1.3.10

y verás cómo quieren en Chile al amigo cuando es forastero

Foto: www.g1.com

Poderia escrever um monte de coisas sobre a recente tragédia que detonou o Chile. Quem pode explicar um terremoto de 8.8 graus na escala Richter (que vai até 10, mas que até hoje só atingiu 9.6, justamente no Chile, há 60 anos)? Eu não sei o que é um terremoto. Apenas posso imaginá-lo em meus devaneios e pensamentos perdidos, desconexos. Porque isso que imagino sobre os acontecimentos naturais que nos tomam do lugar comum: o silêncio, o estrondo, o devaneio, a dura realidade, o choque, o pavor, o reorganizar dos sentidos, a agonia, o silêncio.

Não há palavras que possam expressar a perplexidade diante da fúria da natureza. Não há palavras que sejam suficientes para levar alento a quem perdeu tudo. Não há palavras que transmitam consolo para aqueles que perderam outras vidas. Não há palavras que possam mesurar a dimensão dos acontecimentos. Não há palavras que possam ter a capacidade de prever as consequência naturais daquilo que está por vir apartir desse efeito arrebatador. Simplesmente: não há palavras, por mais que eu teime em colocá-las nessa tela.

Já estive no Chile. Isso foi há 17 anos. Nossa! Nunca pensei que escreveria isso, que chegaria a esse número de tantos dedos para contar. Parece que foi ontem, porque os sentimentos lá experimentados estão vívidos e tão frescos na memória. Isso isso está me cheirando a papo saudosista, deve ser a data, esses dias que vem pela frente... Tudo o que vive lá no Chile acalenta o meu coração. Talvez por isso esteja tão consternada diante do caos que se estabeleceu; frente essa tragédia não anunciada. Sabe, tenho para mim que essa sempre foi a regra da Terra, da criação: a de ter que se acomodar e pronto. Tipo: vocês que estão se estabelecendo sobre mim é que tem que rebolar para suportar a regra do jogo que é essa e mais umas tantas que rolam por ai. E não tem sido assim? Não entrei nem no mérito da questão da ação do homem na degradação da natureza... Enfim.

Mesmo miúda e sem nunca ter falado um holla em espanhol, aprendi uma musiquinha típica do país. Um trechinho da canção dizia:

"Campesinos y gente del pueblo / te saldrán al encuentro,
viajero / y verás cómo quieren en Chile /al amigo cuando es forastero"

Eu me senti abraçada pelo país quando lá estive. Assim como muitos outros brasileiros devem ter se sentido quando foram acolhidos pelo Chile na época da Ditadura, quando exilados tiveram que encontrar um pouquinho de Brasil em terra estrangeira. Daqui nada posso fazer, a não ser bradar meu amor e solidariedade ao povo Chileno. E dizer que mesmo que tudo possa parecer noite, sol sempre nos brinda com um novo amanhã. E essa deve ser a nossa esperança: a de uma amanhã sempre melhor. Eu desejo voltar ao Chile e reviver um dos instantes mais mágicos da minha vida: estar na Cordilheira dos Andes e ver a neve cair em flocos, como o começo de uma chuva que custa a molhar.

5 comentários:

J25 disse...

solidariedade...
Fico imaginando também, como será a terra tremer e tudo em sua volta que parece solido não o ser mais...
Solidariedade...
Acredito que o Chile é o pais mais brasileiro da america do sul depois do Brasil claro.
Tenho planos de lá conhecer, espero que chegue logo o dia.
Tudo ao seu tempo até o terremoto
Acredito que Deus está no controle de tudo.

Bibi disse...

Solidariedade é quase sólido... É real!

LuisPaulo disse...

Abraços e forças aos nossos amigos e amigas do Chile! Hasta siempre com amor!

Saulo disse...

Vamos juntos... adoraria conhecer o Chile!!

Bibi disse...

Vamos!