pode imaginar que em 90% das vezes em que eu estou dentro de um amarelinho, uma história acontece. Não foi diferente.

Fiz sinal e o meu "bom dia" habitual deu a partida para a maratona sentimental a qual eu seria exposta. O motorista, que tinha 59 anos (informação dada pelo menos em quatro momentos diferentes), contou a sua vida TODA. Ele simplesmente só me dava espaço para hum-hum e uh-uh. Disse que tinha um filho de 24 anos que havia comprado duas motos em um leilão e que ele estava sem dormir de preocupação. Disse que era viúvo há dois anos e meio e que tinha uma namorada que morava em Guadalupe. Disse que estava inteirão para a sua idade e que corria todas as manhãs. Contou que cursou contabilidade e dois anos de Direito, mas que estava no táxi há 40 anos.

- "Comecei cedo", justificou.

Disse, por fim, que a mulher dele (a que faleceu) era filha de militar e que sempre teve uma pensão muito boa. E que por isso eles tiveram a chance de comprar carro, casa e ajudar a empregada que os serviam por 32 anos. Esta mesma que continua com ele com um salário de R$ 1200,00 reais. Ele havia acabado de ajudar a moça (já não tão moça) a comprar sua casinha em Magé e que, justamente por isso, ela passou a chegar no trabalho depois das 10 da manhã. Ele não se importa. Mas liga para o marido dela, todo preocupado, para saber a que horas ela saiu de casa. "Moça, essa cidade anda um perigo. Tenho medo que aconteça alguma coisa com ela pelo caminho".

O caminho foi longo, sim... Mas o golpe final veio no fim. A lição sempre vem, né? "Moça, eu tenho carro, casa, saúde, filho criado, um trabalho que me dignifica. Batalhei a vida inteira, porque achava que isso faria a diferença no final da minha vida. E hoje vejo que isso tudo não vale nada porque não tenho a minha esposa do meu lado para desfrutar o que a gente conquistou juntos. Trocava todos os bens para estar nessa vida com ela".

Esse homem quer me matar do coração, não é?! Tudo o que mulheres como eu buscam é um homem para ser parceiro nessa vida. E ser parceiro compreende tantas e tantas outras coisas que vão além de amor, paixão, tesão, bom sexo, amizade, proteção, confiança...

As palavras tão sinceras desse taxistas me transportaram para poucos meses atrás. Fui a um enterro do pai de um amigo. A esposa dele começou a se despedir com tanta cumplicidade e tanto carinho (sem desespero, só tristeza profunda) que a cena ficou registrada não apenas na minha mente, mas também na de amigos em comum. Como deve ser duro se despedir do seu amor cúmple, parceiro de uma vida inteira...

Eu já me despedi de amores e sofri muito, muito, muito com isso. Eu já deixei amores pelo caminho e os fiz sofrer, mas também tive a minha cota. Faz parte do tal do jogo da vida. Mas ainda espero aquele a quem hei de ter a mão para caminhar pela vida. O parceiro cúmplice, com quem hei de escrever uma história única, além do tempo que se conhece. Se assim Deus quiser. Caso contrário, escreverei eu mesma a minha história. Por que não sou metade. Sou inteira, querendo viver histórias inteiras.

8 comentários:

oscriticos.blogspot.com disse...

Olha, a cada vez que ouço um caso desses fico mais convicto de que tenho tomado decisões corretas. Que alívio! rs

Bibi disse...

Rodrigo: As decisões são corretas só quando a maioria aplaude? Eu e você sabemos muito bem que não! Decisões são corretas quando a gente as toma e se sente em paz internamente. Existem dificuldades after? Sim! Claro, a vida é feita de desafios. A diferença é a paz de espírito e a leveza em relação aos próximos passos. Uma sensação individual e absurdamente necessária. Como é que tem tanta gente que negligencia os chamados internos!? Medo?! Respeito que os tem, porque eu os tenho também, mas não acredito que esse medo possa ou deva ser mais paralisante que a frustração!

Furou ontem, furarei hoje! Nos vemos segunda!

LuisPaulo disse...

Fiquei contente por mais novos ciclistas!! Muitas pedaladas virão!!!!

Bibi disse...

I hope so, LP! Deus te ouça!

eliza disse...

E a vida não é sempre assim? esperança em manter o que temos de bom e ansiedade em buscar o que ainda não temos o que achamos que seria bom ter?

Bibi disse...

Com certeza, Eliza! E também saber que nem sempre a ansiedade é uma coisa boa e que nem tudo que se anseia será o melhor, mesmo que recebedi. A vida não é matemática. Talvez ela seja uma melodia de combinações sem fim.

Obrigada pela visita e muito,muito mesmo pelo comentário sincero e certeiro! Volte sempre!

Bibi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dida disse...

Bibi, que legal!!!! Marina W é show e com certeza novas pessoas vão ficar e pedalar com vc!!! vai ser uma maratona internacional Bibi circuito ultra edition....ahahahahha