27.4.09

Pra Sempre


Estou desidratada de tanto chorar. Já faz tempo que eu tento segurar as lágrimas. Nunca a emoção. Houve uma época em minha vida que eu me debulhava até em assuntos sem a menor importância. Muitas vezes por quem não merecia. Hoje uso essa válvula dando muito mais importância e valor. A maturidade trouxe para mim o mínimo de autocontrole [na verdade, acho que fiquei mais dura. No entanto, isso não vem ao caso].

Hoje tudo foi diferente. Acordei cansada, arrasada. Sabia que uma maratona emocional me esperava pelo caminho. Tomei café e dei a partida ao dia. Não foi fácil. O estômago estava tão embrulhado, que o meu almoço se resumiu a uma banana e uma manga. Fui executar uma missão muito difícil; um desafio a quem ama. E muito!

No post Meus Braços eu falo sobre a partida de amigos queridos: Vivi e Ellus. Muito amados. Muito necessários à minha história. Família bendita que a vida [Deus] me ofertou. O tal do amor compacto. Ellus já estava em outro continente. Hoje foi a vez da Vivi partir. Não era uma viagem com data para voltar. Era uma aventura "pra sempre", mesmo que o "pra sempre" sempre acabe. Ou sempre nos surpreenda. Ela pediu para que eu fosse com ela para o aeroporto. Não havia possibilidade de ser diferente. Antes mesmo de ela me escalar, eu já havia dito sim. Porém, não é fácil.


Aqui não é o sofá do analista, mas confesso: tenho muita dificuldade em perder. Olha que me esforço para ganhar até em Banco Imobiliário. Mas não falo de disputa. Perder em disputa é mais tranqüilo que a sensação de perder alguém que se ama. Tenho dificuldade em deixar partir ou em dizer adeus. Quando eu amo, é com todas as forças. Quando eu gosto, ofereço o melhor de mim. Quando aprecio, coloco as melhores expectativas. Tudo é intenso. Ser diferente é não-ser. Então, dizer "até já" para a Vivi foi como se eu consentisse que alguém arrancasse um pedaço de mim.


Antes de partir, ela escreveu sobre mim em uma foto: “Vou lembrar as tardes no shopping com café e brownie e das longas e longas conversas. Você é pra sempre”. As palavras escritas têm um significado muito forte para mim. Não posso ler sem chorar. São registros eternos. E foi essa mesma frase que repeti para ela, antes do embarque: Vivi, você é para sempre”! E esse é o tipo de sempre que nunca acaba, porque assim eu decidi. Essa moça é parte da minha história. Os melhores momentos. Já prometemos nos encontrar. Hoje eu me encontro só. Sem os meus braços. Hoje aprendo que se perde para melhor e que maturidade é saber deixar ir [como a Ana Mana sempre me diz]. Há uma estrada tão longa para eu caminhar nesse sentido... Hoje só quero que o dia termine bem. Hoje só um abraço, um beijo longo, um cafuné e um peito para dormir sob afagos me acalmaria.

17 comentários:

jose luis disse...

perdi alguma coisa?
ou esse post foi so' uma despedida n aeroporto?
tomara que sim
comecei a ler a ja' ia suando frio
com medo do final
ufa!!
empresto o beijo e o peito

Bibi disse...

Zé, foi uma despedida para sempre! De duas pessoas que eram muito minhas! Vivemos o mundo juntos. Por que tava com medo do final? Não quero dois! Eu sempre quero tudo!

Dani Lomba disse...

Hoje te admiro muito mais do que ontem, pela coragem (?!) e pelo carinho e AMOR irrestrito que tem por essas pessoinhas pra mim e pra minha família tão QUERIDOS e AMADOS tb! Fugi desse momento... Já tinha levado a Vivi no domingo retrasado ao Aeroporto, pois estava indo passar uns dias com a mãe, em Porto Seguro... Preferi assim, parece q é lá que eles estão... E não deixa de ser! Pois se a vontade do Pai é essa, não existe MAIOR PORTO SEGURO!

Lucas Ferraz disse...

Isso me lembra um certo amigo nosso que, antes de partir para o além mar, ouviu, da garota que gostava, um "have a good life" [tenha uma boa vida].
E ponto.

Hoje foi um dia difícil para todo mundo, pelo que eu entendi. Um dia daqueles que a gente gostaria que tivesse sido pulado.
Mas meu dia teve um ponto bom: Voltei de SP pela manhã. Adoro São Paulo, mas nada explica a sensação de pousar no Santos Dumond, vendo o Pão de Açucar ao lado e ainda sabendo que à noite eu dormiria na minha própria cama.

E ainda sabendo que eu estava voltando pra cidade onde você está.

E, só pra nós dois entendermos, estou ouvindo Dave Mathews Band neste momento.

beijão.

CK disse...

Bibi,

Despedidas de alguém que a gente ama, é como nos matar um pouco a cada segundo. Odeio despedidas, pois é como se arrancassem algo nosso sem consentimento... é nos roubar um investimento feito há tempos, que ainda está dando frutos. E pior que não se pode nem mandar prender quem faz isso conosco... É como um vício que precisa ser satisfeito com urgência, para que consigamos viver. É um egoísmo saudável, que gera aquela palavra que não existe em outros países: saudade, que é fruto de um sentimento único chamado amor.

O que é isso? Como satisfazer? É preciso dar um fim à agonia que a saudade gera. Matar a saudade, é como se vc estivesse há muito tempo sem comer e o estômago perturbando até encontrar aquele manjar dos deuses. É como estar só num deserto em busca de uma gota d'água que mudasse a situação, aliviando a agonia, te dando esperanças e restaurando nossa vida de novo.

Vida: será que podemos dizer que é um conjunto de emoções, em que se mantém e define nossas ações e direções, tendo controle de algumas coisas, diferentemente de sobreviver, que é ir levando, "deixando a vida nos levar", como já dizia um poeta.

Não fique "sad", mas tenha em mente que uma voz vc poderá ouvir, pegando um telefone... uma foto que pode ganhar vida, pela magia fantástica que a internet possibilitou, basta dizer: SKYPE!!
Só que amar dói, pois nem todos agem conosco, como agimos com eles. Eu posso me considerar alguém como amigo e mover céus e Terra por vc, mas o outro lado, pode não me considerar tão seu amigo quanto imagino... isso gera frustração, tristeza e sensação de desperdício, porque amar é um verbo de dois, de dez, de duzentos, abrindo espaço para o fator "gremlins": pode ir se multiplicando quando se alimenta com algumas gotinhas de amor.

Amar é um tipo de sentimento que nos leva a fazer muito mais: ir atrás só pra dizer algo pro outro, é zelar, é cuidar. É se interessar, é se desdobrar para que o outro esteja sempre bem, confortável. É sempre querer estar junto. É se machucar para que o outra pessoa esteja segura. É ser o cão de guarda. É fazer coisas simples como uma palavra de afeto, é levar uma flor, é comprar um cd, pra dizer que lembrou da outra pessoa, que nos gerou o amor. É ir até ela só pra dar um abraço. É ligar pra falar abobrinha ou não. É mandar um cartão, um e-mail, um torpedo. É se sujeitar, É estar presente sempre quando ela precisa. É ser bobo, taxado como tolo? Certamente. Mas quem disse que o amor não é fugir aos padrões que o mundo conceitua como certo ou não? Amar é independer do que os que nos orbitam pensam. Amar é ser o próprio coração. Amar é dar o nosso melhor.

Vc deve ficar feliz por tê-los longe, mas em vida. O que dizer dos que fazem diferença ou fizeram na nossa vida, que simplesmente deixaram de falar conosco, daqueles que não te querem por perto ou daqueles que se foram e só Deus sabe se um dia os encontraremos... isso dói bem mais. O que fazer? Amar menos, pra doer menos? Sabe o que é pior que tudo isso, é ter as pessoas somente na lembrança e não poder fazer nada diante disso, pois a memória nossa, temporária é.

Bjs

Bibi disse...

Dani: não é fácil, mas faz parte de um processo de luto. Encarar a realidade é acordar para a vida. Fui lá e agora estou doida para saber se ela chegou bem!

Luke: Você não vai acreditar! Ouvi DMB essa semana, pela primeira vez em anos! É um conforto desconfortável!

CK: que coisa mais linda! Sem palavras...

fernando disse...

EStá aí um fato difícil, compreensível para o intelecto, mas não para o coração.

Bibi disse...

Com toda a certeza Fernando! Falou e disse!

Dani Lomba disse...

Meee toooo!!!

CCoimbra disse...

Ler esse post deu um nó na garganta....a despedida do Ellus no domingo passado doeu...ver a Vivi ir embora domingo, e nao conseguir ir ate o aeroporto ontem doeram mais ainda....lagrimas foram poucas...Domingo cantar sabendo a o Ellus nao vai mais estar la, e q ao olhar pra igreja nao verei mais a Vivi sorrindo mudando as musicas no datashow, nao te-los nos lanches pós culto...etc...dói....mt saudades...
vou parar por aki que o nó das lagrimas ta desatando....

Saulo disse...

Pessoas me balançam, coisas não! Posso passar a vida inteira sem ganhar num joguinho sequer. Mas não suporto um minuto da ausência de quem amo! Exagero?... talvez! Acontece que diariamente penso nos "meus amados", rezo por todos e por cada um, desejo "flores" no travesseiro como Lily Joe, às vezes ligo, noutras visito, na maioria delas... convido para um lanche aqui no cafofo!

Bibi disse...

Coibra: agora a gente tem que pensar que eles estão MUITO bem e felizes! E wque temos a melhor lembrança viva!

Saulo: também tenho convidado os meus amigos para um lanche no SEU cafofo! Não foi a toa que ganhamos no jogo de cinema! hahaha Mesmo com o seu: Queriada esgarcei o bebê!

Bia Bug disse...

Tô aqui pra vc. :)

Bibi disse...

Bia Bug vc é sempre maravilhosa!

Michel disse...

Lindo este post

Alex e Vivi disse...

Vc me faz chorar, amiga. Eu amo vc, e a despedida não é pra sempre. Tenho dito que nossa permanência aqui é "pra sempre, por enquanto". Deus, que é a quem já entregamos há tnt tempo a direção desta história, ainda não nos contou, mas Ele já sabe até quando vai durar esta despedida. Enquanto isso, vamos nos visitando. Vc aqui em outubro, e nós aí em dezembro. Nossa amizade, sim, Deus já me contou que é pra sempre.
Miss you
Vivi

Bibi disse...

VI: como essas palavras tocam o meu coração! De verdade! Te amo